
Pastora e psicóloga, coach, especialista em Educação, autora dos livros Na intimidade há cura, Viva sem compulsão e A equação do amor. Foi gestora do Núcleo Assistencial Heliópolis, onde implantou diversos programas educativos.

O Brasil passa por uma profunda polarização política, que acabamos acompanhando, de uma forma ou de outra, pelos noticiários e pelas mídias sociais, onde os embates costumam ser ainda mais inflamados.
Agora, às vésperas das eleições, em um cenário marcado por fortes tensões, quero trazer alguns cuidados da saúde mental para atravessar o dia da votação, a apuração dos votos e o resultado das urnas com mais equilíbrio emocional.
Pela perspectiva da Psicologia, no período eleitoral não está em jogo apenas a escolha de um candidato. Também entram em movimento emoções, crenças, valores, experiências pessoais, necessidades de pertencimento e expectativas sobre o futuro.
O eleitor não decide apenas com base nas informações que recebe. Ele também interpreta essas informações a partir de sua história, de sua realidade e daquilo que sente estar ameaçado ou em jogo.
Esse processo pelo prisma da Psicologia, ocorre sem presumir que todos os eleitores vivenciem a eleição da mesma maneira.
O mundo interno do eleitor durante as eleições
1. Emoções: medo, esperança, raiva e ansiedade
A eleição pode despertar esperança de mudança, medo de perder direitos ou estabilidade, indignação, ansiedade diante da incerteza e entusiasmo com uma possibilidade de futuro. Essas emoções participam da formação das opiniões políticas, embora não determinem sozinhas o voto.
2. Identidade: “quem sou eu?”
As posições políticas podem se conectar à identidade pessoal, aos valores, à religião, à profissão e aos grupos aos quais a pessoa sente que pertence. Por isso, uma divergência política pode ser percebida não apenas como diferença de ideias, mas como um questionamento de valores pessoais. Isso varia entre pessoas e contextos.
3. Necessidade de segurança e previsibilidade
Em períodos de incerteza econômica, violência ou instabilidade, algumas pessoas dão maior atenção a propostas que associam à proteção, à ordem ou à continuidade. Outras podem priorizar mudanças por entenderem que a situação atual ameaça seu bem-estar. Psicologicamente, a questão pode ser: “Qual cenário me parece capaz de proteger aquilo que considero importante?”
4. Crenças e informações
Uma vez formada uma preferência, podemos dar mais atenção às informações que a confirmam e examinar com maior rigor aquelas que a contradizem. Isso não significa que todo eleitor ignore fatos, mas que vínculos e convicções anteriores podem influenciar a avaliação das informações.
O que pode acontecer no comportamento?
Esses processos podem aparecer como defesa intensa de um candidato, busca seletiva de informações, conflitos nos relacionamentos ou afastamento de discussões políticas para preservar a tranquilidade. Também podem ocorrer mudanças de opinião diante de novas informações e experiências.
Essas são possibilidades, e não etapas obrigatórias pelas quais todos passam.
Quando a política ameaça os relacionamentos
Outra questão que temos observado nesses momentos são as divisões: amigos de longa data que se separam, familiares que se afastam e relacionamentos que se desfazem por divergências políticas.
As diferenças políticas não precisam romper valores, sentimentos de pertencimento e vínculos construídos ao longo da vida. Por isso, nem toda provocação precisa de resposta e nem toda discussão precisa ser prolongada.
Preservar um relacionamento não significa abandonar convicções. Significa reconhecer que pessoas próximas podem interpretar a realidade de maneiras diferentes e que uma eleição não precisa transformar familiares, amigos, colegas ou irmãos de fé em adversários.
Como preservar a saúde emocional no dia da eleição
O dia da eleição e o período de apuração dos votos podem exigir cuidados especiais com a saúde emocional. É como um jogo decisivo da Copa do Mundo, em que o torcedor sabe que, após o apito final, o resultado está definido. A expectativa, a exposição massiva a notícias, comentários e discussões nas redes sociais e a incerteza sobre o desfecho podem aumentar a ansiedade e favorecer reações impulsivas.
Um primeiro cuidado é reconhecer os próprios limites. Acompanhar cada atualização durante horas não é uma obrigação. Uma dica de ouro: se perceber aumento da ansiedade, irritabilidade ou tensão, pode ser saudável fazer pausas, afastar-se temporariamente das redes sociais e direcionar a atenção para outras atividades.
E quando sair o resultado?
O resultado das urnas pode despertar alegria e alívio, mas também frustração, tristeza, preocupação ou insegurança. Já ouvi até pessoas dizerem estar em luto quando sua escolha não foi a vitoriosa.
Reconhecer essas emoções é mais saudável do que negá-las. Ao mesmo tempo, é importante não transformar o resultado eleitoral em uma experiência emocional absoluta. A eleição é um acontecimento importante na vida coletiva, mas não representa a totalidade da vida de uma pessoa.
Depois da apuração, a rotina continua, assim como os relacionamentos, as responsabilidades e os projetos.
Se ansiedade, raiva, tristeza ou conflitos estiverem comprometendo de forma persistente o sono, o trabalho, os relacionamentos ou as atividades cotidianas, buscar ajuda profissional pode ser uma medida importante de cuidado.
Seja em que tempo for, não se esqueça:
O Pai ama você!
Darci Lourenção (@pra_darci_lourencao) é psicóloga, pastora, coach, escritora e conferencista. Foi Deã e Professora de Aconselhamento Cristão. Autora dos livros “Na intimidade há cura”, “A equação do amor”, “Viva sem compulsão” e “Devocional Minha Família no Altar”.
* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
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