Sergio Renato de Mello

Sergio Renato de Mello

Sergio Renato de Mello é defensor público de Santa Catarina, membro da Igreja Universal do Reino de Deus, colunista Instituto Burke Conservador, autor de obras jurídicas e filosóficas.

Cristãos com espírito socialista

É necessário compreender quem, como e por que religiões foram misturadas à política, além de saber quando essa combinação é benéfica ou não.

Fonte: Guiame, Sergio Renato de MelloAtualizado: quarta-feira, 20 de maio de 2026 às 18:23
(Imagem ilustrativa gerada por IA)
(Imagem ilustrativa gerada por IA)

Em 28 de abril, a Primeira Turma do STF aceitou a queixa-crime da PGR na Pet 15179, processando o pastor Silas Malafaia por injúria.

Malafaia foi acusado por, em 6 de abril de 2025, na Avenida Paulista em São Paulo, atacar os generais quatro estrelas do Exército, chamando-os de “covardes”. A PGR considera as declarações injuriosas e caluniosas, conforme os artigos 140 e 138 do Código Penal, atacando a honra de autoridades públicas.

Questões surgem sobre o processo contra Malafaia e o ativismo religioso.

Preciso esclarecer antes. Mencionei seu caso apenas como exemplo de ativismo político-religioso no Brasil por padres e pastores, sem intenção de acusá-lo ou condená-lo por seus atos conhecidos na política. Certamente.

Atualmente, é mais condenável xingar servidores públicos de alto escalão no Brasil do que na época do Código Penal, especialmente se o agressor pertence à direita conservadora e cristã. A segunda restrição à expressão pública é antipática às liberdades fundamentais. A terceira e mais importante é o espaço do cristão na política e seus objetivos reais.

Citei Silas Malafaia sem fazer juízo, mas há muitos pastores que tratam de Cristo e da instituição com um espírito capitalista, como já notou Max Weber, buscando expandir o Reino de Deus e agindo como investidores.

Democracia ou evangelismo?

O espírito protestante libertou o cristianismo da tradição interpretativa, tornando-o mais ousado e desafiador. Mas o limite dele não pode ser igual ao dos socialistas. O céu está em cima, não embaixo. Não devemos esquecer das Católicas Pelo Direito de Decidir e de outros delírios socialistas.

A questão é saber se quem vota é o cristão ou o cidadão. O diabo criou uma flecha maldita, acusando de pecadores e hereges aqueles que votam para melhorar a cidade terrena em vez de se santificarem para a cidade celestial, originando o mito de que religião e política não se misturam.

É necessário compreender quem, como e por que religiões foram misturadas à política, além de saber quando essa combinação é benéfica ou não.

Cristo sempre teve uma relação negativa com a política. Enfrentou dificuldades. A Igreja Católica nunca apoiou esse ativismo, ciente da inclinação humana para resolver os problemas do mundo. O problema não é a igreja de Cristo, mas a vontade herética de padres e pastores que se deixam influenciar pelo socialismo e romantizam o mundo, ignorando a falibilidade da essência humana.

A Igreja Católica interveio para barrar ou limitar o movimento da Democracia Cristã principalmente no início do século XX, devido ao receio de que o envolvimento político comprometesse a instituição ou afetasse sua estrutura hierárquica.

Os principais momentos de intervenção foram: Encíclica Graves de communi (1901): O Papa Leão XIII interveio para redefinir o termo "democracia cristã". Ele determinou que a expressão não deveria ter sentido político, mas apenas o significado de uma "benfazeja ação cristã em relação ao povo", direcionando o movimento para o catolicismo social em vez da militância partidária; Dissolução da Obra dos Congressos (1905): Já sob o pontificado de Pio X, que demonstrava desconfiança em relação ao envolvimento político dos católicos, a Santa Sé dissolveu essa organização na Itália. A intervenção ocorreu porque a ala democrata-cristã, liderada por Don Romolo Murri, defendia reformas na Igreja e uma maior promoção do laicado, o que era visto como uma ameaça às estruturas hierárquicas; Condenação da imprensa democrata-cristã (1908): Pio X condenou formalmente os jornais franceses ligados ao movimento; Carta sobre o Sillon (1910): O Papa publicou uma carta condenando o movimento francês Sillon, o que travou o avanço da democracia cristã por cerca de uma década. A Santa Sé reprovava a ideia de que a democracia seria uma condição necessária para a missão evangelizadora da Igreja

Cristãos com objetivos sociais devem ponderar. Influenciados pela fé em milagres, estariam sonhando alto, almejando o que socialistas e comunistas desejam por um novo Adão e um mundo igualitário, ou evangelizando para manter o cristianismo? Democracia ou religioso?

No segundo caso, agem por impulso ou têm consciência pela evangelização?

Cristãos socialistas afirmam que há aflições no mundo. Esqueceram da Queda, quando tudo se arruinou? Eliminar a miséria é conversa de político fraudulento para iludir os desesperados.

Outro lembrete importante é sobre o Paraíso e o Céu. O primeiro existiu e foi eliminado. Retornará como Céu. Na espera por ele, há sofrimento e angústia, segundo Kierkegaard.

Ser cristão é seguir os ensinamentos de Jesus Cristo e adotar a fé cristã. Basta enfrentar pautas ideológicas que distorcem o mundo?

Para ser de Cristo, não é preciso nomear os males, pois a verdadeira identidade cristã vai além de palavras e nomes em nossa vã tentativa de dizer o que nossa limitada capacidade mental quer.

Claude Geffré, dominicano, afirma que a vida cristã não é pré-definida. Cristianismo não tem especificidade. Há um gênero cristão. Ele é mais preciso ao afirmar que ser Cristo é não ter forma.

Joseph Folliet distingue Igreja de catolicismo social. A Igreja rejeita o catolicismo fundamentado na ciência ou na técnica social. Cientistas e socialistas não fazem parte da Igreja de Cristo ao usarem a ciência e a política para um catolicismo cultural.

A Igreja de Cristo precisa saber distinguir. Luta política ou luta por Cristo, uma nova Cruzada?

 

Sergio Renato de Mello é defensor público de Santa Catarina, membro da Igreja Universal do Reino de Deus, autor de obras jurídicas e filosóficas, e dos seguintes livros: Fenomenologia de Jornal, O que não está na mídia está no mundo e Voltaram de Siracusa.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Messias rejeitado: Política, ideologia e disputa pelo STF

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