
O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) afirmou que irá propor a criminalização do sionismo, classificando o movimento como uma forma de racismo.
O sionismo é movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e a existência de um Estado nacional judeu independente e soberano.
Em postagem na rede social X, o parlamentar disse que irá apresentar o projeto de lei à bancada do PSOL quando iniciar seu mandato em 2027.
A declaração de Jones foi uma resposta a uma sugestão do jornalista Breno Altman. No X, Breno, que chegou a publicar um livro contra o sionismo, escreveu:
“Uma boa medida dos deputados de esquerda mais combativos seria apresentar, na próxima legislatura, um projeto de lei que classifique o sionismo como uma forma de racismo e discriminação racial, nos mesmos termos da resolução 3379 aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 1975, vigente até 1991. Seria um baita gesto!”.
O deputado Jones repostou a publicação e respondeu: “Pode deixar, Breno. Pautaremos isso junto com a bancada do PSOL”.
Pode deixar, Breno. Pautaremos isso junto com a bancada do PSOL.
— Jones Manoel (@jonesmanoel_PE) November 1, 2026
Perseguição de judeus
A organização pró-Israel StandWithUs condenou a proposta de Jones em uma nota pública, divulgada nas redes socias na quinta-feira (5).
“A StandWithUs Brasil repudia veementemente a proposta anunciada pelo deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE). O sionismo é o movimento de autodeterminação do povo judeu em sua terra ancestral. Para a grande maioria dos judeus, no Brasil e no mundo, ele é parte de sua identidade. Criminalizá-lo significa, na prática, transformar em crime a expressão de uma identidade nacional e abrir caminho para a perseguição de judeus pelo Estado”, afirmou.
Para a organização, a proposta é antissemita: “Negar aos judeus um direito reconhecido a todos os outros povos é uma forma de antissemitismo. O combate ao racismo é uma tarefa fundamental da democracia brasileira e não pode ser usado para restringir os direitos de uma minoria. O antissemitismo não tem lado político e deve ser rejeitado venha de onde vier”.
A StandWithUs ainda destacou que igualar o sionismo ao racismo não é uma proposta nova. Em 1975, a Assembleia Geral da ONU, com o apoio da União Soviética e de regimes autoritários, aprovou a Resolução 3379 que estabeleceu o sionismo como uma forma de racismo.
“Na época, o líder dos direitos civis Bayard Rustin, um dos organizadores da Marcha sobre Washington ao lado de Martin Luther King, considerou a resolução um insulto às gerações de negros que lutaram contra o racismo real. Em 1991, já em plena democracia, o Brasil votou pela Resolução 46/86, que revogou a equiparação de 1975”, observou a organização.
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Direito de existir
Jairo Roizen, líder de comunicação da Federação Israelita de São Paulo, também se manifestou contra a proposta do deputado.
“O direito do povo judeu à autodeterminação não está sujeito à autorização de militantes políticos. Ser judeu e sionista não é crime. É identidade, história e direito. Nossa identidade não está em votação e nosso direito de existir também não”, declarou Roizen, em vídeo no Instagram.
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