Com risco de morte, fugas de cristãos da Coreia do Norte chegam a quase zero

A campanha para acabar com os cristãos e instituições na Coreia do Norte tem sido brutalmente eficaz.

Fonte: Guiame, com informações de Portas AbertasAtualizado: quinta-feira, 9 de setembro de 2021 12:48
Norte-coreanos prestam reverência a uma estátua de Kim Il-Sung, que criou sua própria religião em Pyongyang. (Foto: David Gittenfelder/AP/Veja)
Norte-coreanos prestam reverência a uma estátua de Kim Il-Sung, que criou sua própria religião em Pyongyang. (Foto: David Gittenfelder/AP/Veja)

De acordo com relatórios da Portas Abertas, fugir da Coreia do Norte se tornou uma missão quase impossível. O número de fugas quase chega a zero. O país foi totalmente bloqueado e quando os policiais encontram pessoas em fuga, desobedecendo ao governo comunista, têm ordens de atirar para matar.

Por um lado, as fronteiras dos países da rota de fuga como Mongólia, Vietnã, Laos, Camboja e Tailândia foram fechadas devido a pandemia da Covid-19. Por outro lado, porém, existe um governo ditador que não enxerga cidadãos e sim prisioneiros de seu sistema.

A chegada de fugitivos da Coreia do Norte na Coreia do Sul quase atingiu o nível zero no segundo trimestre de 2021. O Ministério da Unificação da Coreia do Sul disse que apenas um homem e uma mulher conseguiram chegar a Seul, capital do país, entre abril e junho. 

Isso é ainda menor do que no primeiro trimestre deste ano, quando 31 norte-coreanos conseguiram chegar na capital da Coreia do Sul, 14 mulheres e 17 homens. 


Os cristãos norte-coreanos descobertos na China são enviados de volta ao país e presos. (Foto: Portas Abertas)

1º lugar na Lista Mundial da Perseguição

Nesta quinta-feira (09), Kim Jong-un e seus liderados comemoram a fundação da Coreia do Norte. Nessa mesma data, em 1948, foi fundada a República Popular Democrática da Coreia. Desde então, o totalitarismo comunista governa o país. 

O partido governante na Coreia do Norte tem se dedicado a obter e manter o controle político e ideológico. Em um editorial em seu jornal oficial no mês passado, o líder do país pediu aos norte-coreanos que adotassem e abraçassem a ideologia socialista. 

“O desenvolvimento econômico deve acompanhar a educação ideológica se o país quiser continuar construindo sua fundação socialista”, disse ele. “O jornal em particular alertou os jovens norte-coreanos contra a adoção de ideologia estrangeira, dizendo que o principal alvo da infiltração cultural dos imperialistas são as gerações jovens”, informou a agência de notícias da Coreia do Sul Yonhap. 

Com esse tipo de pensamento, há muita criatividade na criação das campanhas que visam banir qualquer infiltração da ideologia estrangeira”, como o cristianismo, por exemplo. “A campanha para acabar com os cristãos e instituições na Coreia do Norte tem sido brutalmente eficaz”, diz o relatório.


“O Estado educa a geração seguinte para serem revolucionários confiáveis que lutam pela sociedade e pelo povo”, diz o artigo 43º da Constituição norte-coreana. (Foto: KCNA/Reuters) 

Coreia do Norte e a negação da liberdade religiosa

O governo tem alertado a população sobre a adoção de ideologias estrangeiras. Os cristãos na nação são obrigados a manter a fé em segredo, porque lidam com risco de prisão e morte. 

A Coreia do Norte pretende erradicar o cristianismo e está tentando fazê-lo através de uma negação absoluta da liberdade religiosa, segundo informações de um novo relatório divulgado pela Comissão Internacional dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa. 

 “Nossas descobertas estabelecem que a perseguição de indivíduos que exercem o direito à liberdade religiosa na Coreia do Norte vai muito além de um governo que negligencia seu dever de respeitar, proteger e cumprir o direito à liberdade de pensamento, consciência, religião ou crença”,diz o relatório. 

“Também vai além de um governo que persegue um ou mais grupos sociais por sua religião ou crença. Em vez disso, a situação que existe é aquela em que o Estado impõe a negação absoluta da crença religiosa através da mobilização ativa dos órgãos do governo”, continua. 

Prisão e tortura

Durante 2020 e 2021, pesquisadores realizaram entrevistas com sobreviventes, testemunhas e até mesmo autores de violações à liberdade religiosa, a maioria dos quais havia fugido da Coreia do Norte em 2019. 

Dos 68 casos identificados, envolvendo pessoas que foram processadas pelo Estado por sua fé ou crença, 24 eram cristãos. O relatório detalha incidentes envolvendo prisão arbitrária e detenção; tortura e tratamento cruel, desumano e degradante e uma negação geral da liberdade religiosa. 

Siga-nos

Comentários

Mais do Guiame