Impor limite aos filhos, hoje, é parte da formação moral deles para amanhã

Se está difícil filtrar a influência que seus filhos recebem, o que fazer para garantir a eles uma boa formação moral?

Fonte: Guiame, Marisa LoboAtualizado: sexta-feira, 12 de novembro de 2021 15:36
(Foto: Public Domain)
(Foto: Public Domain)

O trabalho de educar crianças e adolescentes no mundo atual é completamente diferente de algumas décadas atrás. Entender isso é de extrema importância para os pais que desejam garantir uma boa formação moral, psicológica e até física para seus filhos no futuro, e nesse aspecto o conceito de uma palavrinha faz toda a diferença: limite!

O que mudou em relação ao passado? São muitas diferenças, mas a principal, podemos assim dizer, é que a educação familiar atualmente sofre com a extrema competitividade dos meios de comunicação, os quais se tornaram altamente acessíveis a ponto dos pais terem muita dificuldade para conseguir filtrar o que chega aos olhos e ouvidos das crianças.

No passado não existia essa competitividade em nível tão intenso. A educação dos pais era centrada na autoridade da família. A escola, por exemplo, era um ambiente de reforço da educação transmitida pelo pai e pela mãe, e não de desconstrução. Vizinhos, a mídia e os formadores de opinião em geral endossavam a responsabilidade da família sobre a disciplina das crianças, o que já não é tão defendido no mundo atual.

Limite: uma medida crucial

Se está difícil filtrar a influência que seus filhos recebem, o que fazer para garantir a eles uma boa formação moral? A resposta está na imposição correta de limites, o que significa saber o momento certo de aplicá-los, bem como pelos motivos certos. A maioria dos pais sofre com filhos adolescentes, por exemplo, porque não aplicaram corretamente os limites necessários durante a primeira e segunda infâncias.

Não confunda limites com meras proibições. Impor limites não é só dizer "sim" ou "não", "pode" ou "não pode". O ser humano é um ser guiado pela compreensão das coisas e isso não é diferente com as crianças. Os seus limites, portanto, precisam fazer sentido, mesmo que incompreensíveis num primeiro momento por questão de imaturidade.

Por que uma criança não deve usar o celular precocemente, ou assistir TV por horas seguidas? Por que não deve se entupir de doces, dormir muito tarde ou comer na frente do computador?

São exemplos de situações que devem ser trazidas para ela na forma de limites, mas sempre aliados a uma explicação, pois quando a limitação faz sentido em sua mente, é muito mais fácil obedecer. Evite, portanto, respostas como “não, porque não”!

Por que isso é tão importante?

Quando os pais aplicam corretamente, e no momento hábil, os limites aos filhos, estão fazendo com que eles desenvolvam várias habilidades, entre as quais podemos destacar a capacidade de lidar com frustrações futuras e o saber ouvir e respeitar quem exerce autoridade sobre a sua vida, extraindo disso padrões morais que servem, também, como referência comportamental.

Isso acontece porque, diferente do que alguns imaginam, quando a criança aprende a reconhecer os seus limites e a importância que eles têm, elas se sentem mais seguras emocional e psicologicamente. Essa segurança, no futuro, se converte em confiança na autoridade dos pais.

Os filhos, à medida que vão amadurecendo, também vão entendendo melhor o sentido dos "padrões morais" que receberam dos pais (os limites!), e é isso o que garante a eles a capacidade de resistir à influência agressiva do mundo contra esses valores.

É por isso que a Bíblia ensina, em Provérbios 22:6: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” 

Por fim, sei que esse não é um tema fácil para muitas famílias, especialmente porque cada uma possui o seu próprio contexto. É tudo mais difícil, por exemplo, quando lidamos com pais divorciados, ou com filhos cuja educação é dividida com terceiros, como avós e outros parentes.

Foi pensando nisso que escrevi um livro chamado "Limites: o caminho para o equilíbrio emocional dos seus filhos", pois é impossível abordar com profundidade o tema em apenas um artigo. Em todo caso, se dedicar na execução da tarefa de educar e buscar mais informações a esse respeito é o primeiro passo, e se você leu esse texto até o final significa que já sabe por onde começar.

Por Marisa Lobo é psicóloga, especialista em Direitos Humanos, presidente do movimento Pró-Mulher e autora dos livros "Por que as pessoas Mentem?", "A Ideologia de Gênero na Educação" e "Famílias em Perigo".

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: O que a batalha cultural tem a ver com a espiritual?

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