Temor e amor ao Eterno

D’us é nosso Pai e nosso Rei. Devemos amá-Lo como a um Pai, e temê-Lo como a um Rei.

Fonte: Guiame, Mário MorenoAtualizado: segunda-feira, 5 de julho de 2021 17:46
(Foto: Canva)
(Foto: Canva)

Este é um artigo publicado originalmente pelo site do Beit Chabad mas é de uma relevância muito grande e merece ser “republicado” para uma apreciação mais cuidadosa…

Como é possível temer a quem se ama, ou amar a quem se teme, no caso D’us?

RESPOSTA:

O amor a D’us nos motiva a cumprirmos todos os Seus 248 mandamentos positivos (Faça). O amor a D’us é chamado Ahavat Hashem.

O temor a D’us nos guarda de transgredir qualquer um dos 365 mandamentos negativos (Não faça). O temor a D’us é chamado Yirat Hashem.

D’us é nosso Pai e nosso Rei. Devemos amá-Lo como a um Pai, e temê-Lo como a um Rei.

Consta no livro Cohelet: “Para encerrar o assunto, quando tudo o mais foi ouvido: Tema a D’us, e cumpra Seus mandamentos, pois nisso se resume todo o dever do homem.”

Não é estranho que este conselho tenha sido dado pelo maior e mais poderoso rei que jamais viveu – o Rei Salomão? Nunca houve rei mais glorioso e com tanto poder. Governou um grande império, o Reino de Israel. D’us lhe concedeu grande sabedoria, quando aos doze anos herdou o trono de seu grandioso e ilustre pai, o Rei David.

Todos os segredos da Criação lhe foram revelados. Entendia as linguagens de todas as criaturas, animais, pássaros, insetos e árvores. Podia comandar o vento, e espíritos e demônios obedeciam à sua vontade. Sua fama espalhou-se em todos os cantos do mundo. Os reis e governantes mais poderosos vinham das mais distantes partes da terra para escutar sua sabedoria e prestar-lhe tributos.

Consegue-se imaginar um ser humano mais poderoso que o Rei Salomão? Geralmente, quanto mais poder e conhecimento temos, maior a probabilidade de sermos orgulhosos e convencidos. Muito mais de um homem que perdeu a cabeça sob a influência do sucesso e do poder. Alguém assim pode frequentemente esquecer que mesmo ele precisará certo dia acertar as contas perante o Criador, e responder por todas suas ações ao supremo Rei dos Reis. Mas não o Rei Salomão. O mais poderoso de todos os homens vivia em temor, temor a D’us! É ele o autor da citação acima.

Não poderia haver homem mais qualificado para dar-nos este conselho. Ele nos lembra muito Moshê (Moisés), o mais humilde de todos os homens. Moshê tinha muitas razões para ser orgulhoso: D’us o escolhera para tirar Seu povo da escravidão, para receber a Torah da boca de D’us; fizera-o líder da nação, e seu irmão Aharon (Aharão) – o Sumo Sacerdote. Mesmo assim, Moshê foi o mais modesto e humilde dos homens que jamais viveram. Não ficamos impressionados pela modéstia de um homem pobre e insignificante. Mas a humildade de Moshê era certamente maravilhosa de ser contemplada.

Similarmente, não ficaríamos impressionados por uma pessoa fraca e humilde pregando submissão a D’us. Mas é extraordinário ouvir um homem como o Rei Salomão dizer que todo seu poder e riquezas nada significavam para ele e que a única coisa importante é temer a D’us, e somente a Ele.

Como podemos adquirir a grande virtude do temor a D’us? Refletindo constantemente sobre a grandiosa majestade Dele e em Seu poder ilimitado, ao mesmo tempo em que pensamos sobre nossa própria insignificância e poderes limitados.

Consideramo-nos grandes arquitetos: construímos uma ponte maravilhosa, ou um arranha-céu gigantesco. Mas o que representa isso, se comparado ao arquiteto de todo o Universo?

Pensamos ser grandes engenheiros: podemos construir uma máquina para iluminar toda uma cidade! Mas o que é isso, se comparado ao Sol, Criação de D’us, que gera luz, calor e energia para o mundo todo?

Achamos que somos químicos importantes: podemos fazer coisas maravilhosas em nossos laboratórios. Mas, como disse certa vez uma grande cientista, jamais se igualará a construção de uma lâmina de vidro.

Na verdade, somos muito pequenos e insignificantes. Todos nossos poderes são limitados, assim como nossa vida nesta terra é limitada. Mas D’us sabe (onisciente), pode fazer tudo (onipotente) e está em toda parte (onipresente). Tudo que temos Lhe pertence. Ele criou todo o universo, e criou-nos, com um propósito. Este propósito é entender que Ele é nosso Criador e nosso Amo, e que devemos temê-Lo. Temê-lo significa servi-Lo; cumprir Suas leis e mandamentos que nos deu na Torah. Temê-lo significa tentar fazer o possível para sermos justos, honestos e corretos, pois D’us abomina a injustiça, e Ele sabe tudo que fazemos, dizemos e até o que pensamos.

O temor a D’us é o próprio alicerce de nossa existência; sem ele, seríamos como animais na selva. É o primeiro passo em nossa estrada rumo a uma vida decente.

O temor a D’us é a base da vida; sem ele seríamos piores que os animais na selva. É o primeiro passo para uma vida correta e certamente a primeira boa decisão para um ano promissor que agora se inicia.

Baruch ha Shem!

Link original do site: https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1578222/jewish/Devemos-temer-a-Dus.htm.

Por Rav. Mário Moreno, fundador e líder do Ministério Profético Shema Israel e da Congregação Judaico Messiânica Shema Israel na cidade de Votorantim. Escritor, autor de diversas obras, tradutor da Brit Hadasha – Novo Testamento e conferencista atuando na área de Restauração da Noiva.

*O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: A fala e as expressões da alma

Conferência Voz dos Apóstolos - Inscreva-se!
Siga-nos

Comentários

Mais do Guiame