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Saúde

Tumor em crianças: nova medicação para tratamento minimamente invasivo

Tumor em crianças: nova medicação para tratamento minimamente invasivo

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:30

Um novo tratamento minimamente invasivo para um tipo de tumor cerebral benigno(craniofaringioma) que acomete principalmente crianças de 5 a 10 anos está sendo testado por uma equipe de especialistas da Unifesp.

O medicamento é introduzido no próprio tumor por via endoscópica com um cateter. A grande novidade é o uso de uma medicação chamada interferon - uma droga que mostrou resultados melhores do que a que estava sendo usada até então, a bleomicina. Ao contrário da bleomicina, o interferon não é neurotóxico, por isso pode ser injetado diretamente no tumor sem afetar regiões próximas.

O procedimento é realizado no ambulatório e evita a intervenção cirúrgica, que já não é o tratamento mais indicado nesses casos, segundo Sérgio Cavalheiro, neurocirurgião e coordenador do estudo. De acordo com o especialista, há um consenso médico de ressecar cerca de 70% do tumor e continuar o tratamento com quimioterapia. Retirá-lo completamente pode causar lesões na hipófise, alterando a produção hormonal. Hoje, não existe um remédio via oral que trate a doença.

De acordo com Cavalheiro, a doença deve ser encarada como crônica porque deverá ser tratada a vida toda. Assim é possível segurar o crescimento do tumor e garantir a qualidade de vida do paciente.

A doença

Esse tipo de tumor é mais comum em crianças porque se desenvolve a partir de células que deveriam desaparecer com o desenvolvimento, mas que, por algum motivo, passam a crescer no cérebro na região da hipófise, glândula responsável por produzir hormônios. Isso faz com que elas sejam mais propensas a desenvolver obesidade, ter problemas de crescimento e urinar em excesso. Por esse motivo, é necessário que façam reposição hormonal artificialmente.

Segundo Cavalheiro, ainda não se sabe exatamente qual é o gatilho da doença, já que muitas pessoas apresentam resquícios dessas células, mas não desenvolvem o tumor.

Os testes

No Brasil, 21 crianças foram submetidas ao método entre 2000 e 2006. Em 11 delas, a redução do tumor foi de 90% a 98% depois de 12 aplicações. Em outras sete crianças, a diminuição variou de 81% a 88%. Apenas três tiveram uma resposta menor ao tratamento, o tumor foi reduzido de 60% a 64%.

A dose de interferon custa 2 dólares; em cada ciclo são usadas 12 aplicações. A quantidade de ciclos varia de acordo com o grau do tumor e a reação do paciente. Cavalheiro diz que ainda não há previsão de quando o tratamento estará disponível, já que os especialistas ainda pretendem estudar a eficácia de outros medicamentos.

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