Kim Jong-un admite crise alimentar na Coreia do Norte, mas culpa clima e pandemia

Cerca de 40% da população necessita de ajuda alimentar urgente, mas o ditador se recusa a aceitar ajuda internacional.

Fonte: Guiame, com informações de Portas Abertas e CNNAtualizado: segunda-feira, 21 de junho de 2021 18:29
O reconhecimento do ditador Kim Jong-un, de que há fome no país, demonstra a gravidade da situação na Coreia do Norte. (Foto: KCNA via KNS/AFP Getty Images)
O reconhecimento do ditador Kim Jong-un, de que há fome no país, demonstra a gravidade da situação na Coreia do Norte. (Foto: KCNA via KNS/AFP Getty Images)

O líder ditador da Coreia do Norte participou de uma importante reunião com o partido, no dia 14 de junho, e admitiu que há escassez de alimentos no país. “A situação alimentar das pessoas está ficando tensa", reconheceu.

De acordo com a agência de notícias estatal, KCNA, a declaração foi dada em plenário no comitê central do Partido dos Trabalhadores norte-coreano, onde ele também pediu por medidas de combate à fome.

O ditador culpou os tufões, que passaram pelo território em 2020, pela insuficiente colheita de grãos e pela situação de pandemia que todas as nações enfrentam. Ele argumentou que o mundo todo está em crise e por isso a Coreia do Norte também foi atingida.

Escala da escassez

Apesar do ditador não divulgar a escala da escassez, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) estimou recentemente que a Coreia do Norte carece de aproximadamente 860 mil toneladas de alimentos. 

Essa quantidade equivale a pouco mais de dois meses de suprimentos a nível nacional. A situação já era séria em abril, por isso Kim incitou os norte-coreanos a se prepararem para outra "marcha árdua" — termo usado para se referir à fome devastadora na década de 1990, que matou centenas de milhares de pessoas.

Atualmente, de acordo com a ONU, estima-se que 10 milhões de pessoas, ou seja, 40% da população necessita de ajuda alimentar urgente. Mas a vigilância acirrada nas fronteiras dificultou que ONGs enviassem comida para socorrer a população norte-coreana. 

Valor super elevado dos alimentos

Além da escassez de alimentos, o preço dos itens disponíveis subiu de forma acelerada. Para se ter uma ideia, um quilo de banana, por exemplo, está custando 225 reais.

Segundo o portal de notícias DailyNK, muitas famílias venderam as próprias casas para comprar comida. Isso fez com que o número de desabrigados aumentasse. Eles agora vivem nas ruas ou estações de trem. 

“É muito incomum para Kim Jong-un expressar publicamente as dificuldades da situação do país e relatá-la à mídia central — os integrantes da família Kim são tratados como deuses na Coreia do Norte e raramente admitem problemas ou erros”, explicou Timothy Cho (nome alterado por razões de segurança), um cristão norte-coreano refugiado.

A Coreia do Norte não aceita ajuda internacional

Por valorizar a autossuficiência, o país comunista não cede a acordos com outras nações que oferecem ajuda. Porém, os mais afetados pelas consequências do orgulho nacionalista é a própria população. 

“Se Kim continuar a rejeitar todo o apoio internacional disponível, e continuar se concentrando em armas nucleares, milhões de norte-coreanos comuns pagarão o preço”, concluiu Cho.

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