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'Não, o Projeto Google+ não é uma rede social', afirma a Google

'Não, o Projeto Google+ não é uma rede social', afirma a Google

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:36

"O Google+ não é uma rede social", afirma Felix Ximenes, diretor de Comunicação da Google no Brasil. "Estamos levando um componente social para todos os produtos do Google. O maior cuidado que estamos tomando é evitar que as pessoas comparem com algo que já conhecem. Porque é diferente."

O Google+ é um site? Sim e não. Na verdade o site leva a uma ferramenta onde o internauta, dono de uma conta Google, monta e gerencia seus Círculos de amizade, muito semelhantes às listas do Facebook e do Twitter. Mas o funcionamento, em geral, está espalhado pela Web, a partir de marcadores sociais (âncoras) como o botão +1 para conteúdos, dentro e fora de produtos Google.

"O botão +1 é a ponta do iceberg desta estratégia", me explica Ximenes.

A fala fica ainda mais clara quando abro a caixa-postal e leio um e-mail enviado a clientes do serviço Google AdWords. A mensagem?

"Nas próximas semanas, seus resultados de pesquisas e anúncios no Google incluirão um botão +1, no qual os usuários podem clicar para recomendar seus anúncios. Você não precisa fazer alterações em sua conta para aproveitar os benefícios do botão. A URL da página de destino final de seus anúncios também poderá ser exibida no perfil do Google de qualquer usuário que marcar seu anúncio com +1. (...) Pense no botão "+1" como uma forma de as pessoas recomendarem seu produto ou serviço a todos os amigos e contatos. Ao ajudar as pessoas a visualizar anúncios mais relevantes e recomendados de uma forma mais pessoal, acreditamos que você receberá um tráfego mais qualificado."

É, sem dúvida, o Google usando tudo o que aprendeu com as desastrosas tentativas anteriores de ingressar nas redes sociais para turbinar seu principal negócio: a propaganda associada às buscas, colando no seu enigmático e poderoso algoritmo o componente que faltava: o toque humano da referência, baseada em preferências, interesses. Lembra do artigo "O Facebook é uma ameaça ao Google?". Pois vale ler outra vez… Enquanto o Facebook segue se esforçando em ser a sua casa na Web, o Google lembra que há vida lá fora, e que a sua casa tem sim, portas, janelas, mas também muros...

O objetivo do Google+ é "fazer com que a conexão entre as pessoas na web seja mais parecida com a da vida real". Razão pela qual, a construção dos Círculos não inclua entre seus princípios básicos o da reciprocidade. Você não precisa saber que está em alguns dos meus Círculos, como não preciso concordar em estar em alguns dos seus. Só preciso definir bem o que quero compartilhar, e espalhar meus sinais, assim como você vai espalhar os seus. Que vou poder ver ou não. Google+ promete permitir aos usuários "compartilhar apenas as coisas certas com as pessoas certas".

No início do ano, Lary Page reassumiu o comando da empresa com a missão de conduzir o Google pela estratégia social. A partir daí, o Google traçou o objetivo de tornar a busca mais inteligente, PESSOAL e INTERATIVA. Aos poucos, o enigmático e poderoso algoritmo do Google começou a centrar o foco nas nossas preferências. Não atoa, o vice-presidente sênior de engenharia da Google, Vic Gundotra, diz no post de apresentação do Projeto Google +, que ele "é um tipo diferente de projeto, exigindo um foco diferente - em você".

Junto com o Google+ e suas três ferramentas _ os Círculos, o Sparks (que exibe feeds de conteúdos de toda a rede que possam ser interessantes para você), e o Hangouts (para facilitar a comunicação por voz e vídeo com os participantes de um Círculo) _, o Google ampliou o alcance do botão +1 e lançou um novo serviço de busca chamado What Do You Love? (O que você ama?). Ao clicar no endereço, o internauta tem acesso a uma caixa bem simples, semelhante a da homepage do Google, com um botão de coração. Ao escrever o assunto, no entanto, abre-se uma série de resultados dividindo a tela com mais de 20 diferentes tipos de serviços da gigante tecnológica, incluindo o YouTube, mapas, visões em 3D, e-mail, entre outros.

Aos poucos, tudo estará conectado.

"Não dizemos que a Web está fragmentada? Pois estão... estamos criando a possibilidade de integrar tudo", diz Ximenes. Com um detalhe: é o usuário que escolhe que tipo de interligação quer promover para cada Círculo criado por ele.

Parece complicado demais? Pois os primeiros usuários andam alardeando justamente a facilidade de entender o conceito, ou parte dele. Acredito que parte dele, porque há muito ainda por tentar entender sobre a complexidade das nossas relações, inclusive off line. A proposta do Google nos forçará claramente a pensar nelas também na nossa vida online.

Se vai funcionar? Ainda é cedo para dizer. Mas não dá para negar que a Google se mexeu. E, ao se mexer, fez barulho, voltou a atrair a atenção do público com promessas encantadoras, justamente no momento em que enfrenta grandes pressões e desafios.

O governo americano decidiu promover aquela que já vem sendo apontada como a mais dura investigação antitruste contra a empresa. Quer saber o quanto ela abusa do seu poder econômico pela supremacia que exerce justamente no segmento de buscas, para manter a liderança também do mercado de publicidade associada às buscas.

Mas o que mais incomoda à gigante de buscas é o fato do Facebook estar conseguindo levar para sua casa (que ele diz ser a imagem e semelhança da nossa casa) todo o tráfego Web. Quando as pessoas usam o Facebook, na maior parte dos casos ficam fora do alcance dos motores de pesquisa do Google, que perde informações valiosas que poderiam beneficiar a sua pesquisa Web, publicidade e outros produtos. Portanto, o Google precisa recuperar, e rápido, o status de ser o ponto de entrada mais popular para a Web. E não só isso...

Veja. Em maio, 180 milhões de pessoas visitaram sites do Google, incluindo YouTube, em comparação com 157,2 milhões no Facebook, de acordo a comScore. Mas os usuários do Facebook olharam 103 bilhões de páginas e gastaram em média 375 minutos no site, enquanto os usuários do Google visitaram apenas 46.3 bilhões de páginas e 231 minutes. Isso é ruim para a publicidade. Em especial para os anúncios do tipo display, e com segmentação por contexto.

Porque você e e eu ainda não podemos experimentar os recursos Goggle+?  Primeiro porque o Google não quer repetir com ele os erros cometidos nos lançamentos de produtos como o Wave e o Buzz. Segundo porque, como terá impacto de cada produto do Google, tornando-os "socialmente compatível", no linguajar do próprio pessoal do Google, há muito ainda a resolver. Desde questões de engenharia (tráfego, carga em servidores, etc) até questões comportamentais, de privacidades, etc.

"Estamos em uma fase de aprendizado", diz Ximenes. O quanto ela vai durar? "Impossível saber. Vai depender da resposta dos primeiros usuários. No Brasil, algo entre 3 mil, um pouco mais".

"A intenção é discutir a nossa motivação para que as pessoas entendam onde estamos indo", explicou a Liz Ganne, do All Things Digital, o vice-presidente sênior de engenharia da Google, Vic Gundotra.

"Nós estamos chamando de Projeto Google+ por uma razão muito simples: ele é um modificador dos produtos Google. Não é um produto monolítico. Tivemos produtos antes: Blogger é um produto, o Orkut é um produto, Buzz é um produto. Este é um projeto e quando dizemos "projeto" significa que tem um escopo muito mais amplo. É algo que terá impacto no Google", completou o vice presidente de produto, Bradley Horowitz, na mesma entrevista.

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