China testa míssil hipersônico capaz de circular a Terra e deixa mundo em alerta

O teste que foi realizado em agosto foi mantido em segredo e surpreendeu as autoridades americanas.

Fonte: Guiame, com informações de G1Atualizado: quarta-feira, 20 de outubro de 2021 11:49
Foguete Long March 5B decolando do Centro de Lançamentos de Wenchang, na China, em 29 de abril. (Foto: STR/AFP)
Foguete Long March 5B decolando do Centro de Lançamentos de Wenchang, na China, em 29 de abril. (Foto: STR/AFP)

Ao testar um míssil hipersônico com capacidade nuclear que circulou a Terra, a China chamou a atenção de autoridades americanas. O planador estava armado com uma ogiva nuclear e foi lançado por um foguete do tipo Long March.

O míssil circulou a Terra em órbita baixa antes de descer em direção a um alvo, mas errou a meta em cerca de 38 quilômetros, conforme o jornal “Financial Times”.  Mesmo assim, o teste surpreendeu as autoridades americanas. 

O teste que ocorreu em agosto foi mantido em segredo, mas não é novidade que os chineses estão expandindo suas forças nucleares e que há uma grande chance de que estejam planejando “um jogo de arma de fogo”. 

Tecnologia hipersônica

Além de Pequim, os Estados Unidos e a Rússia também trabalham no desenvolvimento de tecnologia hipersônica.

Difíceis de serem rastreadas, as armas hipersônicas em desenvolvimento por estes países são lançadas por um foguete ao espaço — a exemplo das naves utilizadas em missões espaciais. 

Elas voam a cinco vezes a velocidade do som, orbitam a Terra com o próprio impulso e são manobráveis, podendo desviar a rota inicial. Por serem muito mais rápidos que os mísseis normais se tornam mais difíceis de se interceptar


Imagem do teste de míssil hipersônico da Rússia, em 7 de outubro de 2020. (Foto: Dilvulgação/Ministério de Defesa da Rússia/Reuters)

China nega que esteja fazendo testes

A China mostrou mísseis hipersônicos durante uma parada militar, neste ano. Ao ser questionada, na segunda-feira (18), durante uma coletiva de imprensa que o próprio governo chinês organizou para tratar da questão, o país negou que esteja fazendo testes. 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, disse que um teste de rotina foi realizado em julho para verificar diferentes tipos de tecnologia de naves espaciais reutilizáveis.

“Não era um míssil, era uma espaçonave”, disse Zhao. “Os testes são muito importantes para reduzir o custo de espaçonaves”, defendeu ele.

Uma reportagem do jornal Financial Times sobre os testes havia gerado preocupação em Washington, onde as agências de inteligência foram pegas de surpresa. Ao ser confrontado sobre a reportagem, Zhao disse estar incorreta.

 A reportagem, publicada no sábado (16), citou cinco fontes não identificadas que disseram que um míssil hipersônico foi lançado no meio do ano. “O teste mostrou que a China fez um progresso surpreendente em armas hipersônicas e estava muito mais avançada do que as autoridades americanas imaginavam”, dizia o texto do Financial Times.


China mostrou mísseis hipersônicos em uma parada militar, neste ano. (Foto: Getty Images)

Caminhando para uma guerra?

Após a publicação, o congressista americano Mike Gallagher disse que o episódio deveria servir como “chamado à ação” para os EUA. O republicano e membro do Comitê de Forças Armadas da Câmara, disse que se Washington mantiver sua abordagem atual, “perderá uma nova Guerra Fria com a China em dez anos”.

As relações entre os EUA e a China estão tensas, com Pequim acusando o governo do presidente Joe Biden de ser hostil. Outros países ocidentais também expressaram preocupação com as recentes demonstrações de poder militar da China.

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