Judeu se entrega a Jesus após 5 anos estudando a Bíblia: “Ele é o Messias de Israel”

Fabio Schucman falou com exclusividade ao Portal Guiame, durante uma live, compartilhando parte de seu testemunho e falando sobre Bíblia, judaísmo e cristianismo.

fonte: Guiame, João Neto

Atualizado: Terça-feira, 27 Outubro de 2020 as 10:26

Fabio Schucman é judeu e se entregou a Jesus após 5 anos de estudo bíblico na casa de um amigo cristão. (Imagem: Guiame / Reprodução)
Fabio Schucman é judeu e se entregou a Jesus após 5 anos de estudo bíblico na casa de um amigo cristão. (Imagem: Guiame / Reprodução)

Ele nasceu e foi criado no judaísmo, mas sua busca por um relacionamento pessoal com Deus o levou a conhecer Jesus, o Messias de Israel, após estudar a Bíblia durante 5 anos com a mãe de um amigo cristão.

Na última segunda-feira (26), Fabio Schucman falou exclusividade ao Guiame em uma live e compartilhou, não somente uma parte de seu belo testemunho de transformação de vida, mas também aproveitou para lançar luz sobre um abismo existente entre o cristianismo atual e suas raízes judaicas.

“Eu era totalmente envolvido na comunidade judaica e lá a gente não tem pastor, mas rabino. [...] Sendo criado na comunidade judaica, eu tinha muitas perguntas para os rabinos. Eu perguntava sobre o Messias, tinha muitas dúvidas sobre como ter um relacionamento mais próximo com Deus”.

Fabio explicou que na sinagoga, o valor das liturgias é muito forte, com todas sendo celebradas em hebraico e essa era uma das questões que o levavam, ainda aos 8 anos de idade, a questionar sua própria religião.

“Eu queria rezar em português, porque assim era mais inteligível para mim, mas os rabinos diziam que eu tinha que fazer em hebraico, porque se eu fizesse em hebraico, ‘os portões do céu se abririam e Deus receberia a minha oração’. Foi aí que começaram as minhas críticas à religião em si, ao judaísmo e a tudo aquilo que eu vivi e fui criado, porque eu achava que Deus devia ouvir as minhas orações em português também”, relatou.

Apesar dos muitos questionamentos, Fabio ainda mantinha muita expectativa com relação ao Bar Mitzvá e o que esse rito de passagem poderia trazer à sua maturidade espiritual.

“Eu tinha uma expectativa muito grande com relação àquele dia, achando que naquele dia eu teria um encontro com Deus. Eu achava que aconteceria algo especial, mas nada disso aconteceu. Foi uma liturgia, algo religioso. E a partir dali eu decidi que iria buscar a Deus sozinho”, contou.

Mudanças

Com o passar do tempo, os pais de Fabio acabaram se divorciando e por volta dos 13 anos ele foi morar no litoral paulista, onde o início de sua mudança de vida o aguardava.

Fabio começou a desenvolver amizade com um amigo cristão e esse foi o início de uma longa caminhada, na qual ele conheceria o Messias de Israel, pois Neide — a mãe de seu amigo — estava disposta a apresentar Jesus para esse jovem judeu.

“Um dia eles me fizeram um convite, para me dar carona para a escola e aquilo era bom para mim, porque era o primeiro relacionamento mais próximo que eu teria com uma família de não-judeus”, explicou. “Essa família começou a falar para mim sobre os valores deles. Eles tinham muito conhecimento sobre as Escrituras e a mãe do rapaz começou a conversar muito comigo e a gente conversava muito sobre a Bíblia, até que um dia ela me perguntou se eu gostaria de estudar a Bíblia com ela”.

Como Fabio foi criado no judaísmo, ele se recusou a ler o Novo Testamento e Neide não viu problema em estudar o Antigo Testamento com o rapaz.

“Eu, inocente, achava que o Velho Testamento não falava nada sobre Jesus. Mas depois de 5 anos dela estudando comigo, eu pude entender com clareza que aquele Messias de Israel profetizado no Velho Testamento tinha que ser Jesus. Aos meus 18 anos eu tomei uma decisão ao lado de Jesus”, contou.

Fabio contou que sua família não reagiu bem à decisão que ele tomou e muitos de seus parentes e amigos acabaram se afastando dele.

“Foi um choque muito grande, porque eu fui o primeiro judeu a aceitar Jesus na minha família. Meu avô por parte de pai faleceu sem falar comigo, não olhava mais nos meus olhos. Perdi todos os meus amigos na sinagoga. É uma pena, foi triste. Foi mais para eles do que para mim, porque eu pude encontrar o Messias, mas foi difícil”, confessou. “Aos 18 anos de idade, os amigos são muito importantes”.

Mesmo assim, Fabio estava convicto de sua decisão.

“Deus fez muita coisa na minha vida e tudo começou a mudar. Eu comecei a mergulhar nas Escrituras”, acrescentou.

O Velho Testamento é sempre Novo

Quando questionado sobre quais passagens bíblicas poderiam chamar mais a atenção de um judeu para assim olhar para Jesus como o Messias, Fabio chamou a atenção para a necessidade de resgatar as Escrituras em seu essência.

“A Bíblia que Jesus lia era o Velho Testamento. A Bíblia que Paulo, Pedro e todos os apóstolos liam era o Velho Testamento. Na verdade, Esse termo ‘Velho Testamento’ já é um nome pejorativo, porque ele não está velho, jamais. É a Palavra de Deus. São 39 livros, que Jesus usou e falou somente deles”, destacou.

“A forma da gente abordar as Escrituras deveria ser diferente. Essa senhora [Neide], teve a sabedoria de abordar as Escrituras comigo, no que é chamado de Velho Testamento, não como se fosse velho. Na verdade, a Nova Aliança está toda escrita no Velho Testamento. A gente lê em Jeremias 31:31, Ezequiel 36 e 37, Joel, Zacarias 12… é só a gente ler realmente as Escrituras. O problema é que a forma de abordar as Escrituras, muitas vezes, é carregada de tradicionalismo da Igreja, de 2.000 anos de tradição da Igreja, que realmente perdeu as raízes judaicas”, acrescentou.

Clique no vídeo acima para conferir na íntegra essa conversa em torno do judaísmo, cristianismo, Jesus e Israel.

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