Nalbert põe fim a uma trajetória repleta de conquistas

Nalbert põe fim a uma trajetória repleta de conquistas

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:27

Em quase duas décadas de dedicação ao vôlei, sobram conquistas e boas histórias. Além dos títulos, o torcedor se acostumou a ver a corrida de braços abertos nas comemorações e até a mania de puxar o short. Mas chegou a hora de colocar um ponto final na trajetória. Sem alarde, como se apenas virasse uma página, Nalbert resolveu fechar um currículo repleto de grandes momentos. A menos de duas semanas de completar 36 anos, o capitão sai de cena.

- Até dói o coração dizer isso, mas chegou a hora de parar. O atleta é movido por desafio e metas. Hoje, sinto que não tenho mais metas a perseguir - explicou Nalbert.

Boas recordações não vão faltar para o carioca Nalbert Tavares Bittencourt. Ao longo dos últimos 19 anos, o ponteiro sorriu com medalhas, chorou no alto do pódio e, acima de tudo, venceu. Em todos os níveis. Foi o único jogador campeão mundial em três categorias: infanto-juvenil (1991, aos 17 anos), juvenil (1993, aos 19) e adulto (2002, aos 28). Limitar-se ao papel de coadjuvante não era a dele. Ao contrário, tornou-se um dos maiores nomes da Era Bernardinho, como capitão de uma geração vitoriosa.

- Sou um privilegiado, um abençoado de ter nascido quando o vôlei estava crescendo no país. Pude aproveitar toda a estrutura montada e colher os frutos do trabalho.

O atleta que agora se afasta dos holofotes sempre esteve acostumado a ser o centro das atenções. Até a pronúncia do nome foi discutida publicamente. A mãe, Dona Dilce, foi à televisão, descartou o “Nálbert” e pediu que as pessoas carregassem na última sílaba, citando “colher” como exemplo.

Quando começou a despontar no vôlei, o atacante logo teve de aprender a abraçar oportunidades. Em 1991, tinha 17 anos quando recebeu o chamado para a seleção brasileira. Na primeira competição, levantou a taça e foi eleito o melhor jogador. Aos 23, já tinha virado capitão, posto que manteve durante oito anos.

Como quase sempre acontece com os atletas, no entanto, a carreira não se construiu apenas com momentos de alegria. Dois anos após o título mundial de 2002, Nalbert rompeu um tendão do ombro esquerdo. A cirurgia aconteceu poucos meses antes das Olimpíadas de Atenas, e tudo levava a crer que o Brasil entraria em quadra sem o seu líder. Nada disso. Desmentindo prognósticos médicos, o atacante se juntou ao grupo e arrancou a medalha de ouro na Grécia.

Um salto para a areia

O acúmulo de conquistas fez o jogador buscar desafios fora da quadra. Mais precisamente, na areia. Em 2005, ele formou uma parceria com Guto e migrou para o vôlei de praia, onde ficou por um ano. O parceiro em 2006 já era Luizão, quando Nalbert, inquieto, decidiu fazer o caminho de volta. A rápida readaptação à quadra o levou de volta a um ambiente familiar: a seleção.

A rotina de títulos continuou. Em 2007, Nalbert faturou a Liga Mundial, garantindo mais um título à Era Bernardinho. No mesmo ano, ele queria disputar os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, para colocar na estante o único título que lhe faltava. Não foi o que aconteceu. Em plena forma aos 33 anos, o ponteiro sofreu um estiramento na parte posterior da coxa esquerda e não pôde disputar o torneio em sua cidade natal.

A recuperação se desenhou com a assinatura de contrato com o Minas - seu sétimo clube na carreira de jogador profissional - para disputar a Superliga, mas não antes de uma provação. No início dos treinamentos, Nalbert sofreu uma grave lesão no ombro direito. Em agosto de 2007, foi para a mesa de cirurgia e ficou oito meses afastado das quadras. A volta aconteceu na decisão do torneio nacional, com emoção de sobra ao ser aplaudido até por torcedores adversários.    

Corte e decepção

O ombro, no entanto, ainda doía, e o craque pensou em parar. Quando a carreira parecia chegar ao fim, veio a surpresa. Nalbert apareceu como uma das novidades na lista de Bernardinho para a Liga Mundial. Aos 34 anos, decidiu encarar o desafio da seleção na temporada de 2008: conquistar a medalha de ouro nos Jogos de Pequim. Dois meses antes das Olimpíadas, ele mergulhou nos treinos em Saquarema, mas sofreu novo golpe, com um corte inesperado em julho.

A dispensa encerrou o ciclo do jogador na seleção, mas não no vôlei. Em outubro de 2008, ele voltou à praia, agora formando dupla com Franco. O ritmo, no entanto, já era outro, o que possibilitava uma dedicação maior à vida pessoal.

Foi nesta época que o craque conheceu a atriz Amandha Lee, com quem se casou em maio de 2009. Em outubro do ano passado, assumiu um novo papel: o de pai, quando Amandha deu à luz Rafaela. Àquela altura, Nalbert já estava realizado, com uma família sólida e uma extensa lista de glórias dentro da quadra.

- Encerrei meu ciclo de atleta, mas quero começar um novo ciclo dentro do esporte. Não como técnico, mas gostaria de atuar como dirigente. Inclusive, vou fazer um curso de gestão no Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Também gosto da ideia de comentar jogos e dar palestras. Aliado a isso, tenho meus empreendimentos - contou o, agora, ex-jogador.

Por: Carol Oliveira

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