Darci Lourenção

Darci Lourenção

Pastora e psicóloga, coach, especialista em Educação, autora dos livros Na intimidade há cura, Viva sem compulsão e A equação do amor. Foi gestora do Núcleo Assistencial Heliópolis, onde implantou diversos programas educativos.

Uma conversa acolhedora pode aliviar o sofrimento

Série “Setembro Amarelo”: Uma conversa acolhedora pode romper o isolamento, aliviar o sofrimento emocional e ajudar quem enfrenta uma crise a encontrar caminhos de cuidado.

Fonte: Guiame, Darci LourençãoAtualizado: sexta-feira, 25 de setembro de 2026 às 15:23
(Imagem ilustrativa gerada por IA)
(Imagem ilustrativa gerada por IA)

Nos artigos anteriores desta série, falamos sobre reconhecer os sinais e aprender a enxergar além do comportamento. Mas perceber que alguém não está bem é só o começo. Em algum momento, será preciso chegar mais perto.

Uma conversa conduzida sem julgamento, com respeito e interesse verdadeiro, pode abrir uma porta importante para quem está enfrentando sofrimento emocional. Precisamos abandonar a ideia de que pessoas que lidam com ansiedade, depressão, esgotamento ou outras questões emocionais é simplesmente “fracas”, “sensíveis demais” ou que apenas precisam “reagir”.

Sofrimento emocional não é falta de força. É sofrimento – e precisa ser acolhido como tal.

A primeira atitude que realmente ajuda é oferecer uma conversa segura, sem julgamento e sem pressa. Em vez de começar dizendo o que a pessoa deveria fazer, experimente perguntar: “Como você está de verdade?”, “Quer conversar sobre o que está acontecendo?” ou “Como posso ajudar você neste momento?”.

Essas perguntas abrem espaço para que a pessoa respire e, se quiser, compartilhe o que está vivendo.

Não compare a dor de alguém com a de outras pessoas e não tente convencê-la de que “não é tão grave assim”. Para quem está sofrendo, encontrar alguém diante de quem não precisa fingir que está bem já traz alívio.

Uma conversa não substitui tratamento, mas pode ser o primeiro passo para que a pessoa reconheça que precisa e pode receber ajuda.

A segunda atitude é ajudar a pessoa a enxergar possibilidades concretas de cuidado. Quando estamos emocionalmente sobrecarregados, encontrar uma saída pode parecer muito mais difícil. Por isso, em vez de apenas dizer “procure ajuda”, podemos perguntar se ela gostaria de conversar com um psicólogo, médico ou outro profissional de saúde e ajudá-la a pensar em como dar esse passo.

Dependendo da situação, também pode ser importante aproximar familiares ou pessoas de confiança, fortalecendo uma rede de apoio ao redor de quem está sofrendo.

Tratamentos psicológicos e, quando necessários, acompanhamento médico não são sinais de fracasso espiritual. Como cristãos, podemos orar e confiar em Deus enquanto reconhecemos o valor dos recursos e profissionais que Ele coloca ao nosso alcance para cuidar da saúde.

A terceira atitude é ajudar a pessoa a recuperar pequenos pontos de sustentação para o agora. Quem está passando por uma crise emocional pode enxergar a própria vida como um grande problema que precisa ser resolvido de uma só vez.

Podemos ajudá-la a pensar no próximo passo possível: não permanecer isolada, retomar aos poucos uma rotina, cuidar do sono e da alimentação, aceitar companhia, manter o acompanhamento profissional e permanecer perto de pessoas que transmitam segurança.

Se surgirem falas sobre desejo de morrer, desaparecer, machucar a si mesma ou a sensação de que não existe saída, a situação exige atenção imediata.

Nesses momentos, não devemos deixar a pessoa sozinha nem assumir que conseguiremos resolver tudo apenas com uma conversa. É preciso mobilizar sua rede de apoio e buscar atendimento profissional ou de emergência.

Há um princípio profundamente cristão nesse tipo de cuidado. Paulo nos orienta: “Levai as cargas uns dos outros” (Gálatas 6:2). Levar a carga não significa tomar para nós a responsabilidade de curar alguém, mas também não significa deixá-lo caminhar sozinho.

Há momentos em que nossa participação será simplesmente ouvir; em outros, será acompanhar alguém até um profissional, chamar um familiar, permanecer por perto ou apenas dizer: “Eu estou aqui e quero ajudar você a atravessar isso.”

Jesus nunca tratou pessoas feridas como inconvenientes ou fracas; Ele se aproximou delas com compaixão e dignidade. Precisamos aprender a fazer isso.

Uma conversa talvez não resolva todo o sofrimento, mas pode romper o isolamento, apontar caminhos e ajudar alguém a perceber que ainda existem cuidado, tratamento, esperança e pessoas dispostas a caminhar ao seu lado.

O Pai ama você!

 

Darci Lourenção (@pra_darci_lourencao) é psicóloga, pastora, coach, escritora e conferencista. Foi Deã e Professora de Aconselhamento Cristão. Autora dos livros “Na intimidade há cura”, “A equação do amor”, “Viva sem compulsão” e “Devocional Minha Família no Altar”.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Escutar é diferente de tentar resolver, mas é o início do processo de acolhimento

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