Arqueólogos encontram mosaico que pode fazer parte da ‘Igreja dos Apóstolos’

As inscrições mostram que o prédio era grande e importante o suficiente para justificar uma reconstrução, como foi verificado.

Fonte: Guiame, com informações de HaaretzAtualizado: sexta-feira, 29 de outubro de 2021 15:22
Dedicação ao bispo na igreja encontrada em el-Araj, supostamente Igreja dos Apóstolos. (Foto:Achia Kohn-Tavor)
Dedicação ao bispo na igreja encontrada em el-Araj, supostamente Igreja dos Apóstolos. (Foto:Achia Kohn-Tavor)

O que significaria para a arqueologia bíblica encontrar o local onde os apóstolos de Jesus se reuniam? Arqueólogos no norte de Israel descobriram pisos de mosaico, nas ruínas de um prédio, que eles acreditam ser a Igreja dos Apóstolos perdida, na vila bíblica de Betsaida, na costa do Mar da Galiléia.

Segundo especialistas, não parece se tratar de uma capela pequena para se ajoelhar à beira do caminho, mas de uma casa de culto elaboradamente decorada. De acordo com a tradição cristã, a basílica foi construída no local onde antes moravam os apóstolos Pedro e André

Segundo o jornal israelense Haaretz, durante as escavações foram encontradas no piso de mosaico inscrições que datam do final do século V ou início do século VI. A equipe de arqueólogos que explora o local é liderada por Steven Notley do Nyack College e Mordechai Aviam, do Kinneret Academic College da Galiléia.


Parte da estrutura bizantina que aparentemente é a Igreja dos Apóstolos, em Betsaida. (Foto: Achia Kohn-Tavor)

Por que o prédio estava enterrado?

O local onde foram feitas as escavações parece ter sido atingido por um terremoto, no ano de 749 d.C.. Depois de desenterrado, foi possível observar que paredes foram construídas no topo, ao longo do caminho exato da estrutura original do edifício. 

Até recentemente, não apenas a Igreja dos Apóstolos, mas toda a aldeia bíblica de Betsaida estava perdida. “Todos os lugares menores sagrados para o cristianismo que não eram destaque, como Jerusalém ou Nazaré, foram perdidos após a conquista muçulmana”, explicou Aviam.

Os pesquisadores não podem provar categoricamente que se trata da Igreja dos Apóstolos, mas nenhuma outra estrutura semelhante foi encontrada na área, que se encaixasse tanto com as especificações bíblicas.


O mar da Galiléia subiu devido às fortes chuvas em 2020, inundando o local da igreja. (Foto: Prof. Mordechai Aviam)

Sobre as inscrições no mosaico

Duas inscrições foram encontradas, mas estão incompletas. Era típico das igrejas bizantinas ter inscrições em mosaico. 

“Enquanto a inscrição menor menciona o nome do diácono que construiu a igreja, a inscrição maior é um meio medalhão com o nome do bispo que reconstruiu o edifício”, revelou Aviam.

Essas evidências já indicam que a igreja era grande e importante o suficiente para justificar uma reconstrução ou reforma, conforme o arqueólogo. 

Os especialistas ainda não definiram a data exata da construção das fundações encontradas, mas acreditam que as próximas escavações vão ajudar a encontrar mais informações.


Piso de mosaico que pode fazer parte da Igreja dos Apóstolos, Betsaida. (Foto: Yehoshua Dray)

Ruínas associadas a Betsaida

Essas não são as únicas ruínas que foram associadas a Betsaida. Em 2020, o arqueólogo Rami Arav, professor do Departamento de Filosofia e Religião e do Departamento de História da Universidade de Nebraska, EUA, afirmou ter encontrado a localização exata desta cidade. 

As investigações de Arav apontam que a cidade estaria localizada a um quilômetro e meio do Mar da Galileia, na Cisjordânia. O local foi estudado durante 32 anos e é onde a equipe do professor Arav descobriu várias fortificações monumentais, armazenamento de alimentos e um portão da cidade no sítio arqueológico.

Segundo a equipe de arqueólogos, o portão remonta à Idade do Ferro e pertencia à capital de Geshur, que mais tarde se tornaria Betsaida. É preciso considerar que, apesar das especificações bíblicas, a geografia pode ser muito alterada ao longo dos séculos.

Muitos locais antigos eram acessíveis apenas por embarcações, mas os movimentos tectônicos e mudanças nos níveis de água podem causaram grandes alterações. O mar da Galiléia está no meio da fenda siro-africana e está sujeito a esse tipo de mudança. 

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