Ponto de vista

Começamos a criar teorias sobre o sujeito e na maioria das vezes, a teoria é ruim.

Fonte: Guiame, Mariana MendesAtualizado: quinta-feira, 21 de outubro de 2021 15:46
(Foto: Canva)
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Vou me mudar de casa. Vou me mudar de cidade. E nesse meio de tempo, quem está tirando todas as medidas da casa nova é meu noivo, porque ele mora perto do apartamento e eu estou bem longe. Tento explicar as medidas que preciso por telefone. Elas estão claras na minha cabeça e explico com a certeza de que só há uma forma de entender o que estou falando. Porém, parece que na primeira explicação deu errado, na segunda também e meu noivo, Leandro, não conseguia entender o que eu queria. Então fizemos uma chamada de vídeo. E ele me mostrou o que estava entendendo do meu pedido. E quer saber? Era algo totalmente diferente, mas era exatamente o que eu tinha pedido. A forma como eu falei poderia ser interpretada de maneiras diferentes.

Era uma questão de ponto de vista, na minha cabeça a situação era uma e na dele outra, mesmo a explicação sendo a mesma. Sabe do que me lembro nessas horas? Eu e você nunca sabemos o outro lado da história, caso ninguém nos apresente.

Alguém é grosso com a gente, alguém esquece do nosso aniversário, alguém esquece de desmarcar um compromisso com você e desaparece, alguém para de te mandar mensagens, alguém fica estranho do nada... Enfim, posso encontrar diversas situações e te dizer, no geral, qual nossa primeira reação a tudo isso: criticar. Começamos a criar teorias sobre o sujeito e na maioria das vezes, a teoria é ruim, a pessoa é culpada, é sem coração, é sem noção e por aí vai; nossa tendência é procurar o pior de cada um. E, sejamos honestos, vez ou outra temos razão.

No entanto, e ouso dizer que a porcentagem é bem maior, muitas vezes estamos errados. Muitas vezes, do outro lado, tem alguém que recebeu uma notícia ruim, a mãe está com câncer, os pais vão se separar, ela perdeu o emprego, o casal não pode engravidar, a bolsa da faculdade não deu em nada, um quadro depressivo apareceu e por aí vai... Nós nunca saberemos o que esperar do outro, nós não lemos mente, não conhecemos o secreto e a intimidade de todos, como então podemos tirar conclusões precipitadas?

O que fazer então? Tenho um conselho pra mim e pra você. Seja gentil. Gentileza nunca é demais. Se a pessoa realmente estiver sendo apenas ruim, a gentileza pode quebrantar seu coração, pode transformá-la e mudar sua vida; e se a pessoa estiver passando por um momento difícil, a gentileza tornará, nem que por um breve momento, as coisas mais fáceis e mais suaves, sua gentileza pode trazer um sorriso que havia se perdido e uma esperança que estava a ponto de morrer. A gentileza é o exagero que podemos cometer. Lembre-se, o ponto de vista do outro, pode não ser o seu, então seja gentil.

Por Mariana Mendes, escritora e estudante de Letras. Trabalha com mídias sociais e fundou o canal EntreLinhas. Filha do Pai e filha de pastor. É apaixonada por ver a rotina com novos olhares.

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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