Lugares da Bíblia - Éfeso

Lugares da Bíblia - Éfeso

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:24

Éfeso, cidade Greco-romana da Antiguidade, fica na costa ocidental da Ásia Menor, em uma área litorânea da atual Turquia. Durante o período em que Roma a dominou, foi a segunda maior cidade de seu império, com cerca de 250 mil habitantes no século 1, e já era uma das mais populosas do planeta bem antes do nascimento do Messias. O apóstolo Paulo de Tarso esteve nela duas vezes, a segunda delas por três anos, pregando a Palavra de Deus e a fé em Cristo. Mais tarde, preso em Roma, escreveu a seus habitantes a famosa Carta aos Efésios, que veio a ser o Evangelho de mesmo nome, no Novo Testamento. A cidade também foi citada em Atos e Apocalipse.

Lá fica um dos maiores cemitérios de gladiadores e alguns dos maiores anfiteatros do mundo, o maior deles com capacidade para 25 mil pessoas em suas arquibancadas. Hoje, um importante sítio arqueológico e ponto turístico de fama internacional, fica a cerca de 3 quilômetros da cidade de Selçuk. Recebe turistas de todo o planeta, servidos pela proximidade com o aeroporto Adnan Menderes e o porto de Kusadasi.

Era uma das cidades mais prósperas do planeta na Antiguidade, mas a riqueza ia além dos bens materiais. Também foi um importante pólo disseminador da filosofia e de artes. Prova disso são as ruínas da famosa Biblioteca de Celso, uma das mais importantes da Idade Antiga. De religião politeísta, baseada nas mitologias grega e romana, a região deu muito trabalho a Paulo e seus seguidores, demandando deles um tempo considerável. Mas o trabalho foi frutífero, pois tornou-se uma das cidades do império romano de onde o cristianismo mais se difundiu.

Além de Paulo, o evangelista João também pregou em Éfeso, daí parte da crença de que teria sido na cidade que seus livros neotestamentários foram escritos. É uma das sete igrejas citadas em Apocalipse (capítulo 2). O evangelista passou lá seus últimos dias, assim como Maria, mãe de Jesus.

Paulo e discípulos

Em sua segunda viagem missionária, o ex-judeu Paulo, que perseguia cristãos até ser chamado pelo próprio Jesus na estrada de Damasco a segui-lo e difundir a Palavra de Deus, passou por Éfeso (Atos 18: 18-21). Ficou pouco tempo, mas deixou lá dois discípulos, o casal Priscila e Áquila, seus companheiros desde Corinto. Antes da volta de Paulo, chegou a Éfeso o pregador Apolo, outrora judeu, proveniente de Alexandria. Era bem intencionado e eloquente, recebendo muita atenção dos locais, mas ainda não tinha conhecimento suficiente. Sua noção da Palavra ia até o batismo por João Batista. O casal de discípulos de Paulo orientou melhor o carismático pregador, que saiu da cidade com mais força ainda, pregando que Jesus era o Messias e só por meio dele o reino dos céus é alcançado (Atos 18:24-28).

Ainda assim, quando Paulo voltou, encontrou 12 pessoas que seguiam fielmente a Deus, mas não tinham a verdadeira noção sobre o Espírito Santo. Esclarecendo àquela dúzia de seguidores que Jesus era o Cristo, batizou-os, impôs as mãos sobre eles, que receberam o dom de línguas do Espírito Santo (Atos 19: 6-7). Na certa, os 12 foram doutrinados por Apolo antes de ele ser ensinado por Priscila e Áquila. Na cidade, o apóstolo viajante expulsava demônios e realizava milagres em nome de Deus.

Paulo de Tarso permaneceu em Éfeso por três anos, pregando todos os dias, alcançando muitos para Cristo, embora os seguidores da deusa Diana protestassem contra ele. Dali seguiu para a Macedônia e a Grécia. Voltando para próximo de Éfeso, em Mileto, chamou os presbíteros efésios e os avisou sobre os “lobos vorazes” entre os fiéis, que buscariam desencaminhá-los (Atos 20). Depois, rumou para Jerusalém, onde foi preso, transferido para Cesareia e depois levado para Roma, de onde, no cárcere, escreveu a famosa carta aos habitantes de Éfeso.

O livro de Efésios

Escrevendo aos moradores da cidade em que tanto pregou, Paulo evidencia a primazia de Jesus e destaca o papel dos cristãos no plano eterno de Deus para a igreja. A salvação pela graça mediante a fé é tocada em um ponto muito importante deste evangelho, bem como a paz em Cristo. O autor também fala dos dons dados à igreja para que sua edificação seja eficiente, bem como a importância da santificação. Imbuídos deste espírito, os cristãos recebem do apóstolo várias dicas de conduta que agradam a Deus em se falando de relações humanas (familiares e profissionais).

Paulo termina a lição dada aos efésios à distância, falando da figura da armadura de Deus, “para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades, (...) contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (6:11-12). Ele faz uma analogia à proteção de um guerreiro, providenciada com o “cinto da verdade”, a “couraça da justiça”, calçando os pés com o “evangelho da paz”, empunhando o “escudo da fé” (“com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno”), protegendo a cabeça com o “elmo da salvação” e como arma a “espada do Espírito” (a Palavra de Deus). Após os ensinamentos, o apóstolo pede aos efésios que orem por ele, para que continue a pregar a Palavra do Pai e tenha forças, mesmo estando sob prisão.

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