Inteligência emocional: O calcanhar de Aquiles de uma geração despreparada

A falta de habilidade em lidar com as emoções pode sabotar nossos esforços para melhorar na carreira.

Fonte: Guiame, Alisson MagalhãesAtualizado: quarta-feira, 13 de outubro de 2021 17:09
(Foto: Canva)
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As principais conclusões de praticamente todas as avaliações que são feitas ultimamente em diversos ramos de negócios apontam para o fato de que, de forma completamente irônica, a geração que mais tem acesso à tecnologias de ponta é a mais despreparada quando o assunto são as próprias emoções.

O relatório "Competências e Empregos: Uma Agenda para a Juventude", do Banco Mundial, aponta que cerca de 52% dos jovens brasileiros correm o risco de viver na pobreza por estar, nas palavras do Banco, "desengajada da produtividade". São jovens com idades entre 19 e 25 anos que, segundo o relatório, estão atrasados no estudo, trabalham na informalidade e, em alguns casos, não estudam nem trabalham, o que, além de ameaçar o próprio futuro, traça uma outra projeção sombria no horizonte: põe em risco a sustentabilidade da economia brasileira nas próximas décadas. Isso porque o país vai depender do trabalho deles para continuar produzindo. Pior ainda, vai precisar que eles sejam mais produtivos do que seus pais, para reverter a tendência de queda na taxa de crescimento do Brasil.

Nos últimos anos se proliferam estudos e tentativas de se entender o que leva a essas questões e, no âmago da maioria dos analistas, as dificuldades surgem a partir da dificuldade de se lidar com as próprias emoções, principalmente no trabalho.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que o Brasil é o país mais ansioso do mundo. De acordo com um levantamento realizado pela organização, há um ano, nada menos que 9,3% da população enfrenta algum tipo de transtorno de ansiedade. Além disso, o relatório aponta que a depressão afeta nada menos que 5,8% da população.

A Falta de Inteligência Emocional compromete nossa tomada de decisões

Já tive o desprazer de testemunhar o quanto o descontrole emocional pode atrasar ou sabotar os planos e a carreira de pessoas com potencial enorme de crescimento. Lembro de um dia de trabalho normal, quando uma colaboradora de minha equipe simplesmente chegou aos prantos solicitando sua demissão, com efeitos imediatos, pois iria embora da cidade por "questões particulares". As questões particulares tinham sido uma discussão com o cônjuge.

O final da história vocês devem conhecer. Ela, inflexível, pediu demissão e dois dias depois, arrependida, pedia para retornar ao antigo posto, coisa que, infelizmente, não pôde acontecer. É uma história com final infeliz, inclusive para nós, que perdemos uma profissional com capacidade e potencial de desenvolvimento. Isso nos ensina a importância do equilíbrio emocional e do desenvolvimento da maturidade tanto a nível pessoal quanto profissional.

Somos ensinados a nos preparar para ter e conquistar, não para ser

É comum, em nosso crescimento, cuidarmos das questões profissionais. Estudamos, nos qualificamos, nos preparamos, sempre do ponto de vista técnico-científico, a fim de aprendermos a executar as melhores técnicas.

Não é errado, mas o "x da questão" de nossas emoções é que, não raro, as deficiências na área vêm de tempos, em muitos casos, da criação, e elas não têm a ver com técnicas de produção. Não têm a ver com ter ou conquistar. Ela tem a ver com o ser. Têm a ver com estar em contato consigo mesmo, aprender a se conhecer e obter controle sobre as emoções.

Neste quesito, questões mal resolvidas do passado, que ficam nos atormentando e nos impedem de nos tornarmos adultos saudáveis, acabam sabotando nosso potencial, tirando de nós o controle necessário e indispensável para superarmos obstáculos e desafios que se colocam diante de nós.

O mais interessante é que muitas das vezes, os grandes monstros e problemas que nos atormentam são questões que podem ser, em muitos casos, resolvidas com uma simples decisão de virar a página do nosso passado e olhar pra frente. Decidir seguir em direção ao futuro.

Inteligência Emocional, a despeito de toda conceituação e parafernalha psicológica que se utiliza para descrever o termo, é a coragem de olhar pra dentro de nós, encarar nossas emoções, e a capacidade de ajustar nossa perspectiva para o que é real, sabendo que muitos dos nossos medos são projeções da nossa mente e nunca se concretizarão.

Quanto entendemos isso, não só começamos a gerenciar melhor as emoções, como podemos aprender a utilizá-las a nosso favor. Uma forma de começar a fazendo as pazes com o seu passado. Veja, o fato é que não existe vida no passado, e deixar ele nos assombrar é plantar uma semente que, cedo ou tarde, vai nos revisitar. Infelizmente isso, quase sempre, acontece em momentos inoportunos.

Quer uma dica? Busque ajuda ou simplesmente decida perdoar e virar a página, assim você pode crescer a partir da situação. Se o problema no passado foi erro seu, o caminho é entender que a vida continua e acertos podem ser construídos à frente para compensar os erros. Talvez seja necessário buscar o perdão de alguém, ou fazer por onde se tornar digno de ser perdoado. De qualquer forma, ninguém precisa ficar preso eternamente por um erro cometido, e lembre-se: são suas decisões de hoje que vão impactar seu futuro.

Alisson Magalhães é Ministro Ordenado na Igreja do Nazareno, formado em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil, professor de Teologia em cadeiras teológicas, pastorais e na área de música e adoração. Autor do livro Cristianismo 4.0 - Desafios para a comunicação cristã no século XXI, à venda pela Book Up Publicações. Atualmente serve com sua esposa, Elaine, como Pastor na Igreja do Nazareno em Otacílio Costa, na Serra Catarinense, onde também atua como jornalista e Secretário de Administração e Comunicação Institucional na Prefeitura de Palmeira/SC.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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