"Nem a guerra, nem o comunismo podem me separar de Deus", diz pastor ex-guerrilheiro

Rubén foi recrutado aos sete anos pela guerrilha e se tornou uma criança violenta.

Fonte: Portal Guiame, com informações do Portas Abertas USAAtualizado: quarta-feira, 4 de outubro de 2017 15:25
Imagem ilustrativa. Rubén mudou de uma criança violenta e rude para um pastor perseguido. (Foto: Reprodução).
Imagem ilustrativa. Rubén mudou de uma criança violenta e rude para um pastor perseguido. (Foto: Reprodução).

Desde a infância, Rubén aprendeu a lidar com armas, guerra e morte. Ele nunca imaginou que, anos depois, os planos de Deus para sua vida o levariam a deixar o crime para iniciar uma jornada pastoral e hoje evangelizar não-crentes.

Ele foi uma criança pobre na zona rural da Colômbia, vivendo com uma família sem Deus, pobreza e muita fome. Por estas razões se juntou às guerrilhas. Os criminosos entendem as crianças como pequenos combatentes que obedecem fielmente em troca de comida, dinheiro, proteção e inclusão. "Você vai às guerrilhas pois parece ser a única opção", disse ele.

"Você quer o respeito das pessoas, e é por isso que é fácil ser enganado com armas e uniformes. Você não percebe o engano até que seja tarde demais". O treinamento é difícil. Rubén tinha apenas 7 anos quando recebeu suas primeiras provas. Ele teve que fazer longas caminhadas pela selva, passar dias inteiros sem comida e enfrentava pressão constante.

Rubén se tornou uma criança violenta e rude. "A maioria das pessoas que sofrem experiências traumáticas e violentas se transformam em perpetradores", disse a especialista em trauma Agustina Mantilla. "Isto é ainda mais provável se as experiências forem na infância".

Líder de guerrilha

Aos 10 anos ele era conhecido por ser agressivo. Esta característica o fez digno de posições de liderança dentro da guerrilha. Ele comandava mais de 80 homens armados. Mas, em momentos de silêncio, Rubén lembrava de sua vida antes da guerra. Quando seu avô o levava à igreja e ensinava sobre Jesus e a Bíblia.

Com 12 anos, Rubén foi enviado para fazer trabalhos de inteligência em uma cidade próxima. Ele tinha de extrair informações do exército para planejar futuros ataques. Trabalhava como camponês durante o dia e como espião a noite. Ele trabalhava em uma fazenda onde havia um grupo de pastores que adoravam a Deus juntos. "Isso me mostrou que nem todas as pessoas eram ruins", disse.

Início da transformação

Foi então quando Rubén começou a frequentar os cultos. Sua curiosidade em saber sobre Deus começou a crescer quando ele percebeu que Deus cuida dos pobres. Ele decidiu memorizar o Salmo 41: 1 que diz: "Bem-aventurado aquele que pensa no pobre, no dia mal o Senhor o livrará". Durante esses dias, os guerrilheiros tinham planos de sequestrar um dos homens mais ricos da região. Com um nó em sua garganta, Rubén concordou em participar.

Chegou o dia do sequestro. O plano foi realizado como esperado, mas de repente o grupo foi cercado por tiros. Um dos companheiros de Rubén foi baleado e morto. Ele tentou fugir, mas não teve êxito. Um por um, Rubén e seus companheiros foram colocados de joelhos. O exército conseguiu resgatar o homem rico. "Naquele momento, eu sabia que eles iriam me matar", disse Rubén. "Eu fui o último na fila e não entendi bem o que aconteceu, mas sabia que ia morrer." No meio de sua angústia, Rubén lembrou as palavras do Salmo 41: 1. Ele olhou para o céu e se entregou ao seu destino.

De repente, um novo tiroteio e os soldados do exército foram confrontados por um grande grupo de guerrilha. Rubén fugiu e foi resgatado por seus companheiros. Ele sabia que Deus o salvara. Lágrimas derramaram em seus olhos. Ele estava ferido e coberto de sangue, mas sabia naquele momento que Deus o amava e aceitou. "Eu nunca senti nada assim antes. Meus companheiros me disseram que eu tinha sido salvo pela revolução, mas sabia que Deus me salvara porque Ele me ama e quer algo diferente para mim".

Perseguido

A vida de Rubén mudou radicalmente naquele momento. Tudo o que ele acreditava desapareceu. Os ideais da revolução, o ódio contra os ricos, o uso de armas e violência. Tudo isso pareceu como um vazio sem sentido. O amor de Deus o havia mudado. Ele decidiu entregar sua vida a Cristo e começar a se reunir com outros cristãos.

Aos 13 anos, a história de Rubén tomou um novo rumo. Após sua conversão, ele renunciou completamente à guerrilha e, a partir de então começou a ser perseguido. "Trabalhei na inteligência e tinha muita informação sobre eles. Por esse motivo, eles não podiam me deixar sair facilmente. Desde o dia da minha conversão, eles queriam me matar", lembrou.

Aos 15 anos, ele se tornou pastor. Começou a pregar o Evangelho da paz e da reconciliação. Os discursos de ódio e raiva foram deixados para trás. Aqueles dias acabaram "como as águas que já passaram", diz Rubén. Os seus cultos são atendido por pessoas de várias idades e origens.

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