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Israel

Hebraísta cristão rejeita Teologia da Substituição: “Nossas raízes estão em Israel”

Para Getúlio Cidade, além de ser uma teologia infame não tem nenhuma base bíblica.

Fonte: Guiame, Cris BeloniAtualizado: quinta-feira, 28 de outubro de 2021 15:01
Getúlio Cidade, hebraísta e escritor. (Foto: Divulgação/LC Agência)
Getúlio Cidade, hebraísta e escritor. (Foto: Divulgação/LC Agência)

Qual a relação entre judeus e cristãos? E por que muitos movimentos evangélicos são contra os judeus? A Bíblia diz que não há vantagem para nenhum dos lados e que tanto judeus quanto gentios estão debaixo do pecado e não há um justo sequer (Rm 3.9-11). 

Todos dependem de Cristo para que haja justificação diante de Deus. Quanto à salvação, a Bíblia também diz que todo Israel será salvo através de um redentor. Não há exclusividade para nenhum povo e Jesus será “desejado por todas as nações do mundo”, conforme Ageu 2.7.

Sendo assim, não há motivos para que Israel seja visto de maneira preconceituosa. “Mas esse preconceito existe e, possivelmente, por falta de conhecimento”, disse o hebraísta, escritor e tradutor Getúlio Cidade, que serviu a Marinha do Brasil durante 32 anos e foi capitão de mar e guerra. 

Como cristão, Getúlio se especializou no tema “Raízes Judaicas do Cristianismo” e escreveu o livro “A Oliveira Natural”. Em entrevista ao Guiame, o hebraísta que pesquisou sobre o tema por mais de 20 anos, esclareceu que o afastamento entre cristãos e judeus se deu a partir do século II, com a Teologia da Substituição.

O que é Teologia da Substituição?

Conhecida também por “supersessionismo”, a Teologia da Substituição ensina que a Igreja substituiu Israel no plano de Deus — pregando que Israel não é mais o “povo escolhido”. Na opinião do escritor, "essa é uma teologia infame, que não tem base bíblica”. 

Para os adeptos dessa teologia, todas as promessas feitas a Israel serão cumpridas na Igreja cristã e muitas profecias foram espiritualizadas ou alegorizadas. Há várias denominações que pregam, hoje em dia, que a Igreja é o novo Israel de Deus

A partir disso há muitos questionamentos, como por exemplo, a sobrevivência sobrenatural do povo judeu ao longo dos últimos 2 mil anos e como Israel reapareceu como nação no século XX.

“Além disso, os capítulos 9, 10 e 11 do livro de Romanos não fariam o menor sentido dentro da Teologia da Substituição, já que lá diz que os gentios foram enxertados na oliveira [simbologia para o povo de Israel]”, mencionou.

Quanto aos milhares de judeus messiânicos — aqueles que confessaram Jesus — verão as profecias se cumprindo em suas vidas como Israel físico e espiritual. 

Assista:

Relacionamento entre Igreja gentílica e o Judaísmo

O que realmente levou os cristãos a se afastarem de Israel? “Quando escrevi o livro pensei em fazer uma ponte histórica para entender como os cristãos tiveram essa parcela de culpa na separação das nossas raízes”, disse o escritor. 

Citando os crimes hediondos contra Israel e tendo como base a Bíblia e a literatura rabínica, Getúlio acredita que o relacionamento que há entre a Igreja gentílica e o povo de Israel não é o ideal planejado por Deus.

Mas, o bom relacionamento não é adquirido através de igrejas judaizantes, como se vê na atualidade. “Tem cristãos usando talit [xale de seda usado nas orações judaicas] e tocando shofar [instrumento musical feito de chifre de animal]”, citou Getúlio ao dizer que isso não é necessário para se aproximar de Israel. 

Sobre os 144 mil judeus

Conforme o hebraísta, a profecia sobre os 144 mil judeus é um mistério difícil de ser desvendado, porém ele acredita que este número é literal. 

“A Bíblia diz que será um remanescente, 12 mil de cada tribo. Mas não sabemos quem faz parte, por exemplo, das 10 tribos perdidas”, citou.

Ele explica que qualquer um de nós pode fazer parte disso sem saber. “Eu posso ser um judeu do remanescente dessas dez tribos. Só Deus sabe. O que sabemos é que essas pessoas vão testemunhar um tempo de dificuldades”, disse.

O escritor admite que há várias interpretações sobre o tema, portanto, é preciso haver flexibilidade nas ideias e opiniões. “Nós temos uma ideia do que significa esse número, mas não podemos afirmar nada”, enfatizou. 

Os cristãos deveriam comemorar as festas judaicas?

Getúlio explica que as festas judaicas são comemoradas em tempos definidos a fim de mostrar o plano de redenção para toda a humanidade, incluindo Israel. Ele aproveita a oportunidade para esclarecer que “Israel não é melhor e nem pior, é apenas a nação primogênita”. 

Como se sabe, até os dias de hoje, os judeus comemoram as festas citadas na Bíblia. Os cristãos também deveriam comemorar? “Por que não? A Igreja se paganizou ao longo da história comemorando datas que não estão ligadas ao calendário bíblico”, apontou. Ele diz que é possível que os cristãos não sejam tão ligados às festas judaicas por preconceito. 

Países que apoiam Israel serão abençoados?

Continua valendo o que a Bíblia diz sobre bênção e maldição sobre os povos conforme o tratamento com Israel? “Abençoarei os que o abençoarem, e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem.” (Gn 12.3) 

Funciona assim nos dias de hoje? O hebraísta diz que a profecia se cumpre até os dias de hoje tanto no nível individual quanto no nacional. “Eu acredito nisso por uma questão de fé. A Bíblia diz que as nações subirão durante a Festa dos Tabernáculos para adorar ao Senhor em Israel, a partir de Jerusalém”, disse após citar o livro de Zacarias. 

Ele finaliza lembrando da profecia bíblica em Mateus 25.32-33: “As ovelhas serão colocadas à direita e os bodes à esquerda. Não se trata de um julgamento individual, pois o texto se refere às nações”, frisou. 

Segundo o autor, há muitas formas de abençoar Israel e uma delas é orando. A Igreja precisa fazer a sua parte, em todos os lugares”, concluiu.

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