O 'boom' das histórias bíblicas no cinema. Bom ou ruim?

“Ficar atacando, promover abaixo-assinados contra determinados filmes ou sei lá o quê é uma grande bobagem. Afinal, a flor vai nascer, crescer e secar de geração em geração, e a palavra de Deus continuará eternamente", defende o pastor Edmilson Mendes

Fonte: guiame.com.brAtualizado: terça-feira, 14 de outubro de 2014 19:03
Êxodo: Deuses e Reis
Êxodo: Deuses e Reis

Êxodo: Deuses e ReisO filme 'Noé', lançado em março no cinema brasileiro, gerou polêmica entre os cristãos que debateram a respeito da fidelidade da trama à Bíblia Sagrada.

Bruno Brandão, pastor da Igreja de Atos, em Fortaleza-CE, expôs sua opinião de forma positiva sobre o filme. "Retive o que é bom! Sem alienar-me diante dos seus excessos e equívocos, não me indignei, como muitos. Pior seria, se o "mito" estivesse sendo desacreditado, se o Criador estivesse sendo blasfemado, se o Evangelho estivesse sendo corrompido e/ou coisas semelhantes", ponderou.

Em contrapartida, o pastor Bruno dos Santos, da Igreja Apostólica vida Nova, em São Paulo, reconhece que não dá para esperar um filme fidedigno ao relato bíblico em alguma adaptação para o cinema, mas, em um artigo publicado em seu site, mostra sua decepção com ‘Noé’.

“No caso do filme Noé, o que temos não é uma história bíblica adaptada para o cinema. Mas uma história, que toma emprestado o personagem bíblico para vender e fazer marketing. É o filme ‘bíblico’, menos bíblico já feito”, escreveu. (Leia o artigo aqui)

O fato é que o filme teve grande repercussão e ajudou a impulsionar o uso de história bíblicas como enredo de produções cinematográficas em Hollywood. O próximo personagem bíblico a ter sua história contada nas telonas é Moisés. O filme ‘Êxodo: Deuses e Reis’ (foto), produzido pela Fox Filmes, chega ao Brasil no dia 25 de dezembro. Na trama, o libertador do povo de Israel do Egito é vivido pelo ator Christian Bale.

Mas o que esperar do filme ‘Êxodo: Deuses e Reis’ e das próximas tramas bíblicas que chegarão ao cinema? Para Edmilson Mendes, pastor da Igreja Adventista da Promessa e colunista do Guia-me, esperar que tais produções sigam à risca os relatos bíblicos é ilusão.

“Um dos comentários mais comuns das pessoas que amam ler é que os filmes sempre são inferiores aos livros. Bem, se com ficções, romances, biografias e histórias reais a indústria do cinema não tem o menor pudor em alterar e modificar, por que teria com as narrativas bíblicas?”, indaga o pastor.

Ele também frisa o fato de que sempre assiste a filmes como entretenimento e que as mensagens profundas, se houverem, são bônus. Mendes defende que não são histórias bíblicas adulteradas, ou não, que vão destruir a palavra de Deus. “Ficar atacando, promover abaixo-assinados contra determinados filmes ou sei lá o quê é uma grande bobagem. Afinal, a flor vai nascer, crescer e secar de geração em geração, e a palavra de Deus continuará eternamente.”

Outro herói bíblico que já está próximo do cinema é Davi. O filme sobre o Rei Davi contará com o trabalho do cineasta britânico Ridley Scott, o mesmo do filme sobre Moisés. Mas por qual razão os cineastas miraram, de repente, a Bíblia para suas produções?

“Hollywood percebeu que o público quer assistir filmes que tragam uma mensagem de fé, esperança e superação. A Bíblia é o livro mais vendido no mundo, as histórias contidas nele são fascinantes e emocionantes, atraindo as pessoas aos cinemas, impulsionando a industria cinematográfica”, argumenta Ygor Siqueira, diretor-executivo da Graça Filmes.

É inegável que o fator comercial é uma das principais motivações dos cineastas, mas se há um potencial das histórias bíblicas comercialmente é porque também há uma riqueza no conteúdo.

“Com os recursos tecnológicos de hoje, imagine a vida de Daniel em Babilônia, as viagens de Paulo, as sensacionais fugas de Davi quando perseguido por Saul, seriam produções sensacionais. Enfim, uma boa história, e as histórias bíblicas são muito boas, pode ser contada mil vezes, e bem contada”, atesta o pastor Edmilson Mendes.

Como exemplo, Mendes cita o filme ‘A Paixão de Cristo’, de Mel Gibson, que relata a história de Jesus. “Mesmo contendo cenas que não constam nos evangelhos, o filme é carregado de um realismo que nos coloca na cena, lembro-me que no cinema, ao sair, todas as pessoas estavam em silêncio, cabeça baixa e olhos marejados, enfim, novamente impactadas por uma história que já conheciam.”

O ‘boom’ das histórias bíblicas no cinema é real e as críticas e elogios continuarão a aparecer aqui e ali. Gostem os cristãos, ou não, do resultado das produções, elas chamarão a atenção. Uma ponderação feita pelo pastor Bruno Brandão a respeito do filme ‘Noé’ pode ajudar a pensar a respeito: “Para quem conhece e crê na Palavra - Em nada o filme afeta negativamente (Você que crê, foi afetado? Passou a duvidar? Colocou em cheque a versão bíblica?) / Para quem não conhece e não crê - Em alguma coisa, pode ser despertado!”


por Juliana Simioni
GUIAME.COM.BR

 

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