EUA interceptam cinco foguetes e evitam novas explosões no aeroporto de Cabul

Os americanos atacaram militantes do Estado Islâmico-K, no mesmo dia em que receberam os corpos dos 13 militares mortos durante operação resgate.

Fonte: Guiame, com informações de CNN e G1Atualizado: segunda-feira, 30 de agosto de 2021 14:00
Fuzileiros navais dos EUA e civis durante uma evacuação no Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, Afeganistão, dia 20 de agosto de 2021. (Foto: AFP/Nicholas Guevara/US Marine Corps)
Fuzileiros navais dos EUA e civis durante uma evacuação no Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, Afeganistão, dia 20 de agosto de 2021. (Foto: AFP/Nicholas Guevara/US Marine Corps)

Nesta segunda-feira (30), o sistema de defesa antimísseis dos Estados Unidos interceptou cinco foguetes lançados contra o aeroporto de Cabul, no penúltimo dia das tropas dos Estados Unidos no país. A informação é da agência Reuters. 

A ameaça terrorista do Estado Islâmico K, também conhecido por ISIS-K, interferiu na retirada dos Estados Unidos do Afeganistão, além de ter comprometido a segurança de norte-americanos e afegãos que aguardavam no aeroporto a fim de deixarem o país. 

Conforme o G1, após a explosão nos arredores do aeroporto de Cabul, o número de mortos gira em torno de 170 afegãos, 13 soldados americanos e mais de 200 pessoas feridas. Tropas dos EUA aceleram operação para resgatar seus cidadãos; ao mesmo tempo, tentam não deixar para trás tradutores e outros afegãos que ajudaram a embaixada. 

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, está comprometido com o prazo final de terça-feira (31) para a saída total de uma guerra de 20 anos no Afeganistão. A situação no Aeroporto Internacional Hamid Karzai continua caótica. O Pentágono voltou a alertar que novos ataques são iminentes.


Vítimas foram enterradas, em Cabul, Afeganistão. (Foto: Omar Sobhani/Reuters)

Sobre as vítimas

Na sexta-feira (27), em Cabul, as vítimas começaram a ser enterradas. No domingo (29), os corpos dos 13 jovens militares chegaram na pista do aeroporto da base militar de Delaware, nos Estados Unidos. Cinco dos 13 soldados mortos tinham apenas 20 anos.

O caso de uma jovem de 23 anos morta no atentado suicida despertou grande emoção no país. Uma semana antes do ataque, ela foi fotografada com um bebê nos braços durante as caóticas operações de evacuação no aeroporto de Cabul.


A sargento Nicole Gee estava entre os 13 militares mortos na explosão próxima ao aeroporto de Cabul. (Foto: Reprodução/Facebook/New York Times)

Nicole Gee, falou para o pai que estava vivendo o melhor momento da vida ao ajudar mulheres e crianças a sair do país. Gee apareceu em uma foto segurando um bebê, postada pelo Departamento de Defesa americano, em meio à retirada caótica. Ela passou 24 horas cuidando da criança. Uma semana depois, morreu no atentado.

Entre as vítimas estava Darin Taylor Hoover, de 31 anos, o mais velho. Johanny Rosario, 25 anos, era encarregada de revistar mulheres e meninas. Daegan William-Tyeler Page tinha 23 anos, e segundo seus parentes, estava ansioso para voltar para casa depois de servir no Corpo de Fuzileiros.

 Cinco tinham 20 anos e nasceram no mesmo ano em que os Estados Unidos invadiram o Afeganistão – após os atentados de 11 de setembro de 2001. Mas não viveram para o ver o fim dessa história.

Ryle McCollum, 20 anos, casou-se em fevereiro e já ia ser pai. Chegou ao Afeganistão há duas semanas para a operação de retirada. Maxton Soviak, 20 anos, jogava futebol americano. Kareem Nikoui, 20 anos, queria ser fuzileiro naval desde pequeno.


Momento em que os corpos dos 13 soldados chegam aos EUA. (Foto: AFP)

Durante a homenagem no momento da chegada dos corpos dos militares, o silêncio foi interrompido pelo choro dos familiares, que ficaram distantes das câmeras. Duas das treze famílias solicitaram que a descida dos restos mortais de seus respectivos entes queridos não fosse filmada. 

Estavam presentes na homenagem, Joe Biden e a primeira-dama Jill Biden, o chefe do Pentágono, Lloyd Austin, o secretário de Estado, Antony Blinken, o chefe do Estado-Maior, general Mark Milley e outros oficiais militares seniores.

Enquanto isso, a operação de resgate continua no Afeganistão, militares americanos dependem cada vez mais do Talibã para fazer a segurança nos arredores do aeroporto. Os antigos inimigos agora revistam as pessoas e aumentaram a área isolada por barreiras.

Estados Unidos revidam

Os Estados Unidos realizaram um ataque com míssil contra militantes do Estado Islâmico em Cabul, neste domingo (29), disseram autoridades norte-americanas. O “ataque defensivo” teve como objetivo eliminar uma ameaça iminente do grupo contra o aeroporto da cidade.

As autoridades, falando sob condição de anonimato, disseram à Reuters que o alvo do ataque foram supostos militantes do ISIS-K, um grupo que é inimigo tanto do Ocidente quanto do Talibã.

De acordo com o governo americano, a explosão atingiu um carro que levava homens-bomba com destino ao aeroporto. “Temos certeza de que atingimos o alvo”, disse Bill Urban, porta-voz do Comando Central. Não há relatos de vítimas. 


EUA reagem a atentado e atacam alvo do Estado Islâmico-K. (Foto: Stringer/EFE)

O ataque dos EUA ocorreu enquanto cerca de 1.000 civis esperavam no aeroporto para serem retirados antes da partida das últimas tropas, disse um oficial de segurança ocidental à Reuters.

“Queremos garantir que todos os civis estrangeiros e aqueles que estão em risco sejam evacuados hoje. As forças começarão a voar assim que esse processo terminar”, disse a autoridade.

Pelo menos 4 mil soldados permaneceram no aeroporto. Até agora, os EUA e seus aliados retiraram cerca de 114.400 pessoas do país nas últimas duas semanas, entre elas estrangeiros e afegãos vulneráveis. Mas, é possível que dezenas de milhares ficarão para trás.

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