Marisa Lobo: "Já recebi um homossexual para morar na minha casa"

Em entrevista exclusiva ao Guiame, a psicóloga cristã falou sobre como tem lidado com os confrontos de grupos sociais, os sentimentos que teve em meio às polêmicas, ameaças contra sua família e os frutos da vida ministerial.

Fonte: Guiame, Luana NovaesAtualizado: sexta-feira, 12 de junho de 2015 20:59
Marisa Lobo, psicóloga cristã.
Marisa Lobo, psicóloga cristã.

 

Marisa Lobo é um dos nomes mais atuantes na defesa da família e da vida no cenário político e social, "doa a quem doer", como ela mesma garante. Porém Marisa não é apenas uma militante ativista pró-família, mas também uma mãe exemplar, uma esposa dedicada e uma grande pregadora da Palavra de Deus. Em entrevista exclusiva ao Guiame, a psicóloga cristã falou sobre como tem lidado com os confrontos de grupos sociais, os sentimentos que teve em meio às polêmicas, ameaças contra sua família e os frutos da vida ministerial.
 
Ao ver as primeiras acusações, onde alegaram que Marisa induzia convicções religiosas durante os tratamentos terapêuticos, a psicóloga relata que se sentiu violada em seus direitos e muito surpresa. "O grupo LGBT colocou na mídia que o Ministério Público estava me denunciando por 'curandeirismo'. Fui procurar a denúncia, e não tinha nada. Em 20 anos de profissão, nenhum dos meus pacientes me acusaram de alguma coisa, eu tenho uma ficha limpa."
 
"Sempre atendi héteros e homossexuais da mesma forma. A condição sexual das pessoas nunca foi preocupação do meu objeto de estudo. Sempre atendi meus pacientes respeitando sua religião e a sua orientação sexual", garante Marisa. "Começaram a me acusar de homofobia, e até então eu nem sabia o que era isso, porque era uma palavra nova para mim. Quando eu fui saber o que era realmente homofobia, fiquei ainda mais indignada."
 
Marisa conta que já recebeu um homossexual para morar em sua casa, amigo íntimo de sua família. "Ele tinha aids, a família dele e os amigos gays o rejeitaram. Ele não tinha onde morar e o recebi dentro da minha casa. Os meus filhos conviveram com esse amigo meu, chamado Felipe, que era homossexual. Ele morou em casa durante 7 meses, ficou doente em fase terminal, foi para o Hospital de Clínicas em Curitiba. Eu era a única que ia visitar. Ele saiu do hospital, eu aluguei um quartinho para ele, porque queria morar sozinho. Eu o visitava com uma amiga chamada Margarete, a gente deixava comida pronta, lavava as roupas dele", relata.
 
"Para mim isso foi um absurdo. Me senti violentada nos meus direitos e indignada porque era uma mentira. Eu sei que eu não sou homofóbica e tenho histórico para provar", ressalta Marisa.
 
Jogo de cintura
 
Para aprender a lidar com os confrontos, Marisa conta que passou a estudar Direitos Humanos. "Eu acho que você tem que ter conhecimento das coisas para lidar com elas e falar sobre elas. Eu entendi que os Direitos Humanos não podem ser usados como uma bandeira ideológica das minorias contra as maiorias. Os Direitos Humanos devem ser usados de forma multilateral, todos nós temos direitos humanos. Todos nós temos direito de transitar, de ser o que quisermos, de deixar de ser o que quisermos, a não ser que afete a terceiros - meu direito vai até onde começa o direito do outro."
 
"Há uma militância ideológica muito grande querendo, na verdade, aprovar tudo aquilo que é contrário à religião, principalmente à fé cristã. Então é bem difícil você defender valores, que hoje parece que mudaram totalmente, nós vivemos em uma sociedade muito relativista de uns anos para cá. É uma cultura europeia, que estão tentando instalar no Brasil e eu chamo de reorientação social e sexual. Para você saber lidar com isso e enfrentar, que é um enfrentamento o que a gente faz na verdade, você precisa estudar outras culturas, estudar como as pessoas pensam, e nesse estudo todo eu percebi que isso não passa de uma perseguição religiosa, contra um povo cristão", contextualiza a psicóloga.
 
Ameaças
 
Por muitas vezes, Marisa temeu por sua vida e a de sua família. "Recebi muitas ameaças de morte, sofro muito bullying, muitos ataques, o povo ofende, xinga. Meus filhos sofreram ataques pela internet, eu tive que deixar de seguir meus filhos, eu tive que esconder eles. Ninguém me vê na internet curtindo uma foto dos meus filhos, não faço isso há quatro anos. É raro eu tirar foto com eles, e quando eu tiro é no meio de pessoas e não aparece quem é quem. O meu marido, meus sogros e minhas amigas enfrentam mesmo e dizem: 'Pode tirar foto e deixem que critiquem'. Agora, os meus filhos ficaram muito abalados, com medo de acontecer alguma coisa."
 
Marisa relata que já foi ameaçada em um aeroporto, teve sua antiga agência de turismo pichada e seu site hackeado. O site Psicologia Cristã está fora do ar, porque não conseguiu ser recuperado. "É muito difícil. Você fica com medo, mas você sabe que tem que enfrenta,r porque se você der um passo para trás, eles tomam conta", afirma.
 
"Se você tem uma bandeira e tem fé no que acredita - no meu caso em Deus, nos princípios, na moral e na família - você tem que lutar por ela. Eu luto, mas não é fácil. Às vezes a gente deprime, às vezes a gente fica triste", desabafa.
 
Reviravolta
 
Ainda que as polêmicas geradas pelo grupo LGBT tenham prejudicado algumas portas profissionais para Marisa, hoje ela tem atuado fortemente na política e em outros âmbitos sociais. "A intenção deles era destruir a minha carreira, e realmente muitas portas foram fechadas, mas o Deus que eu acredito abriu grandemente outras. Hoje eu sou muito mais próspera como psicóloga cristã do que como psicóloga secular. O mercado hoje pra mim é infinitamente maior do que quando eu atendia no mundo secular", conta Marisa. "Essas são as coisas doidas que Deus faz."
 
Marisa era muito conhecida em Curitiba por suas palestras nas universidades. Hoje ela palestra em audiências públicas. "Hoje eu sou a psicóloga que mais participou de audiências públicas no Brasil. Tenho mais de 38 audiências públicas. Não conheço nenhum profissional que tenha estado presente em tantas prefeituras, Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais e tantas vezes em Brasília, na Câmara Federal, palestrando em defesa da família, da vida e fazendo campanhas contra a pedofilia, abuso sexual infantil e contra as drogas."
 
"Eles fecharam portas, mas Deus abriu outras que qualquer profissional sonha estar", ressalta.
 
Ministério
 
Em sua luta política e social, Marisa defende a preservação da família, e isso se refletiu em seu ministério. "Deus me levantou como uma pastora na área da família. Eu tenho um ministério onde eu trato exatamente de casais. Atendo muitos casais de pastores e líderes como psicóloga, às vezes sou chamada em igrejas importantes para cuidar do casal. Ministro muito nas igrejas e em seminários de família", conta.
 
Nessas ministrações, Marisa usa dinâmicas e algumas técnicas diferenciadas, ligadas à psicologia. "É uma maneira de ministrar diferente que Deus me deu, e no final da pregação há uma cura de alma dos casais e das famílias, é uma coisa impressionante", diz.
 
Na abertura dos seminários, Marisa dá um panorama da desconstrução familiar que está acontecendo no Brasil. Na manhã do dia seguinte, ela ministra aos casais a importância que os filhos têm em sua vida e a importância de serem um modelo para eles na estruturação da personalidade e sexualidade. A noite, Marisa trabalha com os filhos, para entenderem a importância do pai e da mãe (sendo eles padastros, madrastas, avôs ou avós). "A gente tem a consciência dos formatos de família, mas sempre a partir do modelo masculino e feminino, a gente deixa claro isso para a criança", esclarece.
 
"No Brasil inteiro recebo o feedback de como esse trabalho tem transformado as igrejas, os casais e a compreensão dos filhos em relação aos pais", comemora a psicóloga.
 
Chamado
 
Foi em 2012 que seu chamado foi despertado. "Eu já fazia esse trabalho como psicóloga, palestrando, mas sem mexer com o espiritual. Fui em uma igreja no Rio Grande do Sul ministrar em um seminário de família, pensei que tinham outros preletores mas chegando lá era só eu. Levei um susto, mas lá Deus me levantou como uma pregadora de família", relata.
 
"Deus me mandou ir em uma igreja onde haviam 25 casais que estavam se separando. Eles foram nesse encontro para achar uma última saída, e Deus restaurou os 25 casais", conta Marisa. "Deus começou a me levar. Fui em outra igreja onde tinha um casal de pastores se separando e Deus me dava o discernimento de que estava acontecendo alguma coisa errada, me dava as técnicas certas de chegar sem invadir o casal; quando eu vi estavam desabafando e já entrava para arrumar psicologicamente aquele casamento."
 
Marisa tem sido usada por Deus para restaurar casamentos de forma psicológica. "É um trabalho diferente porque a gente vai na raiz do problema mesmo. Quando você quebra a barreira emocional, a espiritual é mais fácil. Às vezes a pessoa não entende o que está acontecendo espiritualmente porque a barreira psicológica não deixa você entender."
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