‘Deus me escondeu’, diz militar ferido que passou por assassino sem ser visto

Gravemente ferido, John Arroyo acreditou que tinha poucos segundos de vida, até ouvir uma voz audível: “John, levante-se, ou sua esposa vai morrer”.

Fonte: Guiame, com informações do AG NewsAtualizado: sexta-feira, 27 de maio de 2022 15:44
John Arroyo e sua esposa Angel, enquanto ele estava se recuperando no hospital. (Foto: Reprodução / AG News)
John Arroyo e sua esposa Angel, enquanto ele estava se recuperando no hospital. (Foto: Reprodução / AG News)

A infância de John M. Arroyo Jr. foi difícil, ao crescer sem a figura paterna, após o pai morrer de cirrose hepática aos 34 anos. “Quando você perde seu pai aos 5 anos, você perde sua identidade”, diz Arroyo.

Essa condição o fez se juntar a uma gangue violenta em Santa Fe Springs, Califórnia. Na 9ª série, ele se tornou um jovem pai adolescente. Na 12ª série, um vício em metanfetamina o dominou.

Arroyo passava as noites usando drogas e dormindo de dia. Sua irmã Donna Mendoza o incentivou alistar-se no exército para receber alguma disciplina e assim salvasse sua vida.

Após várias tentativas, ele conseguiu se juntar aos Boinas Verdes, o comando de operações especiais do Exército dos EUA. Enquanto ainda estava alistado, Arroyo voltou a estudar e conheceu a estudante de enfermagem Angel, mãe de dois filhos.

John e Angel se casaram 1 ano e meio depois, em agosto de 2003. No Boinas Verdes, ele chegou a ir duas vezes ao Afeganistão, cada uma com seis meses de duração, a partir de 2004, onde fazia patrulhamento. No Iraque, em 2007, participou de serviço de combate mais pesado, durante 4 meses.

Mesmo durante as atividades militares, ele continuou viciado em drogas pesadas, com álcool sendo seu principal vício. Essa condição desestabilizou seu casamento. Abusada verbalmente por Arroyo e sob a influência de álcool, sua esposa tentou suicídio duas vezes por overdose de pílulas.

“Eu estava com raiva e malvado, e beber piorava as coisas”, lembra Arroyo, que hoje tem 44 anos.

Buscando Deus

Vivendo sob vícios e agressividades, após cinco anos o casal se voltou para Deus em desespero. Eles começaram a frequentar uma igreja a convite de um dos amigos de Angel. Mesmo bêbados na primeira vez que foi a um culto, eles começaram um relacionamento com Jesus. Dois anos depois, John, Angel e seus filhos adolescentes, Tia e Mason, foram batizados juntos.

John Arroyo, fardado ao lado de Angel. (Foto: Reprodução / AG News)

Anos depois, confiante em suas habilidades acadêmicas, ele terminou a faculdade na Campbell University, uma escola cristã na Carolina do Norte.

Anos mais tarde, a família enfrentou muitas provações. Angel passou por uma série de dificuldades que culminaram em novembro de 2013. Sua mãe, Sylvia Wood, morreu de um aneurisma enquanto se recuperava de uma fratura no quadril. Nove dias depois, seu pai, Robert Wood Sr., sucumbiu ao câncer. Dois anos antes, seu irmão Robert Jr. havia morrido em um acidente de caça.

Experiência de quase-morte

Arroyo começou a servir como líder de pelotão do Corpo de Serviços Médicos em Fort Hood. Ao sair de seu carro na base em 2014, ele ouviu tiros disparados, mas deu pouca atenção a isso, imaginando que os tiros eram de um treinamento.

Ele só entendeu quando um veículo parou ao lado dele. Ivan A. Lopez, um veterano da Guerra do Iraque de 34 anos, apontou uma pistola para Arroyo e disparou à queima-roupa. A bala entrou em sua garganta, atravessou sua veia jugular esquerda, rasgou sua laringe e se alojou em seu ombro direito.

Arroyo começou a andar de volta para o carro e caiu de cara no chão, enquanto o atirador partia do local.

Gravemente ferido, Arroyo acreditou que tinha poucos segundos de vida, até ouvir uma voz audível: “John, levante-se, ou sua esposa vai morrer”.

Ele diz que Jesus então repetiu a mensagem em um tom mais severo. Arroyo entendeu que precisava continuar vivendo para que Angel – ainda frágil pela série de mortes da família – não tirasse sua própria vida.

“Tive que ter fé para tentar obedecer à voz de Jesus”, diz Arroyo. “O Senhor me deu habilidade sobrenatural.”

‘Deus me escondeu’

Ele conta que lutou para ficar de pé, colocou o braço esquerdo sobre a garganta para estancar o sangramento e começou a cambalear até o quartel-general da Brigada Médica. Ele viu uma figura vindo em sua direção ao longe. Quando aquele soldado entrou em foco a apenas 3 metros de distância, Arroyo percebeu que seu pretenso assassino havia retornado.

“Estou na frente de Ivan Lopez mais uma vez”, lembra Arroyo. Mas milagrosamente, Lopez se virou e entrou no prédio.

A única explicação que Arroyo tem é que Jesus o escondeu da vista de seu agressor.

Até o final do dia, Lopez havia matado três pessoas e ferido outras 16 na base antes de apontar a arma para si mesmo ao ser confrontado por um policial militar. O atirador estava perturbado com as mortes de seu avô e mãe em um período de dois meses, e se tornou agressivo.

Arroyo quase se tornou a quarta vítima mortalmente ferida, mas três soldados, vendo o sangue esguichar de seu pescoço, o levaram ao Centro Médico do Exército.

Com várias vítimas de tiros chegando ao hospital, as perspectivas de Arroyo pareciam sombrias. Ele estava pálido e seu pulso fraco.

Providencialmente, dois especialistas em cirurgiões de ouvido, nariz e garganta estavam no hospital naquele dia para treinamento. Eles ordenaram que Arroyo fosse imediatamente operado.

“Deus preparou os médicos que eu precisava”, diz Arroyo.

Restauração milagrosa

A notícia de que seu marido estava em uma cirurgia de emergência por causa de um ferimento a bala chocou Angel.

“A caminho do hospital, eu ficava pensando, isso é um pesadelo, isso não está realmente acontecendo”, lembra Angel, 52. “Ele foi enviado [para a guerra] três vezes e nada aconteceu. No entanto, ele vai trabalhar na base e não volta para casa.”

Arroyo passou o mês seguinte hospitalizado. A reabilitação física levou quatro anos exaustivos. O militar ficou sem conseguir falar por dois meses, mas agora faz pleno uso de sua voz. Graças à cirurgia de enxerto de nervo, ele recuperou 30% do uso de seu braço direito anteriormente paralisado.

Ele credita a ajuda de sua esposa Angel para conseguir passar pelos tempos difíceis de recuperação.

“Tudo na minha vida foi totalmente abalado fisicamente, mentalmente e emocionalmente”, diz Arroyo. “Minha vida e minha carreira estavam por um fio. Mas com a ajuda do Espírito Santo, Angel me carregou para onde eu não conseguia chegar”.

A fé de Angel superou sua descrença inicial na virada dos acontecimentos.

“Eu apenas acreditava que estaria tudo bem e que Deus nos ajudaria a superar isso”, diz ela.

Arroyo se aposentou do Exército em 2018 como capitão, assessor de um general de duas estrelas. Ele agora atua como vice-presidente executivo da Fundação Roever, liderada por Dave Roever, um militar ferido de guerra.

Roever, um ministro da AG ordenado desde 1971, vem ministrando aos militares feridos que retornam a guerra.

Apenas alguns meses depois de ser baleado, Arroyo conheceu Roever. Enquanto ele ministrava na Igreja Hillcrest, uma congregação das Assembleias de Deus no Texas, ele parou e apontou para Arroyo.

“Jovem, levante-se”, ordenou Roever ordenou a Arroyo. “Você e eu trabalharemos juntos no futuro.”

Quatro anos depois, Roever explicou que treinaria Arroyo para usar suas cicatrizes para ajudar os outros com suas cicatrizes, tanto físicas quanto emocionais.

Para a Fundação Roever, Arroyo é um orador inspirador. Usando seu testemunho, ele leva uma mensagem de esperança a todo o país, desde assembleias do ensino médio até bases militares – onde ele busca resgatar a saúde das famílias abaladas pelo trauma da guerra.

Arroyo fez mestrado em liderança cristã e escreveu um livro sobre sua provação: “Attacked at Home! A Green Beret’s Survival of the Fort Hood Shooting” (“Atacado em Casa! A sobrevivência de um boina verde do tiroteio de Fort Hood”, em tradução livre).

“Vimos milagre após milagre após milagre para nos ajudar a superar tudo”, diz Angel. “Estamos mais próximos agora do que nunca.”

 

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