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Saúde

Tratamento de reabilitação aumenta a qualidade de vida de vítimas do AVC

Tratamento de reabilitação aumenta a qualidade de vida de vítimas do AVC

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:30

A morte do deputado e estilista Clodovil Hernandes chamou a atenção da sociedade para o AVC, Acidente Vascular Cerebral, doença neurológica que afeta milhares de pessoas anualmente. Estima-se que o trauma tenha sido responsável por 10% do total de mortes em 2008 no mundo todo. Nos Estados Unidos são registrados cerca de 750 mil casos todos os anos.

Apesar das altas taxas de mortalidade, muitas pessoas sobrevivem ao AVC, mas, geralmente, com sequelas motoras e mentais que prejudicam consideravelmente a qualidade de vida, tornando-as, muitas vezes, dependentes de ajuda para suas atividades diárias. Os tratamentos de reabilitação atuais, no entanto, permitem que boa parte destes pacientes recupere o bem estar após o trauma.

A Dra. Matilde Spósito, fisiatra do Hospital das Clínicas e especialista na reabilitação de vítimas de AVC tira as principais dúvidas sobre o trauma.

O que é O AVC?

O Acidente Vascular Cerebral é a interrupção do fluxo sanguíneo em direção ao cérebro que provoca a falta de circulação em determinada área levando a morte do tecido cerebral.

Ele pode ser de dois tipos:

Isquêmico: quando há apenas a interrupção em uma das artérias do cérebro, impedindo a circulação sanguínea; há a falta de oxigênio na  região cerebral afetada

Hemorrágico: quando ocorre o rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo do cérebro, provocando um sangramento na região afetada

AVC é o mesmo que derrame?

Sim.  O acidente é conhecido assim por conta do seu tipo hemorrágico, que causa um sangramento ou "derramamento de sangue".

O estresse pode causar AVC?

Sim. Além do estresse, os fatores de risco para o acidente são colesterol alto, hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, histórico familiar, ingestão de álcool, vida sedentária e obesidade. Portanto, a melhor forma de evitar o AVC é levar uma vida saudável, com alimentação balanceada, exercícios físicos e atividades relaxantes.

Que sequelas o AVC pode causar?

Cerca de 50% das pessoas que sobrevivem ao AVC evoluem com seqüelas graves, incluindo perda de funcionalidade, dependência parcial ou completa para as atividades do dia-dia, prejudicando muito a qualidade de vida.

O paciente perde força muscular, perde capacidade de coordenação motora, desenvolve contraturas articulares bastante doloridas e anormalidades do tono muscular.

Podem ocorrer também paralisia total ou parcial (de um lado do corpo), alteração da fala, alterações visuais e alterações de memória.

O que é a espasticidade?

A espasticidade é uma das sequelas mais comuns do AVC e se caracteriza pelo aumento do tônus muscular e pela excessiva contração dos músculos. Os sintomas variam desde uma leve contração até uma deformidade severa, que afeta a mobilidade, tornando os pacientes dependentes de ajuda para atividades rotineiras, como andar, comer e vestir-se.

Que tipos de tratamentos são realizados para recuperar a qualidade de vida das pessoas vítimas de AVC?

Por volta de 10% dos pacientes apresentam uma recuperação espontânea quase completa, 10% não têm benefício com qualquer forma de tratamento e 80% se beneficiam com a reabilitação.

Desde a fase aguda, o acompanhamento de uma equipe multiprofissional de reabilitação precisa ser realizado, com intervenções neurológicas, fisiátricas, fisioterapêuticas, fonoaudiológicas e de terapia ocupacional.

Na fase crônica, intervenções medicamentosas como os relaxantes musculares orais, o bloqueio neuromuscular com a Toxina Botulínica Tipo A (mais conhecida pelo nome comercial BOTOX) e o uso de órteses de posicionamento também promovem benefícios.

Há casos em que são indicadas cirurgias, para o alongamento de tendões encurtados pela rigidez muscular persistente.

Realizados em conjunto, de forma coordenada e interdisciplinar, todos estes métodos podem promover ganhos funcionais e na qualidade de vida dos pacientes

Como o Botox contribui para a reabilitação?

A Toxina Botulínica é muito popular por suas indicações cosméticas no tratamento das rugas de expressão. Mas, antes mesmo de ser utilizado para este fim, o medicamento já contribuía com a reabilitação de pacientes com sequelas motoras como a espasticidade.

Aplicada diretamente nos músculos comprometidos, o medicamento provoca um relaxamento da musculatura e bloqueia a atividade motora involuntária, o que reduz a dor e aumenta a amplitude de movimento do paciente. Esta melhora é fundamental em todas as etapas do tratamento, pois permite que membros afetados sejam manejados de forma mais adequada pela equipe de reabilitação. Além disso, pode reduzir o uso de medicação antiespástica e, retardar ou evitar intervenções cirúrgicas. É importante saber que a aplicação de Botox é apenas uma etapa de um tratamento que deve ser multidisciplinar.

Para o paciente, os benefícios são muitos e relacionados sempre à recuperação da qualidade de vida. O tratamento de reabilitação melhora as atividades funcionais, como a marcha, movimentação voluntária, permitindo que o paciente retome suas atividades diárias de forma independente.

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