Vigília pelo fim do aborto em frente a hospital em SP é impedida por grupo de mulheres

As vigílias da campanha 40 Dias pela Vida acontecem em frente a hospitais, praças ou casas legislativas no Brasil.

Fonte: Guiame, com informações do G1Atualizado: quinta-feira, 23 de setembro de 2021 18:16
A organizadora da ocupação, Daniela Abade e, ao fundo, cristãos da campanha surpreendidos. (Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1)
A organizadora da ocupação, Daniela Abade e, ao fundo, cristãos da campanha surpreendidos. (Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1)

A campanha internacional “40 Dias pela Vida”, que promove vigílias de oração e jejum pelo fim do aborto, começou no Brasil nesta quarta-feira (22). Os participantes estarão nas ruas de Brasília, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo até 31 de outubro. 

As vigílias acontecem em frente a hospitais, praças ou sedes do Legislativo das quatro cidades. “Temos a frase ‘ore pelo fim do aborto’, que usamos nas placas. E realizamos a vigília pacificamente, orando e fazendo penitência”, disse Fátima Mattos, coordenadora da campanha no Rio de Janeiro, ao ACI Digital.

O movimento pacífico, no entanto, foi impedido por um grupo pró-aborto na região central de São Paulo, na manhã de quarta-feira. A vigília aconteceria em frente ao Hospital Pérola Byington, mas ao chegarem lá, os cristão se depararam com um grupo a favor dos direitos das mulheres.

Sabendo dos planos da campanha cristã, o grupo se antecipou e obteve uma autorização da Subprefeitura da Sé para ocupar o local por 40 dias e realizar a "Primavera da Solidariedade", promovendo atividades como aulas de yoga e xadrez, exposição de arte e distribuição de alimentos.

De acordo com o G1, que rotulou os manifestantes cristãos de “extremistas religiosos”, o grupo cristão informou nas redes sociais, por volta das 12h, que tinha mudado o local da vigília. “Não iremos ficar sem a vigília. Continuaremos em oração”, publicaram.

A vereadora Erika Hilton (PSOL) foi quem articulou com a prefeitura a autorização para o evento do grupo pró-aborto. Ela esteve na Praça Pérola Byington e criticou a ação dos cristãos, alegando que eles estão ali numa tentativa de “constranger mulheres”.

“Nós não podemos tolerar nem tratar como natural que grupos religiosos queiram se colocar acima da lei. A lei não está para ser discutida, ela está para ser cumprida, ela precisa ser cumprida. Não pode ser confundida com ideologia, com crença, com opinião. Lei é lei”, disse ela ao G1.

Missão por trás da campanha: salvar vidas

No Brasil, o aborto é permitido apenas se a vida da mulher estiver em risco, quando a gestação é resultante de um estupro ou se o feto for anencefálico. Fora destas três situações, o procedimento é crime.

O coordenador da campanha em São Paulo, Ricardo Henrique Gomes, explica que o Pérola Byington foi escolhido como alvo da campanha por ser hospital referência na prática do aborto na cidade.

“Nosso objetivo é realizar uma campanha pacífica e rezar, a fim de promover um impacto espiritual”, disse Ricardo Henrique. 


Grupos protestam a favor e contra o aborto em frente ao Hospital Pérola Byington. (Foto: Reprodução/Instagram)

Em São Paulo, a campanha já aconteceu anteriormente nos anos de 2016 e 2019. Ricardo Henrique conta que, em edições anteriores, houve casos de mulheres que buscaram apoio e desistiram do aborto. “Nós, então, temos que dar um direcionamento para órgãos competentes, associações de apoio psicológico, social. Nós queremos salvar as duas vidas”, afirmou.

Campanha nasceu nos EUA

A campanha 40 Dias pela Vida surgiu em 2007 no Texas (EUA) a fim de orar pelo fim do aborto. A cada ano ocorrem duas edições: uma no período da quaresma e outra no início da primavera, nas mesmas datas em todo o mundo.

O Brasil participa desde 2014 da campanha, que não é vinculada a nenhuma igreja.

Segundo o presidente de 40 Dias pela Vida, Shawn Carney, o impacto da campanha tem sido significativo, envolvendo a participação de mais de mil comunidades cristãs e 1 milhão de voluntários de fé, “que impactaram a sua realidade local”.

Além disso, mais de 110 centros de aborto foram fechados e mais de 19 mil bebês e mamães foram salvos, informou Carney.

Para as pessoas que não podem comparecer presencialmente, a organização pede apoio em oração: “Nós precisamos interceder pelas duas vidas e trazer à tona a verdade sobre os males e sequelas deixados pelo aborto em tantas mulheres e em tantas famílias, e também falar do valor e da dignidade de cada vida humana”, destaca Fátima Mattos.

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