Mais de 70 pessoas são mortas em Cabul, em ataques de autoria do Estado Islâmico

Depois do duplo atentado próximo ao aeroporto, Joe Biden promete caçar os responsáveis: “Faremos vocês pagarem”.

Fonte: Guiame, com informações de Estadão e ICCAtualizado: sexta-feira, 27 de agosto de 2021 13:31
Mulheres feridas chegam a um hospital após o ataque terrorista, em Cabul, no Afeganistão. (Foto: Wakil Kohsar/AFP)
Mulheres feridas chegam a um hospital após o ataque terrorista, em Cabul, no Afeganistão. (Foto: Wakil Kohsar/AFP)

Dois homens-bomba “se explodiram”, na quinta-feira (26), do lado de fora do aeroporto de Cabul, matando pelo menos 60 afegãos, entre eles algumas crianças, e 13 militares americanos, conforme as últimas notícias.

As duas explosões foram no Portão Abbey, uma das principais entradas do aeroporto de Cabul, e no Hotel Baron, a poucas quadras de distância. 

Famílias que estavam desesperadas, aguardando um dos últimos voos para fugir do país, foram dizimadas em questão de segundos.

Algumas horas depois, o Estado Islâmico (EI) usou uma conta no Telegram para assumir a autoria dos atentados. Na Casa Branca, o presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu caçar e punir os responsáveis.

O dia 26 de agosto foi considerado “o dia mais mortal para as forças americanas”, no Afeganistão, desde agosto de 2011. 


Soldado talibã vigia local onde dois homens-bomba cometeram atentado suicida. (Foto: Wakil Kohsar/AFP)

Retomada dos voos de evacuação

Nesta sexta-feira (27), foram retomados os voos, com extrema urgência, para a evacuação das pessoas que desejam deixar o Afeganistão. 

Moradores de Cabul disseram que vários aviões já decolaram pela manhã, enquanto imagens compartilhadas por um correspondente da TV local “Tolo” mostraram a multidão ansiosa do lado de fora do aeroporto.

Em discurso, Biden culpou a afiliada do grupo do Estado Islâmico no Afeganistão (Isis-K), que é muito mais radical do que os militantes do Talibã. “Vamos resgatar os americanos, vamos retirar nossos aliados afegãos e nossa missão continuará”, afirmou o presidente.


Equipe médica socorre os feridos após duas explosões no aeroporto de Cabul, nesta quinta (26). (Foto: Wakil Kohsar/AFP)

Novas tentativas de ataque são esperadas

Os EUA afirmam que, antes do final do prazo de 31 de agosto, é possível que haja novas tentativas de ataques durante a saída das tropas estrangeiras, de acordo com informações do Estadão. 

“Aos que executaram esse ataque, não perdoaremos nem esqueceremos. Caçaremos vocês e faremos vocês pagarem”, disse o presidente americano durante um pronunciamento na Casa Branca, no qual chamou os americanos mortos de “heróis”.

Biden disse ainda que pediu ao alto comando “planos” para atacar a facção do EI responsável pela ação. “Responderemos com poder de precisão no momento que quisermos e no lugar que escolhermos”, garantiu. 

Mas, Fausto Godoy, que é ex-embaixador do Brasil no Afeganistão, disse que o governo americano está perdido. “Os americanos não fazem a menor ideia de onde se meteram em 2001 e não têm ideia do que será esse período a partir de agora”, comentou ao Estadão. 

O novo regime afegão condenou o ataque e autoridades americanas disseram que não acreditam que o grupo esteja por trás das explosões. Isso coloca os EUA e o Talibã diante de um inimigo em comum.


Médicos e funcionários de hospital atendem homem ferido após as duas explosões. (Foto: Wakil Kohsar/AFP)

Cristãos no mundo todo são chamados a orar

Conforme o International Christian Concern (ICC), uma organização que monitora globalmente a perseguição aos cristãos, após o ataque todos são convocados a orar. 

“Os atentados mostram a brutalidade de grupos extremistas que não têm piedade nem dos afegãos, nem dos cristãos”, disse Jeff King, presidente da ICC. Ele comentou que a situação vai de mal a pior. 

Para Jeff, o ataque aumentou ainda mais as preocupações com a evacuação de cristãos afegãos, pois a comunidade minoritária está sob “ameaça iminente” tanto do Talibã quando do Estado Islâmico. 

“A comunidade cristã do Afeganistão é quase exclusivamente composta de convertidos do Islã”, lembrou. Alguns estimam que a população cristã esteja entre 8.000 e 12.000, tornando-se um dos maiores grupos religiosos minoritários do país. 

A Portas Abertas também pede orações pelo país que ocupa o segundo lugar na Lista Mundial da Perseguição 2021. 

“A situação dos cristãos é precária. Sabemos pela mídia e por fontes locais que o Talibã está indo de porta em porta para eliminar “elementos indesejados’. Os cristãos estão em grande perigo. Clame por sabedoria em como sobreviver em todas as situações”, pediu a organização.

A comunidade cristã permanece em grande parte fechada e escondida dos olhos do público, já que é um dos principais alvos dos jihadistas. 

No Afeganistão, deixar o Islã é inaceitável para os extremistas. Em muitos casos, os cristãos conhecidos devem fugir do Afeganistão ou correm o risco de serem mortos. 

Conforme a ideologia do Talibã, que segue a Sharia (lei muçulmana) o Afeganistão é um país muçulmano e os não-muçulmanos devem se retirar, ou na pior das hipóteses, devem morrer pelas mãos dos terroristas. 

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