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Oi, eu moro sozinho (a)

Jogue a solidão de lado e descubra as delícias de ter um espaço para chamar de seu

Fonte: guiame.com.br - PollyMariahAtualizado: sexta-feira, 3 de julho de 2015 10:40
Um pequeno guia de sobrevivência para quem mora ou pensa em morar sozinho
Um pequeno guia de sobrevivência para quem mora ou pensa em morar sozinho

Primeiramente deixe eu me apresentar. Meu nome é Polly, tenho 31 anos e moro sozinha.

Não! Isso não muda quem eu sou, mas ao menos faço parte das estatísticas dos jovens que sairam da casa dos pais ainda bem cedo para viver em outra cidade. No meu caso, comecei me mudando para São Paulo e depois vim me aventurar por dois anos morando na Inglaterra.

Eu sempre pensei que morar sozinha envolvia responsabilidade e ponto. Mas, daí me vi lidando com lista de compras para uma pessoa, contas para serem pagas sem atraso, um dia horrível de trabalho e uma pia de louça para lavar ao fim dele, uma privada entupida, uma lâmpada queimada e um chuveiro gelado às 2 da manhã e descobri a palavra pânico.

Depois de incorporar mais essa palavra no meu dicionário imaginário de uma garota morando sozinha, descobri outra palavra: a solidão. Não aquele tipo de solidão triste, mas a falta de brigar com sua irmã para ser a primeira a usar o banheiro pela manhã, de disputar o controlo remoto da televisão com sua mãe, de ver a cozinha cheia de seus familiares dando pitaco no menu da janta escolhido por seu pai.

Morar sozinha é também ter seus momentos de solidão e de falar sozinha, principalmente se você – assim como eu – vem de uma família grande.

E foi aí que aos poucos criei estratégias – além de dar oi e tchau para minha geladeira diariamente – de manter alguma sanidade e eis aqui meu pequeno guia de sobrevivência aos que assim como eu vivem sozinho.

Compre uma planta (ou um peixinho dourado) – O nome dele era Abraão, um peixinho inofensivo nadando dentro de um pote redondo de vidro que ficava em cima da minha mesa de trabalho competindo espaço com meus livros e revistas. Alimentado diariamente todas as manhãs e meu companheiro de desabafo, Abraão teve uma vida curta de cinco dias e morreu em uma bela manhã de segunda-feira quando achei que não alimentava o coitado suficiente e depois de uma overdose de bolinhas para peixes encontrei ele boiando e gordinho no pote. Seu sepultamente foi na mesma noite indo descarga abaixo. Daí, conheci a Madalena, uma plantinha horrenda que encontrei num vaso preto de plástico e que amei por muito tempo. Entre Madalenas e Abraãos, ter uma planta, um cachorro, um peixe ou até mesmo um papagaio é excelente para incentivar a si mesmo (mesmo que de uma maneira muito pequena) a cuidar de alguma coisa além de si mesmo.

Assista muita televisão – Em tempos de Nextflix e Apple TV não se sinta culpado de sentar em seu sofá e passar horas perdidas em programas de televisivos. Eu, por exemplo, me afundo em maratonas intermináveis de programas culinários que envolvem de Masterchef de qualquer lugar do mundo as receitas da Vovó Palmirinha, passando – ÓBVIO – por Jamie Olivier e Gordon Ramsay. E quando todos essas receitas fazem meu estômago roncar, eu corro para qualquer seriado policial, dramático e político. Não faça disso hábito, mas aproveitar seu sofá é um prêmio merecido.

Cozinhe enormes refeições – Só porque você mora sozinha não significa que tem que comer terrivelmente mal. Esqueça essa ideia! Miojo salva, os congelados também, o PF da padaria mais ainda, mas cozinhar mantém seu cerebro em funcionamento e deixa a casa com perfume de “casa de mãe”. Cozinhe enorme porções de comida, daquelas que você faz para um exército, depois congele tudo ou faça como eu que distribuo marmitas para a vizinhança, porteiro... Não saber cozinhar, não é desculpa em tempos de Youtube, se jogue na cozinhe e descubra no meio do processo como você gosta do sabor de cenoura cruas, do crocante da alface americana na salada e da importância de reduzir o sal.

Receba os amigos em casa – Sem dúvida minha parte favorita. Chame os amigos para dentro, deixe eles invadirem seu chão limpo com seus sapatos sujos, deixe eles sentarem em seu edredom que acabou de voltar da lavanderia. Não se importe com as gotas de água respingadas no espelho do banheiro, com o café derramado na mesa. Aproveite a companhia, sirva pipoca e guaraná e curta a ideia de que não é o fim do mundo ter sua casa invadida de vez em quando.

Encontre algo para fazer fora de casa – Não dá para conversar com as paredes brancas todo dia, você tem que encontrar coisas para fazer fora de casa – além dos eventos sociais e trabalho – vá remexer o esqueleto numa aula de Zumba ou encontrar algum equilíbrio na Yoga. Busque grupos de corrida anônimas e além de se exercitar faça amigos ou até mesmo encontre alguns amores, não importa o que faça, encontre espaço para manter sua mente sã e saia de casa.

Escreva escreva escreva – Whatsapp, Facebook, Instagram, Twitter ou no velho moleskine. Não importa! Aproveite a solidão para escrever, trocar mensagens e manter-se conectado a pessoas fora de seu apartamento em qualquer hora do dia. Não seja o chato que escreve tudo que faz e come. Que compartilha tudo o que lê, mas ter o Twitter como seu companheiro de vez em quando não mata ninguém.

Dance dance dance – Minha gente, Spotify está aí para isso! Escolha – ou faça – a sua playlist e dance sozinha,descalça ao redor de casa. Tenha certeza que seus vizinhos não estão te espiando em suas janelas e teste aqueles passinhos toscos que todos seus amigos já avisaram que você não pode tentar em lugar público, use a vassoura como companheiro de dança e se possível cante junto. Acredite, qualquer solidão vai embora para muito longe!

Converse com você fazendo vozes idiotas – É muito engraçado! E faz seus vizinhos se perguntarem se você é louca!

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PollyMariah - eu faço muitas coisas e escrevo muitas coisas, exatamente nessa ordem. Isso é tudo o que você precisa saber sobre mim, então pergunte-me qualquer coisa e podemos ser melhores amigos, para sempre.

 

 

 

 

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