Amor é sorte?

Amor é compromisso, é fé, é confiança, é espera, é submissão.

Fonte: Guiame, Edmilson Ferreira MendesAtualizado: quinta-feira, 10 de outubro de 2019 15:24
(Foto: Crosswalk)
(Foto: Crosswalk)

Passar de fase no vídeo game é emoção reservada para os craques. Os que não dominam o jogo, mesmo assim podem ter esperança, afinal, sempre dá pra treinar e aprender. Até porque, quando se morre no jogo, ainda se pode ter o bônus de algumas vidas para serem usadas! E, caso acabem as vidas, é só começar de novo. E de novo. E de novo. Até conseguir...

As fases da vida, no entanto, não são assim. Não são iguais. Cada um vai ter uma história pessoal. Cada um vem com um kit muito pessoal de temperamento, manias, tentações, jeitos, preferências, ansiedades, bondades, maldades. Alguns saem rápido de fases duras, outros estacionam dando a impressão que nunca sairão de tais fases e, quando finalmente saem, saem machucados, feridos, detonados.

É fácil rir dos outros. É fácil julgar os outros. É fácil dar palpite nas escolhas dos outros. “Nossa, você viu o carinha que fulana tá ficando?”, “Mano, e o nosso brother, só pega dragão!”, “Miga, jamais eu namoraria um carinha como aquele!”, “Aquele cara é muito devagar, a mina manda nele!”. O detalhe é que na maioria das vezes essas frases estão corretas. Porém, quando é com a pessoa, quando ela está envolvida num relacionamento, ela simplesmente fica cega, incapaz de ver as ciladas nas quais está se metendo. E ai de quem for falar alguma coisa...

Amor não é sorte. Amor é compromisso, é fé, é confiança, é espera, é submissão. A quem? A Cristo! Somente Ele pode lhe dirigir para a pessoa certa, aquela que se encaixa com você, aquela que tem as características que te completam e que, por outro lado, tem os espaços que somente as suas características poderão completar. Amor, quando refletido a luz da Palavra, se revela um sentimento muito sofisticado, cheio de significados, imprescindível para se viver e, para desespero dos apaixonados, indomável.

É neste labirinto de emoções que cada garoto e garota são chamados para terem domínio próprio, o que, convenhamos, é um comportamento bastante difícil. E a dificuldade não se dá apenas para jovens sonhadores, canso de ver adultos e velhos sem um mínimo de domínio próprio. Em parte, porque esta geração embarcou nos discursos humanistas de que é possível dominar o amor, fazer amor, cometer loucuras por amor, administrar o amor. Até que, cedo ou tarde, cada um vai descobrindo que não é bem assim, pois o amor, como disse, é indomável.

Rita Lee, numa de suas músicas, define muito bem no que acredita esta geração: “Amor é cristão, sexo é pagão. Amor é latifúndio, sexo é invasão. Amor é divino, sexo é animal.” Esta sempre foi a sutileza do diabo, misturar um pouco de verdade com outro tanto de mentira, assim se aproveita a credibilidade da verdade para fazer crer que mentiras podem ser verdadeiras. A verdade está em tudo que a música diz que o amor é, cristão, latifúndio e divino. A mentira fica por conta do que diz sobre o sexo, pagão, invasão e animal.

Verdade e mentira, é assim que o mundo desfigura o sexo e o descola do amor. Basta ver como cresce a prática do sexo casual entre homens e mulheres, ou seja, o mundo pregou e o povo já assimilou como verdade que para praticar sexo não se requer amor cristão, divino e grande como um latifúndio.

Enfim, como amor não é sorte, o caos emocional desta geração não pode ser tachado de azar. Mas sim como fruto de suas escolhas, de comprar mentiras como se fossem verdades, terminando por viver num mar de depressões, síndromes, polaridades, suicídios, burnout, desesperança da própria vida, tensão, medo, morte.

Ou seja, aquele sexo proibido e impublicável no qual você já caiu ou apenas vem sofrendo tentação de praticar, não se trata “só” de um descompromissado sexo proibido. A banalização da prática, a zoeira com o tema, o “meu corpo, minhas regras”, enfim, a soma de todas estas práticas falaciosas nas promessas de felicidade plena, só tem trazido dor, frustração, derrota, fragilidade, vazio, solidão, insignificância.

Neste ponto a pergunta é inevitável: se o amor é indomável e é pouco provável que conseguiremos ter o sonhado domínio próprio, como escapar do erro? No quarto parágrafo deste texto já deixei registrada a resposta: “Amor não é sorte. Amor é compromisso, é fé, é confiança, é espera, é submissão. A quem? A Cristo!”. Entendeu? Só alcançaremos a virtude do domínio próprio quando nos rendermos ao domínio pleno de Cristo sobre as nossas vidas. Só experimentaremos o amor verdadeiro quando nos entregarmos aos cuidados do Deus que é amor. Simples assim, e não é sorte, é fé e obediência Aquele que tudo fez, faz e fará por amor, um inexplicável e imerecido amor.

Edmilson Ferreira Mendes é teólogo. Atua profissionalmente há mais de 20 anos na área de Propaganda e Marketing. Voluntariamente, exerce o pastorado há mais de dez anos. Além de conferencista e preletor em vários eventos, também é escritor, autor de quatro livros: '"Adolescência Virtual", "Por que esta geração não acorda?", "Caminhos" e "Aliança".

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

 

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