Arrependidos: movimento de “destransição” de gênero surge após cirurgias precipitadas

"Me sinto incompleto", diz homem que passou por tratamento hormonal e cirurgia para retirada de testículos.

Fonte: Guiame, com informações de Christian HeadlinesAtualizado: terça-feira, 25 de maio de 2021 13:17
 mbar, atualmente com 21 anos. Começou o tratamento hormonal aos 17, fez mastectomia e histerectomia aos 18. “Para mim a transição foi uma espécie de autoflagelação, estava tentando destruir a pessoa que eu era”. (Foto: Laura Dodsworth)
mbar, atualmente com 21 anos. Começou o tratamento hormonal aos 17, fez mastectomia e histerectomia aos 18. “Para mim a transição foi uma espécie de autoflagelação, estava tentando destruir a pessoa que eu era”. (Foto: Laura Dodsworth)

Um tema dentro da comunidade LGBT, que raramente é abordado e nem recebe cobertura da mídia, é a “destransição”. De acordo com o Christian Headlines, há um grande número de pessoas que se assumiram transgêneros e, meses ou anos depois, mudaram de ideia.

A “destransição” é a reversão de uma transição de gênero por meios médicos, jurídicos ou sociais, ou seja, é a desistência de querer trocar de sexo. Embora o assunto ainda não seja tratado publicamente, sabe-se que nos Estados Unidos já existe uma comunidade com mais de 19 mil membros adeptos da destransição.

Lesley Stahl, do programa 60 Minutos, entrevistou mais de 30 pessoas que se destransicionaram. A maioria transmitiu a mesma mensagem: “Os médicos precisam dificultar a mudança de gênero e a cirurgia”. 

Transição e arrependimento

Grace Lidinsky-Smith nasceu mulher, se declarou um homem transgênero, depois voltou a ser mulher novamente. Enquanto lutava contra a depressão, ela aprendeu sobre transgenerismo em comunidades trans na Internet.

“Quando os vi tão felizes e empolgados em fazer esse maravilhoso processo de transformação para realmente se tornarem eles mesmos, pensei: Deve ser essa a minha situação, é isso o que devo fazer”, lembrou.

Grace contou que o terapeuta não investigou de onde a disforia de gênero poderia ter se originado. “Tivemos apenas algumas sessões”, contou. Em seguida, uma clínica a aprovou para dar início ao procedimento de injeções de hormônios. Segundo Grace, ali também não foram feitas muitas perguntas.

“Eles só questionaram uma vez: 'Então, por que você quer tomar testosterona?' Eu respondi: 'Bem, ser mulher não está mais funcionando para mim. E eles disseram que tudo bem”.

Quatro meses após o início do tratamento hormonal, ela foi aprovada para uma mastectomia [cirurgia para a remoção das mamas, normalmente indicada para pessoas diagnosticadas com câncer], mas o arrependimento veio cedo. 

“Comecei a ter uma sensação realmente perturbadora de que uma parte do meu corpo estava faltando”, disse. Em seguida, veio o processo da destransição. “Eu ainda não acredito que fiz tudo isso em apenas um ano, é completamente maluco”, reconheceu.

Medo de confrontar

Laura Edwards-Leeper, que foi a primeira psicóloga da primeira  grande clínica de gênero para jovens nos Estados Unidos [Hospital Infantil de Boston], disse que a comunidade médica se parece com um “carimbo”.

Questionada se ela se sente pressionada a aceitar o que os jovens estão dizendo tão prontamente, ela responde que “sim”.

“Todos têm muito medo de confrontar e medo de serem acusados de ‘tentar interferir na decisão desses jovens’ e, com isso, prejudicar a comunidade trans”, revelou.

Falta de resistência médica

Algumas pessoas que já passaram pela destransição foram questionadas sobre o posicionamento dos médicos no período em que se decidiram pela troca de sexo. “Não recebi resistência suficiente na transição”, respondeu um homem chamado Garret. 

“Fui a duas consultas e, depois da segunda, recebi autorização para tomar hormônios do sexo cruzado”, lembrou e comentou que conseguiu remover os testículos três meses após ter dado início ao tratamento hormonal. 

“Cada passo que você dá, parece que ganhou um milhão de dólares. Quando fiz a cirurgia fiquei exultante. Quando mudei de nome, fiquei exultante. Mas quando tudo que eu tinha planejado fazer foi feito, eu ainda me sentia incompleto”, revelou.

Grace conclui dizendo que aqueles que se identificam como transexuais não devem temer sua história, mas devem buscar ajuda. “Queremos que haja mais ajuda de terapeutas com aqueles que têm disforia. E queremos que haja um acompanhamento de longo prazo dos resultados de saúde. Assim todos serão beneficiados”, finalizou.

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