“Submissa, não!”: Voto em casamento viraliza e resgata debate sobre submissão na Bíblia

A noiva Inaiã Dias e o diácono Jorge Andrade, que fez o casamento, explicam o contexto da celebração ao Guiame.

Fonte: Guiame, Luana NovaesAtualizado: quarta-feira, 27 de outubro de 2021 15:55
Inaiã Dias durante os votos em seu casamento com Roney Barros. (Foto: Reprodução)
Inaiã Dias durante os votos em seu casamento com Roney Barros. (Foto: Reprodução)

“Prometo cuidar de você, te respeitar, ser submiss… Não!” A interrupção nos votos da noiva Inaiã Dias fez o vídeo de seu casamento viralizar nas redes sociais. Na ocasião, a situação foi leve, espontânea e esclarecida. Na internet, trouxe o debate sobre a submissão à luz da Bíblia.

Enquanto cristãos criticaram a noiva por se recusar a dizer que seria submissa, outros a elevaram como símbolo do feminismo. No entanto, o vídeo que viralizou não estava na íntegra — gerando diversas interpretações. O termo foi esclarecido, os votos prosseguiram e o Guiame conversou com a noiva e o diácono sobre o assunto.

O casamento de Inaiã, de 31 anos, e Roney Barros, de 40 anos, foi celebrado no dia 16 de outubro em um buffet da Zona Sul de São Paulo. O casal é católico, mas por conta das mudanças provocadas pela pandemia, não conseguiu um padre para realizar a cerimônia.

“Não conseguimos conciliar porque o padre faz casamento apenas dentro da igreja. Não é tão fácil conseguir uma data na Igreja Católica e o salão não poderia alterar a data marcada”, explica Inaiã ao Guiame.

Uma de suas amigas, que é evangélica, indicou o diácono Jorge Andrade, de 36 anos, da Igreja Bola de Neve — que costuma ministrar casais e realizar casamentos. Mesmo sabendo que Inaiã e Roney eram católicos, Jorge conta que viu uma oportunidade de celebrar o nascimento de uma nova família e pregar a Palavra de Deus.

“Nos conhecemos e eles sentiram confiança em eu celebrar o casamento”, afirma Jorge ao Guiame. “Respeito muito o Jorge e a religião dele. Vi que ele era um cara bacana e por isso o convidei”, acrescenta Inaiã.


Inaiã Dias se casou com Roney Barros em São Paulo. (Foto: Instagram/Arquivo pessoal)

Na cerimônia, Jorge ministrou o que a Bíblia fala sobre amor e também sobre o papel do marido e da esposa no casamento. No momento dos votos, de forma espontânea, Inaiã se assustou com a palavra “submissa”. 

“Achei a palavra forte no momento, eu nunca tinha escutado. Estávamos extremamente nervosos no dia”, lembra Inaiã, que namorou com Roney por 13 anos até subirem ao altar.

Diante da recusa da noiva em prosseguir com o voto, Jorge explicou o conceito bíblico de submissão: “Submissão não é a mulher ser escrava do marido. É estar sob a mesma missão que ele e manter o casamento com base no amor, na admiração e no respeito”.

Embora o vídeo que viralizou não mostre os acontecimentos seguintes, a cerimônia prosseguiu. “Quando ele explicou que era estar sob a mesma missão, eu disse: ‘Nesse sentido sim’. E aí demos sequência ao casamento. Mas é claro que foi ao ar apenas o corte e viralizou”, explica Inaiã.

O diácono esclarece que na ocasião, todos os convidados e familiares entenderam a explicação e elogiaram. “No final, amigos e familiares me disseram que gostaram da cerimônia por ter sido leve, descontraída e pregando a Palavra com fácil entendimento. Uma tia da noiva até chegou a pedir para eu realizar o dela também”, brinca.

O que a Bíblia diz sobre submissão?

O texto bíblico que menciona a submissão no casamento é Efésios 5:21-27, que diz:

“Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo. Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador.

Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos.

Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável.”

Jorge Andrade explica que há uma grande confusão com o termo devido à sua definição no dicionário em língua portuguesa, mas a origem da palavra é muito mais profunda. “A mulher ser submissa ao marido como ao Senhor, no original grego, significa uma atitude voluntária de ceder, cooperar, assumir responsabilidade”, esclarece. 

“Sendo assim, a mulher não é empregada, escrava ou capacho do marido. Ela está sob a mesma missão do marido de cultivar o casamento no amor e no respeito. Tudo isso será feito porque o marido vai cumprir o papel de dar a vida por sua esposa, como Cristo fez pela Igreja. Então o papel de amar e manter a prática do amor é do marido, em primeiro lugar”, acrescenta o diácono.

Quando ambos entendem a importância de se sujeitar um ao outro, o casamento se torna mais saudável, explica Jorge. “A Palavra de Deus é a fonte e o manual para termos famílias conforme Deus planejou e vivermos a vida em abundância que Jesus promete”.


O diácono Jorge Andrade com os noivos, Inaiã e Roney. (Foto: Instagram/Arquivo pessoal)

“Quando há esse amor prático de ambos, o casamento está firmado na Rocha, que é Jesus. Virão ventos e tempestades, mas essa casa não vai cair (conforme diz Mateus 7:24-25), pois ouviram a palavra e a colocaram em prática”, explica.

Jesus é o maior defensor das mulheres

Jorge Andrade lembra que Jesus Cristo valorizou e deu voz às mulheres em uma época onde isso não ocorria. “Um dos fatos que mostram isso é o caso da mulher que foi pega em adultério e corria risco de ser apedrejada (João 8:1-11). Jesus disse à mulher que ninguém a havia condenado, ele também não, e a chamou para ir e não pecar mais. Essa mulher foi transformada pelo amor dele”, explica.

“Outro fato maravilhoso é que a primeira pessoa a ver Jesus ressuscitado foi uma mulher (Mateus 28:1-10). Ou seja, uma mulher teve a honra de ver o evento mais poderoso dos últimos 2000 anos”, complementa.

Sendo assim, o diácono lembra que “não teria como um Deus — que tanto ama e honra as mulheres — estar de acordo com um relacionamento abusivo, onde a mulher é tratada com subserviência. Muito pelo contrário: ela deve ser amada, cuidada e o marido dar sua vida por ela”, destaca.

Apesar das diversas interpretações, Inaiã e Roney seguem felizes, celebrando sua aliança feita diante de Deus e dos homens. “Eu cresci dentro da Igreja Católica e sei o quão importante é a palavra de Deus”, afirma a noiva. “Respeito muito a igreja evangélica e acho que é isso o que prevalece: o amor, o respeito e a empatia.”

Jorge reconhece a Bíblia como manual para casamentos fortes e um livro que protege as mulheres. “Nós, como conhecedores da Palavra de Deus, temos que pregar a verdade, porque é ela que nos liberta”, finaliza.

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