O sacrifício de Jesus foi o nosso habeas corpus

O sacrifício de Jesus foi o nosso habeas corpus

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:04
cruz - JesusMeus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. (1 João 2:1)
 
Não importa o quão inteligentes ou maduros sejamos, só o passar do tempo e a perda de oportunidades nos permitem entender o valor e a dimensão de certas coisas na vida. Exemplo clássico é o conselho dos pais, isso mesmo, aqueles dizeres quase sempre chatos e inconvenientes, que estão costumeiramente na contramão das nossas vontades são, no mais das vezes, palavras de sabedoria e de saudável direcionamento. Pois muito bem (ou muito mal), hoje lembro carinhosamente dos apelos, da insistência, dos gritos, dos castigos e advertências dos meus pais que tinham um único objetivo traduzido satisfatoriamente em um brado pronunciado centenas de milhares de vezes em nossa casa: “Meu filho, larga isso aí e vai estudar!”
 
Mas, que nada, meus livros eram mais ignorados do que e-mail de gente chata, só havia espaço em minha desenvolta mente para vídeo game e futebol, o que passava disso era excepcionalidade! Ocorre que, é claro, plantar é uma escolha, colher não é uma escolha, todo o talento que eu tinha para passar de fases nos jogos, golear todos os times no extinto jogo Winning Eleven e ser o melhor goleiro da escola não foi canalizado para a compreensão do teorema de Pitágoras, revoluções burguesas, entalpia de formação e outras mumunhas que recordo apenas de ouvir falar… Resultado disso? Tornei-me um advogado!
 
Sim, caro leitor, posso imaginar seus olhos marejados por tamanha pena para com este pobre jurista. Mas nem tudo são espinhos na vida de um advogado, a faculdade, por exemplo, me traz alegres recordações! Lembro-me de quando, no início do curso, estudamos os direitos e garantias fundamentais previstos no artigo 5º da Constituição Federal e fiz um seminário sobre a origem do Habeas Corpus. Descobri que se trata de uma ação especial utilizada para garantir a liberdade daquele que está ilegalmente restringido em seu direito de “ir e vir”, aprendi também que “Habeas Corpus” é uma expressão latina que significa “tenha o corpo” e que era uma ordenança do juiz para que o oficial ou carcereiro “tivesse” o corpo do preso que estava em seu poder e levasse até a presença do julgador. Com o tempo, passou também a ser feito em forma de pedido daquele que impetrava a ação, para que o juiz tivesse o corpo em sua custódia, dando-lhe um julgamento justo e livrando-o do cárcere ilegal.
 
Lembro com carinho também da oportunidade em que recebi a “carteirinha” da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, e me tornei um “doutor adevogado”, como me dizia um antigo vizinho. Naquela solenidade, o presidente da OAB na Bahia fez um belo discurso e deu a melhor e mais bela definição que já ouvi acerca do exercício da advocacia: “Advogar é a arte de se apaixonar pela paixão dos outros”.
 
Naquele momento todos riam e se deleitavam com a oratória do grandiloquente paraninfo… Todos menos eu! Minha mente viajou, aquela bela frase ecoou em meus ouvidos e comecei a sentir como se Jesus estivesse ao meu lado, recordei que um dia eu fui alguém completamente frustrado, envolto violentamente por uma redoma de pecados e tinha todos os requisitos para ser uma vergonha completa para meus familiares e para mim mesmo, lembrei que, mesmo tendo nascido em lar cristão, com a criação e estigma de um “filho de pastor”, havia me sentido atraído pelo mal e cada vez mais divorciado do bem… Mas, mesmo naquela situação, Jesus olhou para mim e se moveu de íntima compaixão, se apaixonou pela minha causa e passou a ser meu guia e procurador, pude então perceber que Cristo era o modelo de advogado que eu queria ser!
 
Isso mesmo, a estratégia processual dEle foi perfeita, vendo que eu estava preso, réu confesso e sem defesa, sendo incriminado pelo sagaz acusador de dia e de noite (Apocalipse 12:10), Jesus rogou por mim e pediu que o meu corpo fosse apresentado diante do sumo e justo Juiz, o supremo Deus. Jesus, como o maior advogado que já existiu, impetrou um habeas corpus, a petição utilizada foi o Seu próprio corpo, o argumento foi o Seu sangue, o protocolo foi dado pelos soldados romanos com os pregos, espinhos e uma afiada lança em Seu lado, meu corpo foi resgatado da clausura e da cela fria do pecado e, como a norma jurídica dizia que o caminho para a remissão de pecados é o derramamento de sangue (Hebreus 9:22), o supremo julgador prolatou a inequívoca sentença publicada no capítulo oitavo da carta aos Romanos: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”!
 
O sacrifício de Jesus foi o nosso habeas corpus, através dessa preciosa ação a humanidade pôde constatar que se o Filho libertar alguém, este será verdadeiramente livre (João 8:36), de modo que qualquer maldição, pecado, culpa, acusação ou peso podem ser remidos pelos efeitos daquela petição protocolada na cruz.
 
A graça e a libertação são simples, de modo que hoje o homem não necessita de outros “atos proféticos”, grandes campanhas espirituais, nem mesmo do desembolso de vultosas quantias financeiras para que seu pecado seja expurgado, apenas é necessário aceitar e compreender o sacrifício de Jesus e deixar de carregar um fardo que já foi por Ele levado (Isaías 53:4).
 
Um último dado sobre o habeas corpus é que se trata da única ação individual que pode ser impetrada por qualquer pessoa em benefício de outra, mesmo sem procuração do beneficiário. Nisso entendemos que antes mesmo que você pensasse em aceitar Jesus em seu coração, Ele já tinha aceitado sua vida, constatamos que “nós o amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 João 4:19), mesmo sem ter procuração ou qualquer autorização expressa de nossa parte, Ele se doou e morreu por nós, nos amou sem esperar nada em troca!
 
Todavia, aquele que nos libertou do pecado, da culpa e da acusação pode fazer muito mais em nosso favor, a única condição é que, ao contrário do habeas corpus, para todas as outras ações que esse advogado possa manejar em nosso favor será necessária a outorga de procuração, dando-lhe plenos poderes para agir pelas nossas causas, por isso sempre haverá uma escolha, agir conforme a vontade humana e ser guiado pela própria mente, ou entregar o caminho ao Senhor, confiar nEle e deixar o mais para que Ele o faça (Salmo 37:5). A outorga de procuração é o instrumento pelo qual a luta que era sua passa a ser do Senhor, a sua mágoa é convertida em alegria, a morte é transformada em vida e sua dor é trocada por conforto, e a forma para a assinatura dessa procuração é o simples atendimento do apelo feito pelo seu advogado em Provérbios 23:26, “dá-me o teu coração”, portanto, a escolha é sua!
 
 
- Saulo Daniel Lopes
 
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