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Saúde

Mulheres sofrem mais com prisão de ventre

Mulheres sofrem mais com prisão de ventre

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:30

Além dos idosos, as maiores vítimas de incontinência fecal são as mulheres, que representam 70% do total de brasileiros que sofrem com a prisão de ventre. A causa, na maioria das vezes, ocorre pelo perfil da vida obstétrica, agravada por partos traumáticos. Mudança de hábitos, ou mesmo exercícios para a região pélvica e alimentação adequada são fatores que ajudam a regularizar o intestino.

Muitas pessoas acreditam que o correto é ir ao banheiro todos os dias, o que as induz a recorrerem a medicamentos laxativos, piorando o problema. "Quando usados de forma indiscriminada, esses remédios podem comprometer o intestino e alterar a integridade da mucosa, além de, a longo prazo, condicionarem a ida ao banheiro somente com o uso do laxante”, alerta Tânia Lima, enfermeira especialista em estomaterapia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). Segundo a profissional, o correto é ir ao banheiro sem esforço, sem sangramento e sem laxativo.

A frequência das idas ao banheiro é variável para cada pessoa. De acordo com a entidade inglesa International Continence Society (ICS), é tão correto ir ao banheiro três vezes ao dia quanto uma vez a cada três dias. Os hábitos e a alimentação influenciam neste processo. "O importante é observar mudanças repentinas, ou seja, tanto quem tem intestino regular e desenvolve prisão de ventre quanto quem desenvolve diarréia constante deve investigar", explica.

Mudanças de hábitos ajudam no tratamento

A criação de uma rotina, dieta equilibrada e exercícios físicos ajudam no perfil metabólico e na circulação do sangue e são os melhores aliados para quem sofre de prisão de ventre. A alimentação, assim como a frequência ideal, varia por pessoa e não segue regra única. "O ideal é um prato variado, a ingestão de água, mesmo sem sede, e de fibras", diz Tânia.

Uma dieta adequada deve conter em torno de 30g de fibras por dia. "Um café da manhã composto de pão integral, ½ mamão papaia e duas xícaras de flocos de milho, por exemplo, garantem um terço das fibras diárias necessárias. Para complementar, um prato de salada no almoço e outro no jantar, além de frutas - que podem ser ingeridas como sobremesa – suprem o organismo para o bom funcionamento do intestino", exemplifica Adolpho Milech, sub-chefe do serviço de nutrologia do HUCFF.

Para Milech, a orientação de um especialista é importante para combinar as fibras de acordo com o perfil de cada paciente. Farelos de cereais, grãos integrais, nozes, pêra, maçã com casca, cenoura, brócolis, entre outros, são alimentos que contêm as fibras insolúveis e retêm uma quantidade maior de água, produzindo fezes menos ressecadas e com mais volume. Já as fibras solúveis - feijão, arroz, polpa de maçã, banana e batata - se transformam em gel depois de ingeridas, o que faz com que permaneçam mais tempo no estômago e aumentem a sensação de saciedade. "Esse tipo ajuda a reduzir os níveis de colesterol e açúcar do sangue", diz.

De acordo com Adolpho Milech, se o intestino funciona como um relógio, significa que o corpo está respondendo ao reflexo de ir ao banheiro. "É bom que a pessoa siga o que o corpo está pedindo. O que não pode acontecer é ter o impulso e recusá-lo", alerta, reiterando a importância da rotina. "Não adianta apelar para alimentos milagrosos, como os iogurtes que prometem resolver o problema em um prazo determinado. São alimentos saudáveis, mas que, sozinhos, não resolvem o problema de quem sofre com prisão de ventre", alerta.

Exercícios contra a incontinência

Além das mudanças nos hábitos e na alimentação, alguns exercícios para fortalecimento do assoalho pélvico ajudam a melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O HUCFF tem o único ambulatório de biofeedback da rede pública do Rio de Janeiro capaz de tratar pacientes com incontinência fecal. O serviço está sob a coordenação de Tânia Lima e atende cerca de 30 pessoas por mês.

"Primeiro, explicamos o que é a doença e de que maneira é feito o tratamento. Segundo a literatura mundial, de 70 a 80% dos casos são tratados de forma comportamental, dependendo da avaliação prévia", explica Tânia. O tratamento dura cerca de oito sessões e tem como objetivo avaliar e mudar alguns hábitos do paciente, como a maneira e a frequência correta de usar o banheiro e, ainda, mudar o conceito de que o correto é evacuar todos os dias. Também são passados exercícios que visam ensinar o paciente a localizar e trabalhar a musculatura que sustenta os órgãos pélvicos, fortalecendo a região e minimizando o desconforto.

Postado por: Felipe Pinheiro

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