Obrigação de ser feliz

Prefeito francês decretou a todos os cidadãos da cidade a “obrigação” de serem felizes por uma semana.

Fonte: Guiame, Edmilson Ferreira MendesAtualizado: quinta-feira, 26 de setembro de 2019 19:59
(Foto: Getty)
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Que a gente vive na geração da frase fácil e pronta “Eu nasci pra ser feliz”, eu já sabia. Mas semana passada fui surpreendido por uma novidade. Agora as pessoas têm a obrigação de serem felizes. Pelo menos numa cidadezinha no oeste da França. E não vem ao caso os tipos de infelicidades que se esteja vivendo, ser feliz é o que deverá definir a vida dos cidadãos, uma vez que lá, ser feliz é uma obrigação.

E como é isso exatamente? Vou te explicar. Um prefeito sem partido político de Essarts-em-Bocage, publicou um decreto municipal oficial sobre a semana de 5 a 11 de outubro, durante a primeira edição do festival de música “Cidade Feliz”, no qual decretou a todos os cidadãos da cidade a “obrigação” de serem felizes por uma semana.

Na dita semana ficam proibidos na cidade músicas e livros tristes e que tenham finais infelizes, pois uma emoção negativa se espalha numa velocidade incontrolável, causando devastação na alma e, para piorar, quando chega o outono, o risco do aumento do mau humor é muito grande. Assim, com argumentos como esses, o prefeito ainda pede que não seja permitido a entrada no território deles de qualquer pessoa que demonstre um mínimo risco de impedir as expressões de felicidade pela cidade.

Não tenho informações se a população topou embarcar no decreto do prefeito. Até porque, bem, é uma obrigação! Ou seja, não queremos saber se você é ou não feliz, se está ou não feliz, te vira com sua infelicidade, porque por uma semana sua obrigação é a de ser feliz. Tenho minhas dúvidas se uma questão tão profunda será solucionada por decreto, no entanto...

Romanos 8 é o chamado capítulo dos gemidos na Bíblia. Lá encontramos a criação gemendo, a igreja gemendo e o Espírito Santo gemendo. Cada um tem sua dor exposta por Paulo. Cada um sofre com seu particular gemido inexprimível. Nos versos finais é quando Paulo começa uma série de perguntas retóricas: “Que diremos pois a vista de todas essas coisas?”.  Cada pergunta já tem em si a resposta. A vida, nestes tempos de tantos gemidos, simplesmente não é fácil, traz em seu pacote todo tipo de infelicidade, afirma o apóstolo.

Ao final do capítulo, no entanto, Paulo declara qual a segurança que podemos ter no sentido de vivermos uma felicidade verdadeira, apesar de tudo. Com palavras certeiras ele nos oferece consolo frente a tantas lutas e adversários: “Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores por meio de Cristo Jesus!”. Gosto da palavra “vencedores”, afinal é o sonho de todos nós, o momento da vitória, celebrar conquistas, poder afirmar que valeu a pena toda luta. Perceba, a solidez da felicidade está numa pessoa, está numa jornada ao lado dEle.

Tal jornada só tem valor quando feita voluntariamente, uma vez que seguir a Cristo sempre será um ato de fé, jamais uma obrigação, pois sem fé é impossível agradar a Deus. Não dá pra ser feliz por imposição ou decreto, a conta das emoções e demandas da alma simplesmente não fecha. É preciso mais, é preciso o transcendente. E o transcendente que morreu por mim para garantir minha felicidade foi Um só. O Único que vive e voltará. Por agora caminho com Ele. Neste tempo sou feliz com Jesus, meu Senhor.

Edmilson Ferreira Mendes é teólogo. Atua profissionalmente há mais de 20 anos na área de Propaganda e Marketing. Voluntariamente, exerce o pastorado há mais de dez anos. Além de conferencista e preletor em vários eventos, também é escritor, autor de quatro livros: '"Adolescência Virtual", "Por que esta geração não acorda?", "Caminhos" e "Aliança".

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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