A ressignificação do casamento

Quando uma das partes se rende, ela para de argumentar e aí estabelece o que é significação, porque permite que algo novo entre.

Fonte: Guiame, Darci LourençãoAtualizado: sexta-feira, 27 de agosto de 2021 16:12
(Foto: Canva)
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A vida a dois é uma das experiências mais confortáveis e desconfortáveis que alguém pode ter. Ela é confortável quando existe o entendimento, de ambas as partes, de que o casal é uma só carne, como diz a Bíblia. É o conforto de saber que a aliança firmada torna possível uma convivência madura – que nem sempre será ´pacífica, pois como se diz o ditado antigo: cada cabeça uma sentença. Mas, a maturidade e a racionalização desse acasalamento e de todos os aspectos que envolvem a vida a dois tornam possível haver um conforto na relação.

Uma coisa importante é o raciocínio, que funciona com fundamentação. Mesmo numa relação sentimento é necessário haver o racional. É esse aspecto que faz com que muitos casamentos sobrevivam. É um aspecto muito forte que, mesmo sem as partes perceberem, garante a permanência do controle da situação nas mãos.

Quando o casal decide permanecer casado – entendendo que o casamento é metade de uma pessoa e metade da outra, e que juntas formam uma só carne – é porque houve a racionalização da relação. Isso acontece quando existe maturidade desse casal. O que geralmente vem com o tempo, vem com os tropeços, com as intempestividades, até com as brigas... É crucial entender que existe o momento de ceder, e isso de ambas as partes. Esse entendimento é uma racionalização. O cérebro decidiu! Quando existe maturidade, existe também a clareza de que nenhuma das partes deve se submeter ao outro sem que sua opinião ou vontade seja sempre desprezada. A maturidade traz o respeito.

Esse tipo de relacionamento ocorre quando o casamento foi ressignificado. As relações podem se perder de seu objetivo inicial. Os sonhos podem se desvanecer com o passar do tempo ao se deparar com as realidades que a vida (a dois) traz. Então, ressignificar é a diferença entre a vida e a morte da relação.

Nesse sentido, quando renunciamos a algo em favor do outro (da relação), morremos um pouco. Mas a maturidade nos faz enxergar que essa morte fará brotar um outro tipo de ganho: ser do outro, estar com o outro, isso só acontece no relacionamento conjugal, quando ocorre o mesmo que com o grão de trigo, que caindo na terra morre, e então germina, a cumplicidade, a amizade...

Quando uma das partes se rende, ela para de argumentar e aí estabelece o que é significação, porque permite que algo novo entre. Isso acontece em demanda com o cérebro, com o racional, com o poder de persuasão de fundamentação. Se ficar tudo no espectro do sentimento, as decisões mais drásticas – as quais o casal na verdade não gostaria de tomar – serão colocadas na mesa de cara.

Quando a pessoa permite que o outro faça, e permite que o coração mude, ela ressignificou. E, numa linguagem espiritual, teve uma experiência de morte. Isso é incrível. Essa morte é a renúncia de uma vontade própria, que chega a doer pela contrariedade, mas que, racionalmente, funcionará como uma gestação de coisas novas, descobertas importantes para que a relação avance. No entanto, só a maturidade do casal (de ambos), assim como as renúncias de ambos, pode dar essa chance uma vida a dois feliz e duradoura. Pensem, juntos, nisso.

“Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne.” Efésios 5: 31 a 33

O Pai ama você!

Por Darci Lourenção, psicóloga, pastora, coach, escritora e conferencista. Foi Deã e Professora de Aconselhamento Cristão. Autora dos livros “Na intimidade há cura”, “A equação do amor” e “Viva sem compulsão”.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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