Primeiro-ministro da Austrália cita a Bíblia ao introduzir leis de liberdade religiosa no país

Em seu discurso, ele disse que nenhum cristão deveria ser “cancelado” por causa de sua fé.

Fonte: Guiame, com informações de DailymailAtualizado: terça-feira, 30 de novembro de 2021 17:57
Primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison. (Foto: Wikimedia Commons)
Primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison. (Foto: Wikimedia Commons)

Scott Morrison, primeiro-ministro da Austrália, citou a Bíblia em seu discurso onde falava das novas leis da liberdade religiosa no país. Na última quinta-feira (25), ele citou Efésios 4.

Enfatizando que “religião e fé também têm a ver com humildade e vulnerabilidade. É sobre amor. É sobre compaixão. Trata-se de falar a verdade em amor, como dizem as Escrituras”, disse.

Ele também falou da importância de dar às escolas religiosas liberdade de contratar apenas professores da mesma religião. Depois destacou que “os australianos estão muito focados na cultura do cancelamento”. 

Sobre o novo projeto de lei

Morrison, que é cristão, raramente fala sobre sua fé em público, embora já tenha sido visto cantando na igreja em que frequenta — Horizon, em Sutherland, Sydney.

O primeiro-ministro disse que o projeto de lei apresentado “visa proteger as pessoas de fé da discriminação com base em sua religião, na vida diária, incluindo trabalho, educação, compra de bens e serviços e acesso à acomodação”. Ele teve o apoio de dezenas de políticos.

Ele disse ao Parlamento: “Um sikh [seguidor do sikhismo] não deve ser discriminado por causa do turbante que usa. Nem o maronita [membro da Igreja Siríaca] por causa da cruz no pescoço. Nem um funcionário muçulmano que guarda aquele tapete de oração na última gaveta de sua mesa no trabalho. Nem um casal hindu que quer alugar uma propriedade. Nem uma escola judaica, procurando empregar alguém de sua religião, caso essa seja a fé de sua preferência e a política declarada de sua escola”, declarou.

Resumindo, o projeto de lei visa garantir às pessoas que não sejam perseguidas por expressarem moderadamente uma crença razoável. “O que poderia ser mais justo do que isso?”, o primeiro-ministro questionou.

O que pode mudar com a nova lei

A  lei protege o direito existente das escolas religiosas de contratar funcionários com base em sua fé, desde que digam publicamente que querem apenas professores dessa religião. 

Possivelmente, haverá contestações, já que o projeto pode anular as novas leis propostas no estado de Victoria. Além disso, o projeto pode permitir que locais de culto recusem o casamento de pessoas com o mesmo sexo.

“O projeto de lei garante que as pessoas não sejam perseguidas por expressarem moderadamente suas opiniões”, disse a procuradora-geral Michaelia Cash, em entrevista à Vision Christian Radio.

“Uma declaração de fé não é discriminação sob qualquer lei anti-discriminação australiana. Isso é muito saber”, ela continuou.

O entrevistador e ministro Neil Johnson disse ao procurador-geral que os comentários sobre Jesus, se referindo ao casamento entre um homem e uma mulher, serão protegidos.

Preocupação do público LGBT

A Equality Australia — associação que dá apoio ao movimento LGBT no país — manifestou sua preocupação no sentido em que o projeto de lei eliminasse as proteções antidiscriminação existentes, inclusive com base na orientação sexual e identidade de gênero.

Por exemplo, a organização temia que um chefe, colega, professor ou prestador de serviço pudesse ser protegido por dizer certas coisas, incluindo que é pecado ser gay.

O representante do movimento disse que o propósito da “cláusula polêmica” que protege as declarações de crenças seria “permitir que as pessoas digam, escrevam e comuniquem coisas que hoje podem ser discriminatórias”.

E a cláusula que impedia os empresários de demitir trabalhadores que fizessem declarações de fé que ofendiam terceiros foi removida. Essa cláusula ficou conhecida como 'cláusula Folau' depois que a Rugby Australia demitiu Israel Folau, por dizer que os gays irão para o inferno, em seu Instagram.

Morrison descreveu a lei proposta como um “escudo, não uma espada” para proteger as liberdades religiosas. O Partido Trabalhista disse que apóia a liberdade religiosa e que examinará o projeto com mais detalhes antes de formar uma opinião. Se for aprovado na Câmara, o projeto será encaminhado para a análise do Senado. 

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