Mãe muçulmana queima viva a própria filha, que "desonrou a família"

O crime aconteceu após a jovem paquistanesa, Zeenat Rafiq, de 18 anos, ter se casado com um rapaz que sua família desaprovava. A mãe da moça confessou o ato, mas a polícia acredita que ela não agiu sozinha.

Fonte: Guiame, com informações do Christian PostAtualizado: sexta-feira, 10 de junho de 2016 16:00
Matar "em nome da honra" é um grande problema no Paquistão, considerando até 11.000 mulheres foram mortas no ano passado. (Foto: Reuters)
Matar "em nome da honra" é um grande problema no Paquistão, considerando até 11.000 mulheres foram mortas no ano passado. (Foto: Reuters)

Uma mãe em Lahore, Paquistão, acabou tocando fogo na própria filha, acusando a jovem de ter "desonrado a família" por se casar sem o consentimento dos pais.

A BBC News informou que o corpo de Zeenat Rafiq, de 18 anos, já foi enterrado em Lahore, enquanto a investigação do caso continua. A mãe da moça está sob custódia depois de ter confessado o crime. Este já é o terceiro caso desse tipo, em apenas um mês no Paquistão.

Zeenat tinha se casado Hassan Khan, um homem com quem sua família tinha proibido a moça de namorar / se casar. Após a união matrimonial, a moça foi viver com a família dele.

"Quando ela contou aos pais sobre nós, eles bateram tanto nela que ela sangrou pela boca e pelo nariz", disse Khan à BBC local.

"Sua família a atraiu de volta, prometendo reconciliação e uma recepção de casamento apropriada. Ela estava com medo, ela disse 'eles não vão me poupar'. Ela não queria ir, mas a minha família a convenceu que era o certo a fazer. Como poderíamos adivinhar que eles iria matá-la?".

O superintendente da polícia, Nisar ibadat disse que eles não acreditam que a mãe, Parveen Rafiq, tenha agido sozinha.

"Sua mãe confessou o crime, mas achamos difícil de acreditar que uma mulher de 50 anos de idade cometa este ato sozinha, sem a ajuda de outros membros da família", disse Nisar, observando que o irmão da vítima está desaparecido.

Matar "em nome da honra" é um grande problema no Paquistão, considerando até 11.000 mulheres foram mortas no ano passado, nesses casos, de acordo com a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP).

"Então, quando as mulheres se tornam mais assertivas, relutantes em se contentar com as regras impostas dentro de suas famílias - por exemplo, quando elas insistem em estudar mais ou quando elas querem tomar decisões independentes sobre si mesmas - então a sociedade não permite que façam isso", disse Najam L Din, diretor conjunta da HRCP.


Punição?
A província de Punjab aprovou no início deste ano (2016), uma lei que criminaliza todas as formas de violência contra as mulheres, porém mais de 30 grupos religiosos, incluindo todos os partidos políticos islâmicos tradicionais estão contestando a nova legislação.

O Conselho da Ideologia Islâmica afirmou que é aceitável que os maridos "batam levemente" em suas esposas, caso elas os contrariem.

O 'The Guardian' observou que, em um caso semelhante na semana passada, a jovem Maria Sadaqat, de 19 anos, foi linchada e queimada até a morte em uma aldeia perto de Islamabad, por se recusar a aceitar uma proposta de casamento. Em outro caso, em abril, uma adolescente de 16 anos de idade foi assassinada por ajudar uma amiga a fugir de um casamento, segundo a polícia.

As minorias religiosas, incluindo os cristãos, também têm enfrentado perseguição significativa na nação que é de maioria muçulmana. Mulheres cristãs têm sido brutalmente atacadas em várias ocasiões.

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