Existem “mansões celestiais” para a nossa morada no céu? Entenda o termo bíblico

Texto dentro do contexto.

Fonte: Guiame, Cris BeloniAtualizado: quinta-feira, 25 de novembro de 2021 11:51
(Imagem Creative Commons)
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“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar”. (João 14.1,2)

Muitos questionam sobre o lugar que será preparado por Deus para nossa “morada no céu”. Dependendo da Bíblia, a tradução da palavra grega “meonot” ou “moné” (transliterado para o português) admite outros significados além de morada: habitação não temporária, alojamento, residência, casa, lar, aposento, quarto e até mansão.

Quem esclarece esse termo é o hebraísta e escritor Getúlio Cidade dizendo que o termo completo é “rabim meonot”, ou seja, muitas habitações. “É a mesma palavra hebraica moderna para ‘creche’. Então, o sentido de mansão existe apenas no grego, embora pareça mais limitado”, ele explicou.

Muitos deram preferência à palavra “mansão” por influência da Bíblia King James, mas o hebraísta enfatiza que Jesus simplesmente comunicou que “não falta lugar no céu para os que desejam permanecer Nele”

Morada simbólica ou literal?

Seja morada, casa ou mansão, a questão é se o termo é literal ou simbólico. Será que existem casas no céu? Será que vamos precisar de um lugar para nos abrigar?

Essa é uma questão muito polêmica, afinal, para que servem as nossas casas na terra? Para nos proteger do frio ou do calor, para guardarmos nossos pertences, para termos segurança e também conforto.

Então, qual seria a utilidade de uma casa no céu? Já que não haverá preocupação com temperatura e nem teremos um corpo físico. Não vamos precisar mais guardar roupas e objetos, já que estaremos no mundo espiritual. E nem vamos precisar trancar portas e acionar alarmes, já que no céu não haverá ladrões.

Possivelmente, a morada a que Jesus se refere seja algo totalmente diferente do que imaginamos. Veja o que Paulo explica em sua carta aos coríntios quando fala da natureza física e da espiritual:

“Há corpos celestes e há também corpos terrestres; mas o esplendor dos corpos celestes é um, e o dos corpos terrestres é outro. Um é o esplendor do sol, outro o da lua, e outro o das estrelas; e as estrelas diferem em esplendor umas das outras. Assim será com a ressurreição dos mortos. O corpo que é semeado é perecível e ressuscita imperecível; é semeado em desonra e ressuscita em glória; é semeado em fraqueza e ressuscita em poder; é semeado um corpo natural e ressuscita um corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.” (1 Coríntios 15.40-44)

Segundo a Bíblia, o corpo que temos hoje foi feito do pó e ao pó voltará, conforme Gênesis 3.19. Mas, veja o que Paulo ainda diz em sua segunda carta aos coríntios:

“Sabemos que, se for destruída a temporária habitação terrena em que vivemos, temos da parte de Deus um edifício, uma casa eterna no céu, não construída por mãos humanas. Enquanto isso, gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação celestial, porque, estando vestidos, não seremos encontrados nus. Pois, enquanto estamos nesta casa, gememos e nos angustiamos, porque não queremos ser despidos, mas revestidos da nossa habitação celestial, para que aquilo que é mortal seja absorvido pela vida. Foi Deus que nos preparou para esse propósito, dando-nos o Espírito como garantia do que está por vir. Portanto, temos sempre confiança e sabemos que, enquanto estamos no corpo, estamos longe do Senhor. Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos. Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor”. (2 Coríntios 5.1-8)

A habitação temporária é o nosso corpo físico

Segundo Paulo, a “habitação terrena” que pode ser destruída, é o nosso corpo físico. Os comentários da Bíblia de Estudo NVI explicam que a habitação eterna provida por Deus é retratada como algo que o cristão veste — uma roupagem de um corpo que foi despido pela morte, mas vestido pela vida.

E por fim, veja como a Bíblia em Linguagem Contemporânea — A Mensagem — usa o termo “tenda” para também descrever essa habitação:

“Por exemplo, sabemos que quando o nosso corpo se desfizer, como uma tenda desmontada, será substituído por um corpo de ressurreição no céu — feito por Deus, não por mãos humanas — e nunca mais teremos de montar nossas ‘tendas’ outra vez. O desejo de mudar às vezes é tanto que choramos de frustração. Em comparação com o que está por vir, a vida aqui se parece com a estada numa cabana caindo aos pedaços! Já estamos cansados disso! O que temos é apenas um vislumbre da verdadeira realidade, nosso verdadeiro lar, nosso corpo ressuscitado! O Espírito de Deus nos dá uma pitada desse sublime, dando-nos um gostinho do que está por vir. Ele põe um pouco do céu em nosso coração para que nunca desejemos menos que o céu. É por isso que vivemos alegres. Vocês não ficarão vendo as coisas de cabeça baixa! As circunstâncias desfavoráveis não irão os abater. Ao contrário, elas apenas nos fazem lembrar do glorioso futuro que nos aguarda mais adiante. É por isso que confiamos naquele que nos mantém caminhando, mesmo que não o vejamos. Acham que alguns buracos na estrada ou algumas pedras no caminho irão nos parar? Quando chegar a hora, estaremos prontos para trocar o exílio pelo nosso verdadeiro lar”. (2 Coríntios 5.1-8)

E esse foi o estudo desta semana. Espero que tenha tirado a sua dúvida e também colaborado para o seu crescimento espiritual. Beijo no coração e até a próxima, se Deus quiser!

Por Cris Beloni, jornalista cristã, pesquisadora e escritora. Lidera o movimento Bíblia Investigada e ajuda as pessoas no entendimento bíblico, na organização de ideias e na ativação de seus dons. Trabalha com missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análise de textos bíblicos.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Jesus disse: “Deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos”. Entenda o contexto

 

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