Traídos pela mídia secular

Traídos pela mídia secular

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:24

Quantos de nós, ministros de Cristo já não fomos traídos pela mídia secularizada?

Tenho por mim que a trajetória de um verdadeiro discípulo de Jesus deva seguir um rumo progressivo de influência neste mundo. O Evangelho nos alcança, temos a vida transformada pelo poder do Espírito Santo em nós e somos devidamente discipulados na igreja através do ensino e influência da Palavra de Deus. Há certo ponto desta caminhada identificamos que os nossos talentos naturais podem ser canalizados a serviço do Reino de Deus. Se os consagramos ao Senhor, Ele os potencializa para a edificação da Sua igreja. O processo fica ainda mais produtivo quando Deus nos desperta a usar este potencial para alcançar os perdidos. Como é gratificante quando a influência do nosso serviço ministerial transpõe as quatro paredes da igreja! O próprio Jesus disse que nós deveríamos salgar e iluminar este mundo (Mt 5:13,14). Mostrar ao mundo, neste mundo, as incomparáveis riquezas da Glória de Deus, seu amor, graça e misericórdia é recompensador, principalmente quando vidas são impactadas e almas se rendem aos pés de Cristo.

Contudo, um fato que devemos desconsiderar é que, quando assim o fazemos, estaremos suscetíveis a passar por todo tipo de perseguição, afinal de contas, estamos atuando em terreno inimigo. O impacto do nosso ministério em terreno aberto pode tanto agradar quanto aborrecer. Ainda há aqueles que procuram se ajustar, achar o meio do caminho para acomodar as suas verdadeiras intenções.

Gostaria de abordar especificamente a mídia não especializada no segmento "evangélico", ou "cristão", ou "gospel", como preferir. Jornais, revistas, portais digitais, sites, blogs, boletins e programas televisivos têm a responsabilidade de fazer chegar o conhecimento a seu público sedento por informação.

É óbvio e insofismável que vivemos uma época em que a informação é absolutamente abundante, entretanto, com toda esta avalanche de informação, temos dificuldade de transformá-la em conhecimento, ou o que é muito pior, banalizar o conhecimento a ponto de todo mundo achar que toda a informação que chega até nós é a mais pura expressão da verdade.

Através de inúmeras experiências por mim vividas há doze anos neste universo, pude constatar fatos que gostaria de compartilhar com você querido leitor. Mais do que compartilhar, orientar, te despertar e pasmem, desabafar.

Tenho observado que no mundo evangélico as ferramentas de mídia e seus jornalistas reproduzem com certa satisfação a informação. Quando muito, alguma falta de perícia em dados específicos, nada que deturpe ou cause dano. Alguns jornalistas são extremamente precisos, demonstrando um verdadeiro preparo e profissionalismo. Contudo, quando a informação é gerada por outros meios, confesso que já me desapontei um bocado. Teria muito a relatar, mas nesta oportunidade só vou destacar dois episódios de minha novela por este mundo do registro das informações.

Certa ocasião, no ano de 1999, às vésperas de minha mudança para os Estados Unidos, realizei um concerto musical no Hospital das Clínicas de São Paulo, em frente ao prédio da ortopedia. A mídia interna do hospital promoveu o evento que foi apreciado por pacientes e funcionários. Tudo correu bem. A recepção foi maravilhosa, e o fato de estar prestes a me tornar um futuro "cidadão americano" foi usado para convalidar o músico em questão.

Meses depois, quando de passagem pelo Brasil, recebi em mãos um periódico do referido hospital que foi publicado logo após a minha passagem por lá. O mesmo, ofertado por uma amiga "irmã" que trabalhava no hospital trazia uma nota do tal concerto. À primeira vista fiquei super feliz pela consideração, mas ao ler a matéria veio a decepção. O texto informava: "André Paganelli, músico saxofonista realizou no dia 'tal' grande concerto na ala da ortopedia (...) e prepara suas malas para morar em Nova York onde irá tocar em casas noturnas" . O fato é que deixei claro a todos que iria para a cidade de Los Angeles (costa oeste, não Nova York na costa Leste) e que continuaria a exercer o ministério, tocando em igrejas e eventos promovidos com fins evangelísticos. Será que alguns acharam que eu menti? Só rindo, ou chorando!

A última ocorrência se deu às vésperas da gravação do meu DVD na casa de espetáculos Via Funchal. O evento que aconteceu na cidade de São Paulo no dia 13 de maio de 2009 teve cobertura maciça da mídia evangélica e secular. Entre as muitas matérias e entrevistas, fui contatado via telefone pela jornalista Fernanda Brambilla do Jornal da Tarde que faz parte do grupo do Estado de São Paulo . A tal jornalista foi bastante atenciosa, disse que a conecção se deu por intermédio da assessora de imprensa da Via Funchal e que faria uma matéria que sairia na semana seguinte (18 de maio de 2009) e que constaria de ¼ de página deste importante jornal de nossa cidade.

Uau!! A princípio fiquei feliz e satisfeito por ver o valor do meu trabalho sendo estimado pela mídia secular especializada.

O papo com a jornalista foi até bem agradável. Contudo, por experiência, as perguntas eram respondidas com a astúcia de alguém que um dia já leu o que não quis. Sendo assim, procurei dar algumas ênfases em minha entrevista. Disse que além de músico também era pastor e que tinha o meu nome inscrito na Ordem dos Pastores do Brasil. Ela me perguntou qual igreja pastoreava, o qual respondi: "No momento nenhuma, sou membro da Igreja Batista da Liberdade. Pastoreei por quase dois anos mas no momento estou me dedicando exclusivamente no ministério através da música". Disse também que o evento não era para ser apreciado exclusivamente pelo público evangélico cristão, pois usava o contexto da casa de espetáculos para atrair a todos, pois seriam impactados não só pela música, mas pela palavra que transmitiria naquela noite.

Paganelli: "O fato é que no universo destes jornalistas não há a

compreensão do nosso verdadeiro chamado, do que é ministério,

diferente de uma simples profissão".

Maravilha! Tudo parecia perfeito....até o dia 18 de maio quando coloquei em mãos um exemplar do tal jornal. O mesmo trazia a seguinte chamada: "Em nome do smooth jazz" e, para a minha primeira das muitas decepções, em seu subtítulo: "Ex-pastor, o saxofonista André Pagnocelli agora prega a diversão. Seu DVD já está a caminho" .  Ao lado uma enorme foto minha com a seguinte legenda: "Pagnocelli tenta se afastar da temática religiosa para evitar rótulos" . Puxa vida! Errou o meu nome e ainda disse que eu estava pregando a diversão! É mole?

Tem mais: "...Foi a Igreja quem conquistou Paganelli primeiro 'Eu precisava me apegar a algo transcendental', diz o músico" . Agora acertou o nome, mas que papo é esse de transcendental? Ahhhhuuuummmnn....ahhhhuuuummmmmmnnn.....

Ainda: "A Igreja me deu meus primeiros palcos. Hoje a maioria do meu público é religiosa, mas não é aquela temática de igreja. Eu me apego a temas universais. Meu show é para todo mundo ouvir. Uma coisa moderna, arrojada, sem linguajar 'igrejeiro' . Da religião eu pego os valores éticos" . Uma verdadeira colcha de retalhos, um Frankenstein adaptado segundo a interpretação pessoal da jornalista.

Veja esta: "...O que restou da carreira religiosa se reflete na temática de suas músicas..." O que restou?? Não entendi nada. Continua: "...mesmo assim , tenta se distanciar o quanto pode das pregações, para evitar rótulos" . Que bom que todos que foram ao evento me viram pregar, e mais, a mensagem pregada está registrada nos extras do DVD.

Agora essa é pra matar: "...Tentou ser pastor, mas desistiu depois de um ano e meio no comando de uma igreja. 'Fui pastor muito louco. Logo ficou claro que não servia para ficar lá dentro' admite" . Tentei ser pastor, não sou mais? Admiti no início da reportagem que tinha sido liberto do vicio das drogas. Até aí tudo bem, mas "pastor muito louco" é misturar as coisas, fato que é uma especialidade da tal jornalista.

E agora pra fechar a brincadeira: "Hoje, o ex-pastor prega a diversão. 'Não faço música de defunto nem de consultório. Meu show é dinâmico, tem impacto'". Após tudo que já foi exposto, sem comentários.

O ditado popular já dizia: "Nem tudo que reluz é ouro" . Infelizmente é dessa forma que hoje vejo as supostas promoções que batem em minha porta. Infelizmente o simples cuidado com as palavras não pode resolver nada.

O fato é que no universo destes jornalistas não há a compreensão do nosso verdadeiro chamado, do que é ministério, diferente de uma simples profissão. Tudo que vislumbram se traduz em mero produto mercadológico ou meio que estes músicos usam para massagear o seu próprio ego por estarem em evidência. Quando alcançamos destaque fora das fronteiras da igreja local, estes traduzem que a igreja serviu apenas de trampolim para alcançar o tão desejado império deste mundo.

O que poderá concluir o irmão cristão ao ler este tipo de matéria?  Quanta distorção. Não compreendem que podem influenciar uma massa sem conhecimento, mesmo aqueles que fazem parte do círculo cristão, do meio no qual construímos a nossa vida e reputação.

O que diria Jesus de Nazaré a respeito dessas distorções promovida por estes ilustres jornalistas? Muito provavelmente, a mesma coisa que falou durante o suplício da crucificação: "Perdoa-lhes, Pai! Eles não sabem o que fazem…"

Por André Paganelli

André Paganelli é considerado um dos mais talentosos instrumentistas da atualidade em nosso país, conhecido como o "Kenny G brasileiro". Tem 13 cds lançados e 1 DVD gravado ao vivo na casa de espetáculos Via Funchal (SP). Também é autor do livro "Verdadeiros Adoradores", um material dedicado a pastores, líderes, músicos e adoradores em geral.

Pastor da denominação Batista e bacharel em Teologia formado pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida (Atibaia, SP) e mestrando Teologia com ênfase em Escatologia pela Cohen University & Theological Seminary (Los Angeles, CA, EUA). Paganelli tem rompido fronteiras, alcançando por meio de seu ministério várias cidades no Brasil, Estados Unidos, Suíça, Inglaterra, Portugal, Itália, Espanha, França e Israel. Site: www.andrepaganelli.com.br

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