Haiti é abalado por terremoto após 10 anos da última tragédia: 1300 mortos e 5700 feridos

Várias instituições cristãs já estão no local fornecendo assistência humanitária para as famílias mais afetadas.

Fonte: Guiame, com informações de Christian PostAtualizado: segunda-feira, 16 de agosto de 2021 14:45
Mulher observa o que sobrou de uma casa que desabou no terremoto deste sábado (14), em Les Cayes, no Haiti. (Foto: Duples Plymouth/AP)
Mulher observa o que sobrou de uma casa que desabou no terremoto deste sábado (14), em Les Cayes, no Haiti. (Foto: Duples Plymouth/AP)

O terremoto de magnitude 7,2 que atingiu o Haiti, na manhã de sábado (14), vai intensificar ainda mais a crise humanitária vivida no país. Além da escassez de alimentos e o aumento das taxas de violência durante a pandemia, os haitianos terão de enfrentar também a perda de bens materiais e entes queridos.

Até agora foram registradas quase 1300 mortes e pelo menos 5700 feridos. O terremoto derrubou e danificou prédios, incluindo igrejas, no sudoeste do Haiti. Grupos cristãos estão fornecendo assistência humanitária imediata, conforme o Christian Post. 

De acordo com a avaliação do US Geological Survey (USGS), o número pode subir e chegar a milhares. Na região atingida, grande parte da população reside em estruturas que são vulneráveis ​​a abalos sísmicos. 

“As ruas estão cheias de gritos”

O líder cristão Abiade Lozama, da Igreja Episcopal em Les Cayes, disse que estava se reunindo com professores e pais para discutir os planos de voltar à escola quando o terremoto atingiu a cidade. 

O terremoto, que ocorreu por volta das 8h30, horário local, atingiu cerca de 5 milhas da cidade de Petit Trou de Nippes, que fica a 93 milhas a oeste da capital Porto Príncipe, e foi sentido em todo o Caribe. Foi seguido por uma série de tremores secundários, conforme o USGS.

“As ruas estão cheias de gritos, as pessoas estão procurando por familiares e buscando recursos, ajuda médica e água”, contou Lozama. Ele ainda relatou que as pessoas ficam sentadas esperando por alguma notícia. 

“Mas não há notícias. Não se sabe nada sobre os familiares e não há como saber quem irá ajudá-los nessa situação. Quando acontece uma catástrofe dessas, as pessoas esperam por uma ajuda ou algum tipo de apoio do estado. Mas não há nada. Nenhuma ajuda”, observou.


Compassion, no Haiti. (Foto: Reprodução/Christian Post)

Mais forte que o terremoto de 2010

O terremoto de magnitude 7,2, ocorrido no sábado, foi mais poderoso do que o tremor de 7,0 que atingiu a ilha em 2010, matando mais de 300 mil pessoas.

O professor Richard Olson, da Florida International University, que estuda a política de desastres, disse que ficou espantado ao ver outro terremoto atingindo o Haiti. 

“Estamos no meio da temporada de furacões. Eles nunca se recuperaram realmente do evento de 2010. Depois do assassinato [do presidente] e da instabilidade política atual, tenho receio do que mais pode dar errado para os haitianos”, disse. 

Em 7 de julho, o presidente haitiano, Jovenel Moise, foi assassinado. Sua morte reacendeu tensões históricas entre o norte do Haiti e o oeste, onde fica a capital, Porto Príncipe. 

“Junto com os efeitos de um terremoto cujos danos não foram avaliados oficialmente, temos uma pandemia e a ameaça da tempestade tropical Grace, que ainda deve atingir o território haitiano”, observou Marcelo Viscarra, diretor nacional da organização evangélica de ajuda Visão Mundial no Haiti.

Ajuda humanitária

A Visão Mundial disse que já preparou suprimentos para fornecer assistência humanitária imediata a 6 mil pessoas. Além disso, está mobilizando pessoal para Les Cayes para estimar com precisão os danos e as necessidades das famílias mais afetadas.

A organização cristã de patrocínio infantil, Compassion International, disse em sua página no Facebook que sua equipe de ajuda em caso de desastres naturais já está na região para ajudar crianças e pais afetados pelo terremoto.

A Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais também está fornecendo ajuda de emergência. “A partir de nossas avaliações, a principal preocupação é cuidar dos feridos”, disse Elian Giaccarini, coordenador de gerenciamento de emergência da ADRA para o Caribe. 

“Neste momento, estão sendo feitas avaliações dos danos. Um dos principais desafios é a extrema dificuldade de entrar nas áreas onde há gangues que dificultam o acesso às áreas afetadas”, disse Giaccarini. 

“Também estamos preocupados com a tempestade Grace. A situação é extremamente complexa devido à violência e o deslocamento massivo de populações”, continuou.

A pobre nação já estava lutando com as consequências sociais e políticas do assassinato do presidente. O Haiti também viu um aumento na criminalidade desde o ano passado. 

O Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti afirmou em um relatório de fevereiro que houve 234 sequestros nos 12 meses anteriores, um aumento de 200% em relação ao ano anterior. Autoridades no Haiti relataram 1.380 assassinatos em 2020. 

De acordo com o grupo de vigilância Fondasyon Je Klere, mais de 150 gangues operam no Haiti. Nas redes sociais, há diversas manifestações de apoio e oração pelo Haiti.

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