Casal 'satanista' acusado de matar mulher grávida é condenado a 34 anos de prisão

Sergio Ricardo Mota e Simone Melo Koszegi foram presos por suspeita de matar Atyla Arruda Barbosa, de 20 anos, em 2018, no litoral de SP.

Fonte: Guiame, com informações do G1Atualizado: quarta-feira, 25 de agosto de 2021 14:17
Sergio Ricardo e Simone Koszegi [à esquerda] e a vítima, Atyla Arruda Barbosa [no destaque à direita]. (Foto: Reprodução G1 / Montagem Guiame)
Sergio Ricardo e Simone Koszegi [à esquerda] e a vítima, Atyla Arruda Barbosa [no destaque à direita]. (Foto: Reprodução G1 / Montagem Guiame)

Praticantes de satanismo, o casal Sergio Ricardo Mota e Simone Koszegi foi condenado a mais de 34 anos de prisão pela morte da técnica em segurança Atyla Arruda Barbosa, de 20.

Segundo o juiz, as provas apresentadas à Justiça revelam que os dois faziam parte de uma seita satânica, na qual "adoravam Lúcifer". Eles teriam atraído a vítima pela Web para pacto com 'Lúcifer' com promessas de um futuro melhor.

Os investigadores descobriram diversos perfis no Facebook, que indicavam a atividade do casal em rituais de magia negra e satanismo. Nas imagens, ambos aparecem oferecendo pactos de adoração a Lúcifer, em troca de "poder" e "status". Os dois também aparecem com roupas pretas, ao lado de velas, pentagramas e imagens, e até mesmo dentro de cemitérios.

Repercussão do caso

O crime ganhou grande repercussão, devido aos desdobramentos. A jovem, inicialmente, foi dada como morta por afogamento, em julho de 2018, em uma praia de Mongaguá, no litoral de São Paulo. Depois, a Polícia Civil descobriu que o casal tentou sacar um seguro de vida de R$ 260 mil em nome da garota, que estava grávida, e que ela, na verdade, foi assassinada. O filho seria de Sérgio, conforme apontaram as investigações.

Atyla morava com Simone e Sérgio em Itanhaém, para onde foi com a promessa de um emprego em uma transportadora mantida pelos dois na cidade. Na época do crime, a Polícia Civil encontrou um caderno com um esboço idêntico ao depoimento dado pelo casal na Delegacia de Mongaguá, levantando a hipótese de ensaio de falso testemunho.

Atraída pelo casal

Juiz responsável pelo caso, Paulo Alexandre Rodrigues Coutinho diz que a jovem foi atraída pelo casal.

"Atraíram Atyla para sua trama, valendo-se, para tanto, de promessas de um futuro promissor, com retornos financeiros atrativos, mediante um pacto com 'Lúcifer' [entidade espiritual]. Já enredada a jovem na macabra teia, obtiverem acesso a todos os seus dados pessoais, influenciando e instigando-a à abertura de diversas contas bancárias, uma microempresa, bem como a celebrar seguros de vida, não obstante sua jovialidade, contratos esses, em parte, em que Simone, pessoa a quem acabara de conhecer, figurava na qualidade de beneficiária", explica o magistrado.

Ainda conforme Coutinho, os acusados ainda praticaram o aborto sem o consentimento da vítima, também para a prática do estelionato. Diante das provas, o Tribunal do Júri decidiu pela condenação de ambos a 34 anos e 8 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, levando em consideração motivo torpe, emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e crime praticado para assegurar a vantagem e a execução de outro crime.

A decisão ainda cabe recurso.

Investigação

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o corpo de Atyla foi achado em uma praia de Mongaguá, com sinais de afogamento, em julho de 2018. Ele foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e, em paralelo, uma investigação foi aberta pela Polícia Civil.

Investigadores descobriram que a jovem veio do Estado de Goiás viver com o casal em busca de emprego. Para a Polícia Civil, ela foi propositalmente morta no mar em meio a um denso nevoeiro, para que o casal sacasse um seguro de vida de R$ 260 mil. Eles simularam o afogamento para encobrir o homicídio.

Simone e Sergio foram presos e, em depoimento, a mulher disse ser madrinha de Atyla, que havia sido abandonada pelos pais, fato desmentido por Selmair Arruda de Moraes, de 44 anos, mãe da jovem. Ela chegou à cidade litorânea em busca da filha 20 dias após perder o contato com ela.

Pacto

Selmair faria um boletim de ocorrência por cárcere privado, mas foi surpreendida ao saber da morte da filha. Três pessoas, não identificadas, foram ao enterro da jovem, que teve na lápide a declaração "te amo" escrita, fato que, segundo a polícia, seria para "despistar o crime".

A polícia começou a acreditar que Atyla poderia estar ligada à seita, e que ela teria oferecido o filho que estava esperando, e depois desistido, tendo sido morta por isso.

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