Queermuseu volta a receber crianças em exposição, no Rio de Janeiro

O local da exposição não tem nem mesmo a obrigação de colocar avisos sobre a classificação indicativa para entrar no Queermuseu.

Fonte: Guiame, com informações do Globo e Agência BrasilAtualizado: segunda-feira, 17 de setembro de 2018 15:02
Quadro expõe a homossexualização de crianças no Queermuseu. (Foto: Reprodução/Facebook)
Quadro expõe a homossexualização de crianças no Queermuseu. (Foto: Reprodução/Facebook)

No dia 18 de agosto, o Santander Cultural voltou a lançar a polêmica exposição Queermuseu — que gerou tantos protestos há um ano, durante sua realização em Porto Alegre — na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Na época, a exposição foi duramente criticada sob acusações de promover a pedofilia, zoofilia e ofender o cristianismo, vilipendiando imagens de Jesus Cristo.

Apesar do juiz Pedro Henrique Alves, da 1º Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, determinar que a exposição não poderia receber menores de 14 anos desacompanhados dos pais ou responsáveis, a decisão foi revogada e crianças voltaram a ter acesso ao local.

Após a decisão ser considerada um tipo de "censura" por boa parte dos favoráveis à exposição, o Ministério Público explicou que não houve intenção de proibir e sim de "orientar" os pais, exigindo que fosse colocado um aviso com a classificação indicativa na entrada do local, alertando sobre as obras com conteúdo de sexo e nudez.

"Não houve pedido de proibição para menor de 14 anos por parte do MP. O MP, em nenhum momento, pediu a proibição à Justiça. O MP enviou recomendação aos expositores, com base em decisão do Ministério da Justiça, que estabeleceu classificação indicativa como critério apenas de orientação para os pais", esclareceu o Ministério Público em uma nota oficial, há cerca de um mês.

Agora, o Queermuseu celebra o que chama de "vitória contra a censura". Ao final do mês de agosto, o Tribunal do Rio de Janeiro (TJ - RJ) revogou a decisão do juiz Pedro Henrique, que exigia a instalação de avisos sobre a classificação indicativa.

"O objetivo é exatamente mostrar que não há essa questão que foi colocada, de uma exposição de arte que incentiva a pedofilia, a zoofilia ou de ter feito vilipêndio religioso. É uma exposição para ser visitada pelas crianças para que elas tenham realmente uma percepção cultural e artística muito interessante sobre esse tema", disse o diretor da Escola de Artes Visuais, Fabio Szwarcwald.

Szwarcwald confirmou que seus próprios filhos foram as primeiras crianças menores de 14 anos a conferirem de perto as 263 obras de 85 artistas da mostra, na montagem carioca.

Arquivo

A exposição “Queermuseu” foi inaugurada em 14 de agosto de 2017 em Porto Alegre, e deveria ficar em cartaz até 8 de outubro do mesmo ano. Porém o grande número de protestos contra o evento levou o Santander Cultural a cancelar a mostra e devolver à Receita Federal os R$ 800 mil captados via Lei Rouanet para sua realização.

A grande polêmica teve início quando foram publicados alguns vídeos das obras das artistas Adriana Varejão e Bia Leite na internet, com imagens de conteúdo sexual dentro de um contexto histórico e uma pintura de duas criança com as frases "criança viada deusa das águas" e "criança viada travesti da lambada".

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