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Saúde

Hábitos dos brasileiros podem ajudar na prevenção de doenças

Hábitos dos brasileiros podem ajudar na prevenção de doenças

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:30

Você fuma, pratica exercícios regularmente? Como está a sua alimentação? Cientistas estão fazendo essas perguntas a milhares de brasileiros de todas as regiões. Coletam sangue, urina. Conhecer a rotina, o dia a dia de toda essa gente, pode ser fundamental para a saúde de todos nós.

É um trabalho difícil que não tem data para acabar e que, exatamente por ser de longo prazo, precisa de um laboratório especial para armazenar o material coletado. Por isso, o Hospital Universitário da USP construiu uma bioteca, que funciona com tecnologia criogênica.

Os médicos estão de olho em uma telefonista. Joselina foi a primeira funcionária do hospital a se inscrever em um estudo inédito sobre doenças do coração e diabetes. Os pesquisadores vão acompanhar o estado de saúde dela e de outros voluntários nas próximas décadas. "Talvez para mim não signifique muito, mas já penso na saúde dos meus netos, meus filhos e muita gente que precisa", afirma a telefonista Joselina Cardoso Menotti.

Quinze mil pessoas vão doar amostras de sangue e de urina para formar um banco de informações sobre a saúde dos brasileiros. "É um estudo feito na realidade brasileira. Existe muita informação a respeito de doença cardiovascular e de diabetes vindas de estudos americanos e europeus, que são muito importantes. Mas é extremamente importante que se estude os hábitos de vida dos brasileiros, por exemplo, a dieta do Brasil, e como isso pode ser fator de risco para doença do coração e diabetes", explica a coordenadora do programa, Isabela Benseñor.

As amostras serão guardadas em uma bioteca, a primeira do país com tanta diversidade de material biológico. Há cinco tanques para o armazenamento. Por enquanto três estão vazios, à espera da amostra de novos voluntários. Os outros dois já estão quase cheios. Só no estado de São Paulo o programa tem quase dois mil participantes. Nos tanques, o material biológico é mantido a temperaturas de quase -200ºC. O equipamento preserva as amostras por mais tempo.

"Esse armazenamento garante que as nossas amostras serão preservadas para os estudos futuros possam acontecer em 10, 15 ou 20 anos. Vou ter amostra dessas pessoas completamente preservadas para novos estudos que vierem a acontecer", diz a coordenadora do laboratório, Ligia Fedeli. Uma estrutura será montada em outros estados brasileiros envolvidos no projeto: Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia.

"Os hábitos de vida mudam de lugar para lugar. Podemos comparar a dieta de alguém que mora no Rio Grande do Sul com a de alguém que mora na Bahia e quanto isso vai aumentar o risco ou não de terem doenças do coração", completa Isabela Benseñor.

Como o estudo é de longo prazo, os voluntários estão sendo escolhidos entre funcionários públicos, porque eles costumam ter mais estabilidade. Não mudam muito de cidade, por exemplo, o que facilita a coleta de dados. Além de doarem as amostras de sangue e urina, os voluntários também terão de responder a uma série de questionários sobre hábitos alimentares, local de moradia, atividade física e estresse no trabalho.

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