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Quedas em idosos. Como preveni-las ou tratá-las?

Quedas em idosos. Como preveni-las ou tratá-las?

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:30

Quedas em idosos. Como preveni-las ou tratá-las?

Cerca de 50% caem pelo menos uma vez por ano após os 80; prevenção é a saída.

Além dos problemas físicos, como falta de visão e desequilíbrio, detalhes dentro de casa podem provocar acidentes. Estima-se que após os 65 anos, 30% das pessoas sofram quedas. Após os 80, essa porcentagem salta para 50%. Com menos massa muscular e ossos mais frágeis, o idoso corre sério risco de, além dos hematomas, sofrer uma fratura grave, que pode levar a uma cirurgia.

"A queda é comum, mas não pode ser encarada como natural. O assunto é pouco visto, mas no exterior existem programas de prevenção. Isso é uma questão de saúde pública", afirma Monica Rodrigues Perracini, fisioterapeuta que fez um estudo com 1.600 idosos sobre o assunto. Não dá para culpar apenas um problema neurológico ou a osteoporose. "Não existe uma doença específica que faça cair mais. São multifatores, várias coisas acontecem para isso."

Problemas de equilíbrio, de visão, medicamentos que podem causar tontura são algumas das causas. Mesmo dentro de casa, tapetes, desníveis e pequenos animais de estimação podem provocar uma queda.

"É preciso adotar estratégias de prevenção. Na casa do idoso, tem que melhorar a iluminação, colocar corrimão em escadas, corredor, no banheiro, tirar os tapetes e usar rampas ao invés de degraus", diz o ortopedista André Pedrinelli, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

Investir na saúde, com exercícios que trabalhem equilíbrio e massa muscular, também é importante, assim como manter uma boa alimentação, com muito cálcio. "Todos já caímos, mas reagimos mais rápido e temos mecanismos de defesa como girar o corpo e procurar um apoio. A pessoa idosa não tem a mesma coordenação motora e não reage como antes."

Medo

O idoso que cai uma vez tem mais chances de cair de novo. Um problema freqüente que surge a partir do acidente é o medo. Embora os médicos não gostem muito da expressão, esse temor é chamado muitas vezes de "síndrome pós-queda". Ou seja, após o acidente o idoso se sente inseguro e tem dificuldade em retomar suas atividades. Ou, até mesmo, fica com medo de andar. Para esses casos é recomendado fazer um trabalho de fisioterapia e reabilitação. "A propriocepção é um treinamento para a pessoa aprender de novo a se movimentar, ter agilidade para andar em terrenos irregulares, voltar a ter confiança", diz Moisés Cohen, professor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unifesp.

Quando há fratura, a indicação, geralmente, é a cirurgia. "Por ter idade, você não pode deixar esse paciente na cama por dois, três meses. E também o osso pode não consolidar nunca ou em posições erradas."

Não se deve tampouco restringir as atividades da pessoa, sob o risco de a falta de movimento deixá-la ainda mais frágil, criando um círculo vicioso. Com medo de perder a independência, muitos idosos escondem que caíram, e a família só fica sabendo quando o resultado dessa queda é grave.

1. Além de fraturas que outros riscos a queda envolve?

Além de hematomas e fraturas, o idoso pode ter uma hemorragia ou traumas cranianos, que podem até causar morte -direta ou indiretamente. Alguns desenvolvem ainda um medo intenso de voltar a cair, comprometendo as atividades e deixando-os mais sedentários, em um círculo vicioso.

2. Quais problemas de saúde podem causar esse tipo de acidente?

O uso inadequado de muitos medicamentos, problemas neurológicos, visuais, mal de Parkinson, osteoartrite nos joelhos, lombalgia, entre outras.

3. Quanto tempo o mesmo osso demora para se recuperar em diferentes idades?

No caso de uma fratura na perna, por exemplo, o tempo de recuperação de uma criança é de três a quatro semanas. A mesma fratura em um adulto pede entre oito e dez semanas, e em um idoso vai de dez a 12 semanas.

4. Como são as cirurgias?

Geralmente são colocadas placas e pinos e, em casos mais complicados, é preciso colocar até uma prótese. O tempo de recuperação é bom, muito mais rápido do que seria a recuperação com gesso, e o resultado é mais garantido. Há, porém, o risco da cirurgia em si.

Todo o tempo parecia que eu ia tropicar e cair

Eu tive diversas quedas. Na primeira, estava na minha casa. Tocou a campainha e eu fui ao portão. Estava tonta, desmaiei, caí, e bati a cabeça no vidro do portão. Foi terrível. Fui para o hospital, tive que fazer plástica porque machucou muito o rosto. Depois tive outras quedas dentro de casa mesmo. Em outra, acho que tropecei no tapete. Caí de novo e desmaiei. Isso nos últimos anos, porque nunca havia caído antes.

Aí não me sentia firme, não sabia andar direito, ficava meio tonta. Comecei a ter muito medo. Todo o tempo parecia que ia tropicar e cair.

Fiz algumas sessões de propriocepção. Foi difícil porque eu tinha muito medo, mas me ajudaram muito. Por orientação, tirei todos os tapetes. Eu já tinha até perdido um pouco da minha personalidade, estava totalmente dependente. Devagarinho, as sessões me deram a confiança de volta, passou o medo, passou o desequilíbrio. Não descobriram o porquê disso, eu não tinha doença nenhuma.

Queda é uma coisa terrível nesta idade, muitos quebram o fêmur, eu não me quebrei, mas me machuquei muito e minha recuperação foi demorada. Agora estou ótima, já estou retomando minhas atividades e não caí mais.

Mulheres idosas com poucas atividades têm mais chances de se acidentar

Apesar de uma queda poder ter origem em inúmeros fatores, alguns idosos estão mais propensos a cair.

A fisioterapeuta Monica Rodrigues Perracini fez um estudo com 1.600 idosos durante dois anos para acompanhar aqueles que já tinham caído.

De acordo com a pesquisa, mulheres têm duas vezes mais chances de cair que homens. Quem já tem histórico de fratura tem sete vezes mais chances do que os outros. Também são mais suscetíveis às quedas: quem tem problema de visão, já tem dificuldades em realizar as tarefas do dia-a-dia, não tem marido ou mulher e até mesmo aqueles que não têm o hábito de ler -um bom treino para a concentração e atenção.

Existe também um comportamento de risco. "É aquela pessoa que vai se expor mais. O idoso que sobe no banquinho para apanhar alguma coisa, que lava o quintal de chinelinho. Para mudar isso, só com muito convencimento", diz.

Se em casa já existem riscos, na rua o perigo é maior. "Não existe um acolhimento por parte da sociedade, nem comportamental, nem ambiental", afirma Perracini, referindo-se à acessibilidade e às pessoas.

Segundo a fisioterapeuta, levantar do sofá e cair de novo não parece uma queda, mas pode ser um sinal de que a pessoa tem problemas de equilíbrio.

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