Líderes evangélicos repudiam fake news sobre ‘padroeira do Brasil’

CIMEB afirma que não há iniciativa de líderes evangélicos para retirar feriados ou símbolos católicos e critica uso político da desinformação.

Fonte: Guiame, com informações do Poder360 e Agência BrasilAtualizado: terça-feira, 29 de setembro de 2026 às 13:01
Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. (Foto: José Cruz/Arquivo Agência Brasil)
Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. (Foto: José Cruz/Arquivo Agência Brasil)

O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (CIMEB), entidade que reúne mais de 10 mil pastores de diferentes denominações, divulgou uma nota de repúdio após a disseminação de uma informação falsa envolvendo evangélicos, Nossa Senhora Aparecida e a campanha presidencial de 2026.

Assinada por 14 líderes evangélicos, a manifestação ocorre depois que ganhou força nas redes sociais a alegação de que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) estaria ligado a uma iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Conforme matérias de importantes veículos, a informação é falsa. Não existe projeto de Flávio Bolsonaro com esse objetivo.

Apesar disso, o caso ganhou dimensão nacional nos últimos dias e passou a alimentar uma disputa política com forte componente religioso às vésperas do primeiro turno das eleições.

Repúdio de líderes evangélicos

Na nota, o CIMEB afirma repudiar “com veemência” o uso da informação falsa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus apoiadores para atingir um adversário político e alerta para o risco de estimular um conflito entre católicos e evangélicos.

“Evangélicos e católicos vivem em paz. Não existe nenhuma iniciativa por parte de líderes evangélicos, junto a nenhuma candidatura, para promover o cancelamento de feriados ou cultos de qualquer religião”, afirma a entidade.

A nota termina com a declaração: “Deus abençoe o Brasil!”.

Além de Malafaia e Cláudio Duarte, assinam a nota os pastores César Augusto, Robson Rodovalho, Estevam Hernandes, Samuel Câmara, Galdino Júnior, Jabes de Alencar, Teó Hayashi, Luiz Hermínio, Ezequiel Teixeira, Paulo Roberto, Marcus Gregório e Simonton Araújo.

Como começou a controvérsia

A discussão ganhou força na quinta-feira (24), depois de uma informação apresentada na GloboNews sobre uma suposta mobilização de evangélicos para alterar a condição de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.

Horas depois, a própria GloboNews reconheceu o erro e fez uma correção pública durante a edição da meia-noite. A emissora esclareceu que a proposta mencionada não era atual e pediu desculpas.

O projeto citado era, na realidade, o PL 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli (PMDB-MT).

A proposta pretendia modificar a Lei 6.802/1980, substituindo a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto mantinha o feriado nacional de 12 de outubro.

O projeto foi rejeitado quanto ao mérito e arquivado pela Câmara dos Deputados em 22 de agosto de 2008, quase duas décadas antes da atual eleição presidencial.

Não há ligação entre a autoria daquele projeto e Flávio Bolsonaro.

Apesar da correção feita pela emissora, a alegação passou a circular amplamente nas redes sociais associada ao candidato do PL.

Desinformação entrou na campanha eleitoral

A repercussão rapidamente ultrapassou as redes sociais.

A primeira-dama Janja Lula da Silva publicou uma fotografia do presidente Lula segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também se pronunciou afirmando que as tradições religiosas permaneceriam “protegidas e preservadas” durante o governo.

Na segunda-feira (28), durante um ato de campanha em Belém (PA), Lula voltou ao assunto e afirmou que, enquanto fosse presidente, ninguém iria “avacalhar com Nossa Senhora Aparecida”.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, negou qualquer intenção de alterar o título e afirmou que a informação estava sendo utilizada politicamente contra sua candidatura.

A Folha de S.Paulo classificou a alegação sobre o candidato como notícia falsa e informou que o episódio se tornou “munição de rivais”, sendo explorado também por integrantes da campanha adversária.

Caso chegou ao TSE e ao STF

A controvérsia também provocou decisões divergentes no Judiciário.

Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que plataformas removessem publicações que apresentassem como verdadeira a alegação de que Flávio Bolsonaro ou sua família pretendiam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Na decisão, Mendonça classificou a informação como “notoriamente inverídica”. Segundo a CNN Brasil, a determinação alcançava inicialmente 1.170 links.

O ministro entendeu, em análise preliminar, que havia conteúdo “objetivamente falso, informação fabricada ou grave descontextualização” capaz de interferir na formação da vontade do eleitor.

Dois dias depois, no domingo (27), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a aplicação da decisão a uma postagem do humorista Antonio Tabet e a outros conteúdos excluídos sob o mesmo fundamento.

Dino observou que a postagem analisada não citava nominalmente Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família e considerou que não havia, naquele caso, grau suficiente de certeza sobre a ilicitude para justificar a restrição à liberdade de expressão.

Nesta segunda-feira (28), a campanha de Flávio pediu ao ministro Luiz Fux, do STF, a suspensão da decisão de Dino, argumentando que cabe à Justiça Eleitoral analisar a disseminação de desinformação capaz de interferir no processo eleitoral. O caso deverá ter novos desdobramentos no Supremo.

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