Ministra é acusada de proselitismo ao comentar morte do jovem Kaique

Acusações de homofobia e precipitações permeiam investigações do "Caso Kaique"

Atualizado: Quinta-feira, 23 Janeiro de 2014 as 10:25

Ministra é acusada de proselitismo ao comentar morte de jovem homossexual
A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário foi criticada pela secretária da Justiça de São Paulo, Eloisa Arruda. O motivo teria sido uma afirmação feita em nota oficial pela ministra, dizendo que o jovem Kaique dos Santos foi "brutalmente assassinado" por homofobia.
 
O texto de Maria do Rosário ainda assegurava que a Secretaria de Direitos Humanos estava "acompanhando o caso junto às autoridades estaduais" para "evitar a impunidade".
 
A secretária da Justiça apoiou a investigação da polícia e alertou para o perigo de acusações precipitadas quanto a possíveis atitudes motivadas por homofobia neste caso.
 
"Lamento que uma situação tão dolorosa tenha sido encaminhada de forma sensacionalista. São casos que devem ser tratados com serenidade e seriedade, sem fazer proselitismo com o sofrimento alheio", disse.
 
Segundo o coordenador-geral de Promoção dos Direitos LGBT, Gustavo Bernardes, não houve qualquer acusação precipitada no comentário do caso. 
 
Gustavo ainda lembrou que a pasta de Maria do Rosário só descartará a tese "crime de ódio" quando saírem os laudos.
 
"Sempre que a ministra e eu nos manifestamos, citamos que confiávamos que as autoridades fariam a apuração correta", destacou.
 
"Homofobia" e Igrejas
Em um texto publicado no site da revista Carta Capital, o deputado Jean Willys comentou o caso e afirmou que "igrejas caça-níquel" têm incitado o ódio contra homossexuais.
 
"Como eu já escrevi tempo atrás, em ocasião de outros assassinatos como este, em cada caso aparece, como pano de fundo, o discurso de ódio alimentado por igrejas caça-níquel e pela bancada fundamentalista no Congresso federal, que em 2013 ganhou de cínico presente, com o apoio da bancada governista, a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados", afirmou.
 
Em seu discurso, o deputado ainda citou o Pr. Silas Malafaia como um dos grandes incitadores desse "ódio" que gera atitudes homofóbicas.
 
"Eu já disse uma vez e vou repetir. Cada uma dessas vítimas tem um algoz material — o assassino, aquele que enfia a faca, que puxa o gatilho, que "desce o pau", como o pastor Malafaia pediu numa de suas famosas declarações televisivas", escreveu.
 
Repúdio a Jean Willys
Em um artigo publicado no site "Gospel +", o editor Renato Cavallera criticou a atitude de Jean Willys, afirmando que o militante se preocupou mais em criticar igrejas e cristãos que em dar algum apoio à família do jovem Kaique.
 
"A militância, já se sabe, vai continuar atrás de sua máscara e não vai reconhecer o óbvio, podendo assim usar a vida do jovem como escudo para suas futuras acusações e números falsos. Mas e a figura pública Jean Wyllys, deputado que deveria representar eticamente o povo? O seu “pití” com o ataque de intolerância e graves acusações contra evangélicos precisa ser corrigido! Jean Wyllys não pode exigir justiça se não é justo. Não pode querer a verdade se propaga o engano. Não pode pregar o fim da intolerância se é intolerante", protestou.
 
Com informações da Folha.com / CartaCapital.com.br / Gospel +

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