Deficientes auditivos reclamam de aplicação e correção do Enem

Deficientes auditivos reclamam de aplicação e correção do Enem

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:25

Cinco alunos do Rio de Janeiro que sofrem de deficiência auditiva entraram, no início do mês, com uma representação na Defensoria Pública da União, denunciando não terem recebido a atenção adequada por parte da organização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Eles dizem ter havido problemas com os intérpretes durante a prova e questionam a correção do exame.

Pela lei vigente no país, os deficientes auditivos devem receber acompanhamento especial de um intérprete de libras no decorrer da prova e a correção, sobretudo de questões dissertativas e redações, deve ser flexível e valorizar o conteúdo semântico do que o aluno pretendia expressar.

Segundo o defensor André Ordacgy, que acolheu a representação, esses cuidados são necessários porque a libra, linguagem com a qual os surdos se comunicam, não tem a diversificação gramatical e vocabular da língua portuguesa. Um exemplo, diz o defensor, é que os verbos não são conjugados.

"O mais incrível é que um exame organizado pelo MEC não cumpre as próprias regras do governo", diz Ordacgy.

Rosilene Lerbak, mãe de um dos alunos que se sentiu prejudicado, questiona o fato de a maior parte dos colegas de seu filho ter tirado a mesma nota na redação: 250 (de 0 a 1000).

"Será que essas redações foram corrigidas por um professor que tinha conhecimento de libras? Por que todos tiraram a mesma nota?", pergunta.

Procurado, o MEC informou que entende ter cumprido todas as especificações da legislação, mas disse ainda não ter recebido nenhum comunicado oficial sobre o caso específico dos candidatos surdos.

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