“Se Biden retirar os soldados do Iraque a perseguição vai ser maior”, alerta líder cristão

Segundo o especialista, o terror que aconteceu no Afeganistão pode se repetir no Iraque com a saída das tropas americanas.

Fonte: Guiame, com informações de Christian PostAtualizado: quinta-feira, 16 de setembro de 2021 17:49
Soldados americanos podem deixar o Iraque até o final de 2021. (Foto: Reprodução: Depto de Defesa dos EUA)
Soldados americanos podem deixar o Iraque até o final de 2021. (Foto: Reprodução: Depto de Defesa dos EUA)

Os planos do presidente Joe Biden de retirar as tropas americanas do Iraque, até o final do ano, podem levar a um aumento da perseguição aos cristãos e outras minorias religiosas, argumentou o presidente do Congresso de Líderes Cristãos.

Johnnie Moore é ex-comissário da Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional e executivo de comunicação evangélica. Ele falou recentemente com o comentarista conservador, Glenn Beck, em seu podcast e discutiu a situação dos cristãos no Oriente Médio.

A entrevista ocorreu mais de um mês depois de Biden anunciar que os EUA vão encerrar sua missão de combate no Iraque até o final de 2021, mas continuarão a treinar e aconselhar os militares iraquianos. 

Situações semelhantes: Afeganistão e Iraque

Considerando todo o desespero em torno da retirada das forças dos EUA no Afeganistão, neste ano, e a ascensão do Talibã naquele país, Beck perguntou a Moore, “devemos tentar convencer essas pessoas [no Iraque] a fugir agora?”.

“Sempre hesito em dizer 'saiam agora'. Mas essa é uma decisão para essas pessoas considerarem”, respondeu Moore ao dizer que pensaria dessa forma caso ele mesmo estivesse agora no norte do Iraque, observando que a situação é semelhante a do Afeganistão.

“Então, se eu sou um cristão ou yazidi ou outra comunidade ameaçada no Iraque, sim, eu sairia de lá o mais rápido que pudesse”, continuou.

Moore que é autor de vários livros, entre eles “Desafiando o Estado Islâmico: Preservando o Cristianismo no local de seu nascimento e em seu próprio quintal”, advertiu que “podemos ver o que aconteceu no Afeganistão de novo”.

“Se você pensa que o Estado Islâmico era ruim, cinco ou seis anos atrás, você não viu nada ainda”, disse ele ao se referir ao grupo terrorista que já matou e escravizou milhares depois de conquistar grandes áreas de território no Iraque e na Síria em 2014. 


Foto de 2009 mostra soldados dos EUA no Afeganistão. (Foto: Manpreet Romana/AFP)

De acordo com as estimativas, havia cerca de 1,5 milhão de cristãos no Iraque em 2003, e o número foi reduzido para menos de 250 mil. Mesmo após a derrota do Estado Islâmico no Iraque, em dezembro de 2017, muitos dos cristãos iraquianos não encontraram sua pátria habitável. “Eles não puderam voltar para casa e muitos deixaram o país”, contou.

Lei Sharia sendo aplicada no Afeganistão

Após a retirada das tropas americanas no Afeganistão, o Talibã rapidamente assumiu o controle de grande parte do país, tomando a capital Cabul, no mês passado, e forçando os governantes a fugir.

O governo provisório recém-formado do Afeganistão inclui mais de uma dúzia de líderes designados como terroristas e ex-presos de Guantánamo. A International Christian Concern (ICC) alertou na semana passada, que enquanto o Talibã está reprimindo protestos também está aplicando a Sharia (lei islâmica).

Quase todos os cristãos afegãos — entre 8.000 e 12.000 — são convertidos do Islã e permanecem em grande parte fechados e escondidos dos olhos do público devido à severa perseguição.

Os temores não são infundados, dada a nova liderança. “Antes da tomada do país pelo Talibã, o Afeganistão já era um dos lugares mais difíceis do mundo para ser cristão”, disse o gerente regional da ICC para o sul da Ásia, William Stark.

Se o mesmo se repetir no Iraque, espera-se um aumento na perseguição aos cristãos, quanto à intensidade e violência. 

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