Pastor e 10 fiéis de sua igreja são mortos por militantes fulanis em ataque na Nigéria

O líder Silas Yakubu Ali caiu numa emboscada, quando sua moto ficou sem gasolina na estrada. Entre as vítimas, estão duas mulheres grávidas.

Fonte: Guiame, com informações de Open Doors USAAtualizado: quinta-feira, 30 de setembro de 2021 às 13:05
Os cristãos são as últimas vítimas da crescente perseguição violenta no estado de Kaduna. (Foto: Baptist Press).
Os cristãos são as últimas vítimas da crescente perseguição violenta no estado de Kaduna. (Foto: Baptist Press).

O pastor Silas Yakubu Ali é uma das últimas vítimas da crescente perseguição violenta no estado de Kaduna do Sul, na Nigéria. O líder e mais 10 membros de sua igreja foram assassinados em um novo ataque do grupo islâmico Fulani, em setembro.

De acordo com a Missão Portas Abertas dos Estados Unidos, quando o pastor Silas não apareceu para ministrar no culto da Igreja Evangélica Winning All (ECWA) na área do governo local de Zangon Kataf, os fiéis se preocuparam e foram procurá-lo. 

No dia 11 de setembro, os membros encontraram o corpo do pastor, de 55 anos, perto de Asha-Awuce, a menos de um quilômetro de sua casa. O líder caiu numa emboscada e foi morto por radicais fulanis, quando sua moto ficou sem gasolina na estrada, enquanto voltava de uma viagem a outra cidade.

A perseguição violenta contra os cristãos não parou com o assassinato do líder. No dia seguinte, militantes fulanis atacaram a vila Apyizhime Jim na mesma região, matando 10 membros da igreja do pastor Silas. Entre as vítimas, estão duas mulheres grávidas e dois jovens, atacados enquanto trabalhavam numa fazenda.

“Muitas pessoas estão desaparecidas como resultado do ataque”, disse uma fonte local ao Daily Post da Nigéria. “É impossível determinar o número de feridos e mortos, mas até agora, contei 11 cadáveres em locais diferentes esta manhã”.

Nigéria tem 91% dos cristãos mortos no mundo em 2020

Só no estado de Kaduna, entre janeiro e setembro deste ano, cerca de 600 pessoas foram mortas por extremistas, segundo a Nigéria Security Tracker.

De acordo com a Sociedade Internacional para as Liberdades Civis e o Estado de Direito (Intersociety, na sigla em inglês), uma ONG sediada na Nigéria, em apenas 200 dias, cerca de 3.462 cristãos já foram mortos por militantes fulanis e pelo grupo terrorista Boko Haram, no primeiro semestre de 2021.

Além disso, 3 mil cristãos foram sequestrados por grupos islâmicos. Já o número de igrejas ameaçadas, fechadas, destruídas ou queimadas é estimado em cerca de 300, desde janeiro deste ano. Pelo menos dez líderes religiosos (pastores e padres) foram sequestrados ou mortos pelos jihadistas.

Pela primeira vez, a Nigéria entrou para o top 10 da Lista de 2021 da Portas Abertas de países mais perigosos para cristãos. O país africano foi palco para o que se considera um genocídio em andamento, sendo responsável por 91% das mortes de crentes no mundo em 2020. 

“A maior parte desta violência está no norte, na forma de ataques do Boko Haram ou de grupos separados, militantes fulanis e bandidos armados. Mas também está se espalhando para o sul ”, explica o Portas Abertas. 

“Essa violência geralmente causa perda de vidas, lesões físicas e também perda de propriedade. Como resultado da violência, os cristãos também estão sendo despojados de suas terras e meios de subsistência”.

O pastor local Jeremiah*, cuja sua aldeia também foi atacada por militantes fulanis, relata como tem sido ser um cristão na região do Cinturão Médio da Nigéria: “Quando vamos dormir à noite, nunca temos certeza se conseguiremos sobreviver no dia seguinte.

“Pedimos que o governo interviesse, mas eles não fizeram nada. Ainda oramos para [os militantes fulanis] mudarem seus hábitos porque alguns deles foram forçados a isso, enquanto outros endureceram seus corações para fazer este mal. Mas nada é [muito] difícil para Deus”, afirmou.

*Nome alterado por questões de segurança.

 

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