Marisa Lobo denuncia preconceito contra ex-lésbica em curso de Psicologia do Paraná

Raquel Celeste é representante de turma em seu curso na UNOPAR e foi uma das nove pessoas que prestaram depoimento na audiência, realizada semanas atrás, na qual oito delas relataram ter abandonado a homossexualidade.

Fonte: GuiameAtualizado: quarta-feira, 11 de novembro de 2020 18:15
A audiência realizada no plenário 9 da Câmara Federal contou com a participação de ex-gays e também da psicóloga Marisa Lobo
A audiência realizada no plenário 9 da Câmara Federal contou com a participação de ex-gays e também da psicóloga Marisa Lobo

Uma estudante de psicologia estaria sendo vítima de preconceito por parte de seus professores e colegas na Unopar, universidade onde estudava no Paraná. A aluna se declarou ex-lésbica na ocasião e, em junho de 2015, participou de uma audiência pública idealizada pela psicóloga Marisa Lobo e proposta na Câmara pelo deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP).

Ela estava entre nove pessoas que prestaram depoimento na audiência, realizada semanas atrás, na qual oito delas relataram ter abandonado a homossexualidade, assegurando que é possível haver uma reorientação sexual, caso este seja o desejo do indivíduo.

A participação da estudante na audiência gerou revolta entre alunos e professores da Unopar e alguns chegaram a caluniar a aluna. 

A denúncia sobre tal perseguição foi feita por Marisa Lobo, que também teve acesso a um breve depoimento da estudante. Segundo Marisa, a atitude tomada pelos colegas segue uma linha de pensamento já existente e adotado por muitos professores e alunos na própria universidade.

“Alunos do curso de Psicologia da Unopar já haviam me confidenciado que durante as aulas, não se pode falar que ex-gays existem. Esse assunto é proibido. Há um grande preconceito, como se fosse até algum tipo de tabu. Parece que eles têm medo de reconhecer a existência dessas pessoas”, disse a psicóloga.

Conselho de Psicologia

Logo a pós a audiência pública da qual a aluna participou, o próprio Conselho Federal de Psicologia (CFP) emitiu uma nota em seu site oficial, criticando a proposta e apontando a sessão como uma ‘tentativa de derrubar a resolução 199, já oficializada em seu estatuto’ – na qual psicólogos são proibidos de orientar homossexuais, caso estes queiram abandonar a homossexualidade – e voltou a relacionar a audiência com a chamada ‘cura gay’.

Marisa Lobo protestou mais uma vez contra a resolução do Conselho e destacou que não só é direito dos homossexuais optarem por uma reorientação sexual, como já existem muitos casos de pessoas que o conseguiram, por vontade própria.

“Essas pessoas são seres humanos e existem, lutam para serem reconhecidos pelo conselho de psicologia como pessoas que tem direitos humanos, direitos constituído de fazem com sua orientação sexual o que desejarem, inclusive de lutar por esta mudança seja por qual motivo for e buscar ajuda para isso”, disse.

*Esta matéria foi atualizada em novembro de 2020, devido a mudanças de posicionamento da estudante referida.

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