
Duas turistas que moram em Belo Horizonte e voltaram do Egito, nesta quarta-feira (2), relataram momentos de desespero vividos no país por causa dos confrontos entre manifestantes favoráveis e contrários ao presidente Hosni Mubarak. A aposentada mineira Leonor Maria Lemos, de 71 anos, diz que teve medo de não voltar viva.
Vivemos um filme de terror. Chegamos a Giza e não podíamos sair do hotel. Não tínhamos acesso à internet e os telefones também não funcionavam. Não dava nem para comunicar com a família, disse a aposentada.
A professora universitária paulista Cláudia Ligotsk, de 37 anos, disse que a embaixada brasileira não prestou nenhuma assistência. Tentamos entrar em contato com a embaixada. Deixei recado na secretária eletrônica e ninguém me retornou. Minha família tentou entrar em contato com o Itamaraty, que nunca tinha informações, disse.
Ainda segundo a professora, no começo das manifestações, os funcionários do hotel em Giza pediam para que os turistas não saíssem dos quartos e que obedecessem ao toque de recolher. O pior momento vivemos no aeroporto. Passamos três dias sem comida e dormindo no chão. Crianças e mulheres gritavam desesperadas a todo o momento. Quando estávamos dentro do avião, pessoas passavam detectores de metais nas malas. Uma família foi retirada da aeronave por suspeita de ataque terrorista. Foi desesperador, disse.
As turistas afirmaram ainda que tanques eram vistos nas ruas e pontos turísticos, como as pirâmides de Giza, estavam fechados. Mas, segundo elas, em nenhum momento o povo mostrou qualquer tipo de agressividade contra turistas.
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